sexta-feira, 1 de junho de 2012
O Tribunal de Cristo para os cristãos. by G.Hayhoe
O Tribunal de Cristo para os cristãos
“A obra de cada um se manifestará...” (I Cor. 3:13)
“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito no corpo, ou bem, ou mal”. (II Cor. 5:10).
Vamos ver o que Deus nos fala sobre o Tribunal de Cristo conforme nos é trazido em sua Palavra referindo-se aos crentes. Sabemos que aqueles que não conhecem ao Senhor Jesus ,como Salvador, e que morrem em seus pecados, terão que comparecer perante Ele também, mas em um tempo e maneira diferente. Eles o conhecerão como juiz, no “grande trono branco” para serem julgados pelos seus pecados, e porque seus nomes não estão escritos no livro da vida, eles serão lançados no lago de fogo (Apoc. 20:11-15).
Para o crente o Tribunal de Cristo tem um caracter diferente. Será para manifestação e galardão. Será a manifestação “das coisas feitas pelo corpo”, para que possamos conhecer a avaliação do Senhor para nossas vidas, seja para perda ou galardão. Nós estaremos diante daquele que levou o juízo de nossos pecados na cruz do calvário, sabendo que Ele mesmo é a nossa justiça (II Cor. 5:21). Nossos pecados não serão lembrados contra nós, mas nós não saberemos até lá quão grande foi nossa dívida de pecado. Muitas vezes temos uma pequena apreciação da grande carga de pecados que Ele carregou por nós naquelas horas de trevas no calvário. Mas tudo deve ser trazido diante da luz, assim como o Senhor disse em Lucas 8:17 e isso intensificará nossos louvores. Um amigo pode se oferecer a pagar por sua dívida, mas você não saberá que a dívida foi paga até ver o recibo quitado, como o versículo que diz: “... segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal”. Tudo então será manifestado.
Nós também reconheceremos sua graça e paciência para conosco durante toda nossa vida, assim como nos mostrará, quando estávamos perdidos, quão freqüentemente desprezávamos sua oferta gratuita de salvação e mesmo assim Ele continuava nos buscando até que nos encontrou, e nos carregou em “seus ombros, com júbilo” (Luc. 15:4-5). Não seria uma perda se Ele não nos deixasse ver, em Sua presença, tudo o que nós éramos, assim como sua graça e bondade, incomparáveis que nos guiou ao arrependimento?
Pois não havia bem nenhum em nossas vidas até sermos salvos, pois a Bíblia diz: “... os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rom. 8:8). Mas, quando Deus nos salvou Ele nos deu uma nova vida, a mesma vida de Cristo. Como alguém disse; Ele então começou a marcar os créditos de nossas vidas, e anota as coisas feitas para Ele. Mesmo que seja um copo de água frio dado em Seu nome, ou um pensamento em Seu nome ou ainda nossa confiança Nele será manifestada e galardoada naquele dia. Verdadeiramente até as coisas cotidianas da vida, se feitas para o Senhor, serão galardoadas (Col. 3:23-24).
Sabemos que há falhas e pecados em nossas vidas, mesmo sendo salvos e sabendo que nossos pecados foram todos levados pelo Senhor Jesus no Calvário, ainda assim, deverão ser manifestados. Não se trata da questão de cobrança, pois por uma só oferta o Senhor Jesus aperfeiçoou o crente para sempre, de acordo com sua posição perante Deus (Heb. 10:14), assim lemos em I João 4:17 “para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual Ele é, somos nós também nesse mundo”.
Porque então as coisas “más” são mencionadas em II Cor. 5:10? Assim como mencionamos anteriormente isso não somente revelará as riquezas de sua graça em salvar-nos, mas também pensamos em sua longanimidade e paciência para conosco, mesmo como crentes. Quão freqüentemente nós nos afastamos como Pedro e Ele nos traz de volta. “Ele restaura minha alma” (Salmo 23:3). Nós podemos ter desperdiçado as nossas vidas, ou parte delas vivendo para agradar a nós mesmos, quando deveríamos ter vivido, não para nós mesmos, mas para Ele que morreu e ressuscitou por nós (II Cor. 5:14-15). Tudo isso será manifestado, pois somente o que foi feito para Ele em obediência à Sua Palavra será galardoado. O resto será tudo perdido, como aprendemos em I Cor. 3:8-15. Nós veremos esses versículos em particular, mais a frente, mas eles nos mostram claramente que há perda ou galardão como resultado dessa manifestação. Algumas coisas podem ser reveladas de antemão, mas tudo então será trazido certamente à luz. Nós aprendemos em I Cor. 3:15 que aquele cujas más obras são queimadas, é sem dúvida salvo, pois é a obra de Cristo somente que lava nossos pecados e nos capacita para o céu, não nossas próprias obras.
É, entretanto, possível ter uma alma salva e uma vida perdida. Ao pensarmos no tribunal de Cristo e na manifestação de nossas vidas, e que quando nós consideramos Seu grande amor por nós, certamente seremos, então, constrangidos a viver para Ele.
Esses versículos que acabamos de considerar falam das “coisas feitas por meio do corpo”, nos dando um pensamento geral de toda nossa vida. Vejamos I Cor. 3:8-15 e notaremos que essa passagem trata particularmente de nosso serviço para o Senhor. Pense nessas maravilhosas palavras do versículo nove, “Porque nós somos cooperadores de Deus”, e ainda mais maravilhoso é que o Senhor Jesus tendo lavado todos os nossos pecados com Seu precioso sangue, diz que haverá um galardão pelo nosso trabalho feito para ele, se esse for segundo Sua vontade (vers. 8).
O apóstolo continua a dizer que existe um edifício espiritual sendo construído, no qual temos o privilégio de trabalhar. Paulo, inspirado pelo Espírito de Deus, foi usado para lançar a fundação, pois essas epístolas inspiradas lançaram a fundação do Cristianismo. Usando as Sagradas Escrituras – a Palavra de Deus – como fundamento de nosso serviço para o Senhor, temos o privilégio de trabalhar para Ele. Mas possamos ser cuidadosos para seguir os planos de Deus em nosso trabalho, pois se assim não for, estaremos edificando “madeira, feno ou palha”. Podemos estar tão ansiosos para ver resultados que nos afastamos da verdade de Deus em nosso serviço, ou misturamos verdade e erro juntos. Assim como num edifício natural, o construtor inspeciona se a obra está de acordo com a planta, assim será a manifestação de nosso trabalho e labor no tribunal de Cristo. Será “ouro, prata, pedras preciosas” ou será “madeira, feno e palha?” “O dia a declarará” (vers. 12-13).
O fogo – o julgamento daquele cujos olhos são como chamas de fogo – que vê todas as coisas – (Apoc. 1:14) manifestará nossas obras. “Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento, mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (I Cor. 3:14). É claro, a partir disso, que não é a pessoa – o servo – que está sendo julgado, mas a sua obra. Um crente pode “sofrer detrimento” então. Tempo, energia, habilidade e possessões podem ser usadas para o Senhor, mas não têm valor algum se não usados para Ele, de acordo com a Palavra. E, se alguém também milita não é coroado se não militar legitimamente (II Tim. 2:5). Se o que Ele nos tem dado é usado para Ele em obediência, haverá galardão, assim como nos mostra o versículo. Logicamente, o galardão não deve ser o nosso motivo, mas é o Seu amor que nos constrange a viver para Ele, e será Seu gozo nos dar galardão. Teremos o privilégio de prostarmos aos Seus pés e Lhe dar toda a glória (Apoc. 4:10). As Escrituras falam do pastor fiel recebendo uma coroa incorruptível de glória “(I Pe. 5:4). Paulo disse” nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mais excelente “(II Cor. 4:17). Quão maravilhoso pensar que Aquele que uma vez usou uma coroa de espinhos por nós, apreciaria nossos débeis esforços para Lhe dar uma coroa de prazer. Tudo se manifestará no tribunal de Cristo. Agora em I Cor. 4:1-5 encontramos o terceiro aspecto do tribunal de Cristo. Encontramos aqui que Deus manifesta os desígnios do coração. Ele sabe não somente o que fazemos, mas porque fazemos. Ele esquadrinha nossos corações. Não conhecemos nossos próprios corações, e muito menos os corações e motivos dos outros. Não temos que julgar as coisas meramente como aparentam no “dia do homem”, nem fazer uma avaliação de nossas próprias vidas, mas tudo será manifestado naquele dia. Se tivermos um motivo errado e fizermos coisas aos olhos de outros e não realmente para o Senhor, isso virá à tona então, pois ‘não há coisa oculta, que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir a luz” (Lucas 8:17).
O compositor do hino disse:
“Obras, que segundo pensávamos, mereciam méritos
Ele nos mostrará que não passavam de pecados,
Coisas pequenas, há tempo esquecidas,
Ele, nos mostrará, que foram feitas para Ele “.
Há o lado brilhante desta manifestação. Talvez tentássemos fazer alguma coisa com amor para com o Senhor Jesus, e o fizemos, mas não como deveríamos ou planejávamos. Talvez os outros criticassem, mas o Senhor conheceu nossos corações e Ele galardoará o desejo. Assim como aquela pequena menina que tentou ajudar sua mãe, mas ela derrubou um valioso prato de porcelana que se quebrou. A mãe não poderia recompensar a sua ação, mas ela amavelmente recompensou o desejo de sua filhinha em agradá-la. Como está escrito, “e então cada homem terá o louvor de Deus”. Nós, com certeza, iremos louvá-lo, mas não é maravilhoso pensar que ele nos louvará?
Já temos considerado o aspecto de toda nossa vida como uma revisão, nosso serviço para o Senhor, e também os motivos que governam nossas ações. Vejamos Romanos 14 onde encontramos outro aspecto dessa manifestação. O versículo 10 diz, “... por que julgas teu irmão? Ou tu, também por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo”. É necessário para nós considerarmos o quanto nossas ações afetam os outros, especialmente os filhos de Deus, “Porque nenhum de nós vive para si...”, versículo sete. Quando pensamos em estar lá na presença do Senhor Jesus enquanto Ele revisa nossas vidas, veremos os outros com quem tivemos contato e saberemos como nossas ações os afetaram. Fomos um auxílio ou impecílio? Agimos impensadamente e descuidadamente, ou tentamos encorajá-los ou ajudá-los?
Freqüentemente pergunta-se, se essa manifestação será pública. Será que todos verão e saberão tudo sobre nós? As Escrituras não respondem diretamente, mas eu acredito que todos nós estaremos lá como troféus da graça. Nós sabemos hoje das falhas do rei Davi como um crente, e das de Pedro que negou o Senhor. Nós conheceremos aquele homem que teve uma legião de demônios antes de ser salvo, e Maria Madalena que tinha sete demônios antes do Senhor salvá-la e muitos outros. Mas nós não estaremos ocupados com isso. Por causa da velha natureza em nós, e do orgulho do nosso coração natural, nós nos preocupamos muito sobre o que os outros pensam de nós agora, mas lá tudo o que nos importará será: O que o Senhor Jesus, que morreu por mim, pensa de minha vida? É ela aceitável para Ele? Quão bom para nós pensarmos sobre isso agora, pois como Paulo disse: “... somos manifestos a Deus” (II Cor. 5:11). Ele nos conhece agora e Ele nos mostrará lá! “Pelo que muito desejamos também lhe ser agradáveis, quer presentes quer ausentes” (II Cor. 5:9). Nossas vidas como crentes, são como um presente que preparamos para alguém que amamos e quando o pacote é aberto esperamos ouvir dele ou dela comentários, assim estamos muito ansiosos em ouvir a aprovação de nosso Amado. Quão maravilhoso será, seja qual for à medida ouvirmos do Senhor Jesus: “bem está” (Mat. 25:23). Certamente nós queremos agradá-lo acima de tudo.
Outra questão levantada é como nos sentiremos? As escrituras nos falam de estarmos envergonhados (I Jo. 2:28) e, também de sofrer detrimento (I Cor. 3 :15). É difícil para nós agora pensarmos em vergonha e detrimento, sem pensar em orgulho ferido e no que os outros pensarão. Mas pensemos dessa maneira. Como o Senhor se sentiu vendo como eu vivi hoje? Creio que no Tribunal de Cristo eu saberei como Ele se sentiu, e sentirei exatamente o mesmo que Ele. Entretanto, alegrar-nos-emos em ver queimado tudo o que não teve a Sua aprovação, e somente o que foi verdadeiramente feito para Ele permanecer. Todo ato em nossas vidas então tem conseqüências presentes e eternas. Nós podemos perder o gozo do Senhor em nossas almas, e mesmo estando sob Seu governo no presente, jamais recuperarmos o que perdemos na eternidade. “Porque o que semeia na sua carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito ceifará vida eterna” (Gal. 6:8).
Os galardões dados têm a ver especialmente com o Reino do Senhor Jesus – o milênio. As escrituras falam da “coroa de glória” (I Ped. 5:4), “a coroa da vida” (Tiago 1:12, Apoc. 2:10) a “coroa da justiça” (II Tim. 4:8) e da “coroa de gozo” (I Tess. 2:19). Também é falado de nossa posição no reino segundo nossa fidelidade – “... sobre cinco cidades” e “sobre dez cidades” (Lucas 19:17, 19). Outra vez “se sofremos, também com Ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará”. E não havendo “reino” no estado eterno, a posição é eternal (Apoc. 22:5) e os galardões serão eternais (II Cor. 4:17, Gal. 6:8, I Jo. 2:17). A noiva aparece no estado eterno com toda a beleza do dia do casamento, porque de uma maneira prática ela havia se preparado para isso, “pois o linho fino são as justiças dos santos” (Apoc. 19:8). O que foi feito para o Senhor Jesus jamais perderá sua preciosidade diante dos Seus olhos.
Possa o pensamento dessa manifestação no Tribunal de Cristo falar aos nossos corações e consciências agora, para que nós, tratemos de fazer como o amado apóstolo Paulo, cheio de gozo do amor de Cristo, procurou viver sua vida em vista aquele dia.
Gordon H. Hayhoe
“... uma voz mansa e delicada” ( 1 Reis 19:1-18)
“... uma voz mansa e delicada” ( 1 Reis 19:1-18)
Deus geralmente usa homens para falar Sua palavra para outros homens. Elias foi um desses mensageiros. Em 1 Reis 19, nós vemos o arrependimento de Elias, o qual é uma das sete figuras de arrependimento em seu ministério. Além da missão de Elias para com Israel, seu ministério e carreira descrevem também eventos futuros para os gentios.
Por causa da queda no jardim do Éden, o homem adquiriu uma consciência a qual o introduz numa batalha interior que ele não pode evitar. A saída desse problema depende de sua resposta quanto à moral a ele revelada. A luz de Deus é dada, por Sua palavra, em forma de princípios, e o arrependimento é um dos primeiros.
“ E Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito, e como totalmente matara todos os profetas à espada. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: assim me façam os deuses e outro tanto, se de certo amanhã a estas horas não puser a tua vida como a de um deles. O que vendo ele se levantou, e, para escapar com vida, se foi, e veio a Berseba, que é de Judá, e deixou ali seu moço” ( 19: 1-3)
Elias tinha demonstrado para Israel quem era o verdadeiro Deus em contraste com Baal. E como resultado desse drástico julgamento sobre Baal, a vida de Elias estava ameaçada por Jezabel, a esposa de Acabe. Foi ela quem introduziu Baal em Israel, Elias havia se preocupado com outros e com outras coisas, boas e más, mas agora a flecha está apontada diretamente para ele. Talvez fosse uma nova situação para ele, “Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será estreita” (Prov.24:10)
Aqui estava um homem que disse: “... vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou que nesses anos nem orvalho nem chuva haverá...” ( 1 Reis 17:1). Ele passou os profetas de Baal ao fio da espada, ele clamou e fogos dos céus caíram, ele levantou o filho da viúva dos mortos, ele proveu com contentamento dozes vasos de água na seca. A farinha e o azeite não faltaram durante três anos mesmo tendo apenas o suficiente para uma única porção. O próprio Elias havia comparecido diante da face de Acabe quando este o perseguia em todo lugar procurando matá-lo?
Mas agora o grande profeta Elias, cuja fama já se espalhava foge, para salvar a sua vida, de uma mulher idolatra enfurecida. “O que, vendo, e para escapar com vida veio a Berseba...” A lição de Elias tinha que ser aprendida sozinha com Deus em quietude. Não importa, quer seja Jó, Isaías, Pedro, Paulo ou nós mesmos; certas lições profundas sobre nós mesmos têm de ser aprendidas para que possamos conhecer nosso Deus. E mesmo tendo Deus valorizado Seu servo, o poder exposto publicamente não era o mais importante, mesmo que às vezes seja necessário. Após os discípulos, de Jesus, terem retornado a Ele e dizendos-Lhe da demonstração pública, do poder, das coisas que haviam feito Jesus lhes respondeu que isso não deveria ser o motivo para o gozo deles, mas que o motivo verdadeiro era terem seus nomes inscritos nos céus (Lucas 10:20).
A exibição do poder, mesmo que seja para Deus, tende a elevar os corações ao orgulho e ao egoísmo. E o orgulho espiritual é a pior forma que existe. Nós não conseguimos estimar nosso próprio estado de alma e de habilidades. “O que confia no seu coração é insensato, mas o que anda em sabedoria escapará” ( Prov. 28:26). A natureza má herdada de Adão provou ser um mau inquilino, mas a alma que habita com Cristo será preservada para que a velha natureza não possa se manifestar. Andar no Espírito é a nossa única salvaguarda.
“ E ele se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro: e pediu em seu ânimo a morte, e disse: já basta, ó Senhor: toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” ( 19: 4).
Nós nos deparamos aqui com um estranho paradoxo, Elias fugindo de medo da morte agora pede a Deus para que morra. Desencorajamento não é fé, mesmo se vier de um poderoso servo de Deus. Enoque e Elias foram dois homens que foram para o céu sem passarem pela morte. “ Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porquanto Deus o trasladara porque antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus” ( Heb. 11:5). Isso não foi dito de Elias.
Enoque partiu quietamente tendo andado com Deus aqui e agora anda lá no céu. Que figura maravilhosa da Igreja! Aquele dia do nosso arrebatamento logo chegará e será que estamos com nossos olhos fixos em Cristo e no nosso lar?
Elias encerrou sua carreira e um carro de fogo acompanhado de um redemoinho que o levou ao céu.
“Não sou melhor do que meus pais” nos dá o segredo do que havia no mais profundo desse poderoso homem de Deus. Qualquer que for nossa reputação entre os homens, somente Deus pode formar nosso caráter em nossas vidas. Caráter é o que somos diante de Deus. Foi somente enquanto ele estava diante de Deus que ele teve poder. Em si mesmo ele teve de confessar, “... toda a carne é como a erva” (Isaías 40:6).
Como os pais de Elias falharam assim também ele falhou e por isso ele teve de aprender que o triunfo é reservado apenas para Deus. Cristo irá ainda levar toda a glória da casa de Seu Pai e Seus servos desfrutarão com Ele. Elias certamente irá!
A restauração ocorre através do arrependimento de Israel. E não é o mesmo para Elias?
A árvore da figueira representa Israel como nação, mas às folhas ( glória) seguem os frutos ( arrependimento). Dormindo sobre uma árvore de Zimbro, não era estar junto com o povo de Deus. Ou nós vamos junto com o povo de Deus em toda a sua fraqueza, a qual é nossa também, ou viveremos num deserto espiritual sozinhos.
O profeta está longe do lugar de refrigério, Carite, onde os corvos o alimentaram, o lugar que Deus escolheu para ele. Aqui o profeta escolheu o seu próprio caminho, e Deus o encontra no deserto. Aqui não há recurso algum a não ser em Deus. Não é um conforto para nós e para nossos corações saber que não importa onde nossa inquietação nos leve, Deus estará, ainda assim, lá? Mesmos que nossos olhos se fechem na morte, “... quando acordo ainda estou contigo” ( Salmo 139:18).
“... já basta...” ( 19:4)
Elias estava pronto para desistir e morrer. João Batista manifestou semelhante desencorajamento sobre sua provação. Mas não somente Elias não morreria como também Deus não desistiria dele. Suas promessas são sempre cumpridas, amém! Quanto mais vasto o deserto mais próximo somos atraídos a Deus. Elias aprendeu a abundância da provisão de Deus enquanto servia-O. Ele, no entanto, ainda tinha que aprender a provisão que Deus lhe daria enquanto ele estivesse seguindo o seu próprio caminho.
“ E deitou-se, e dormiu debaixo dum Zimbro: e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: levanta-te, come. E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre brasas, e uma botija de água: e comeu e bebeu, e tornou a deitar-se” ( 19:5-6)
Talvez o vento estivesse soprando apenas o suficiente para levantar o pó e a areia. Os galhos do Zimbro estavam fazendo um som monótono para se somar a solidão do deserto que rodeava o profeta desamparado.
“ Vi, e eis que homem nenhum havia; e já todas as aves do céu eram fugidas”
(Jer. 4:25)
As circunstâncias podem parecer insuportáveis, o espírito deprimido, e os recursos naturais esgotados. Por que até agora, para Elias, as batalhas tinham sido para outros, mas em sua nova experiência ele tinha de lutar contra si mesmo, sozinho no deserto. A questão era: Deus se importa? Deus nunca envia um servo seu sem prover tudo o que ele necessita para a jornada.
“... então um anjo o tocou...” (19:5)
Isso foi um toque do céu. Nenhum artista ou poeta poderia descrever a experiência que passava na alma de Elias nesse momento. As Escrituras também se silenciaram. Poderia nosso profeta ter sentido enquanto chamava fogo do céu, o melodioso fervor que se agarrava à sua alma nesse momento? Profundas e duradouras impressões, até então desconhecidas, mas que agora agitavam os sentimentos desse homem de Deus, pois até aqui ele conheceu algo do poder de Deus, mas ainda não conhecia realmente o próprio Deus.
Se existe algo em nós que agrade a Deus é quando Ele vê que necessitamos d’Ele. Pouco a pouco Elias é levado para esse rico fluxo de refrigério. “ Águas,... tornozelos..., joelhos..., lombos..., a nado..., ribeiro que se não podia passar.”
(Eze. 47:3-5).
“ A quem temos Senhor a não ser a Ti,
almas sedentas para serem satisfeitas.
Fontes que não param de jorrar, águas gratuitas!
Todas as outras fontes secaram.
Nossos corações, por Ti são firmados
nas coisas radiantes do céu.
Estranho que sempre nos esquecemos,
Teu mais fiel e próprio amor.
(Hino 153 – Hinário Little Flock)
Ninguém pode ensinar como Deus. Bem que poderíamos estar mais tempo a sós com Ele. Se você pudesse ver a Jesus quando Ele estava aqui, você o acharia onde houvesse necessidades. Será que estamos aprendendo as lições que nós só poderíamos aprender enquanto estivermos nesse mundo, mundo que se tornou um deserto para a fé?
E foi assim no momento maior de fraqueza que o anjo o tocou. O bálsamo do céu pode curar os sofrimentos desse mundo ( Mat. 11:25-26; 1 Cor. 10:13; 2 Cor. 4:8).
“ “Levanta e come “, essa foi a palavra do anjo; “..., pois não sou melhor do que meus pais”, essa foi a palavra do homem. Se pudéssemos olhar por traz do fino véu que esconde o invisível, nós seríamos como os anjos. Ainda assim, se a fé é ativa, o resultado de andar perto do Senhor, seria o de viver na atmosfera celestial e conhecer melhor a vontade de Deus. Nós nos conheceríamos melhor também, e o resultado seria
uma maior intimidade com nosso Deus e Seu amor. Isso traz confiança!
A lei foi escrita em pedras, pedras frias, pedras frias nos fala das demandas de Deus para com os homens. A missão de Elias era de trazer Israel de volta para essa Lei. Por um momento parece que Elias conseguiu, mas logo a fúria de Satanás caiu sobre o profeta.
Quando o anjo o tocou ele viu um pão cozido sobre as brasas. Não existem pedras frias para aqueles que conhecem a Deus como um Deus de misericórdia.
Quem mais a não ser o Senhor seguiria Seu povo infeliz até o deserto?
Mesmo que grandes coisas estivessem à frente de Elias, o ego era um senhor duro. Paz e gozo são nossa porção, não o desencorajamento, que é o resultado de estar concentrado em si mesmo. Ele comeu e bebeu e tornou a deitar-se.
“ E o anjo do Senhor tornou segunda vez e o tocou e disse: Levanta-te e come porque mui comprido te será o caminho. Levantou-se, pois, e comeu e bebeu: e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” ( 1Reis 19:7-8)
Não existe paciência como a de Deus. “ Antes Deus fala uma e duas vezes, porém ninguém atenta para isso” ( Jó 33:14).
“..., porque mui comprido te será o caminho” (1Reis 19:7).
Se Cristo não tivesse dito, “ Eu nunca os deixarei nem vos abandonarei” nós não conseguiríamos seguir no caminho. Foi nos permitido levantar e comer a provisão dada pelo anjo para que não esmorecêssemos pelo caminho.
Nenhum homem, naturalmente falando, poderia ficar sem comida e sem bebida por 40 dias. Nosso caminho é como um milagre, assim como aconteceu com Elias, seguimos nosso caminho em direção ao nosso lar através dos testes e provações dessa vida.
Quando a Lei foi dada, Moisés nem comeu nem bebeu por 40 dias e 40 noites (Deut. 9:9-18).
Elias figura de Cristo, vai até o monte Horebe ( Sinai) para responder diante de Deus pelo povo que tinha desobedecido a Lei.
Cristo de igual modo ficou sem comida e bebida por 40 dias e 40 noites, sendo tentado por Satanás no deserto. Para Elias foi dado comida e bebida suficiente por 40 dias, período completo de provação. O monte Sinai era o monte que Israel não podia tocar Elias ao contrario estava tranqüilo lá. Na cruz, Jesus estava no monte Horebe, Ele suou gotas de sangue que caíram no chão e lá Ele intercedeu por nossas almas. Na cruz também Ele foi feito pecado. Foi exatamente ali que Jesus iniciou o transporte para as bênçãos eternas. Elias, ao contrário, encerra sua missão falando contra o povo de Deus.
“ E ali entrou numa caverna e passou ali à noite e eis que a palavra do Senhor veio a ele, e lhe disse: que fazes aqui Elias? E ele disse: tenho sido muito zeloso pelo Senhor dos Exércitos porque os filhos de Israel deixaram o Teu concerto, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada, e eu só fiquei, e buscam a minha vida” ( 1Reis 19:9-10).
Após ter achado refúgio na caverna, Elias ouve a palavra do Senhor dizendo: “ que fazes aqui Elias? E sua resposta foi triste. Na presença do Senhor ele se lembra das falhas do povo de Deus. E ainda ele diz que ele foi o único fiel em Israel e acrescenta também que querem lhe tirar a vida.
Quando Jesus foi para Horebe, Ele falou alguma coisa contra nós? Nunca! Precioso Salvador. Ele tomou nosso lugar diante do Deus Santo. Ninguém, a não se Deus saberá o que Ele sofreu por nós.
“... porque o peso do cobre se não esquadrinhava” (2Crônicas 4:18) onde o cobre é uma figura do julgamento do Deus Santo.
Aqui o amor de Deus pelo pecador é visto em toda a sua beleza e brilho. E por que Jesus foi a Horebe? Para interceder por nossas almas e derramar Seu sangue para nossa redenção – louvado seja Seu nome!
Elias foi o único profeta cuja falha foi lembrada no Novo Testamento.
“ E Ele disse, sai para fora, e põe-te neste monte perante a face do Senhor e eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante da face do Senhor; porém o Senhor não estava no vento, e depois do vento um terremoto e o Senhor não estava no terremoto, e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor também não estava no fogo, e depois do fogo uma voz mansa e delicada” ( 1Reis 19:11-12).
Aqui temos a sua consciência sendo alcançada. Em João 4 o Senhor disse para a mulher: “... vai chama a teu marido e vem cá” ( João 4:16). Às vezes a única maneira de aprendermos é sermos privados de nossos privilégios. E estando diante de Deus no monte, ele testemunhou poder, um grande e forte vento, um terremoto e fogo. Isso foi suficiente para animar o profeta? Deus é todo poderoso. “... não há quem possa estorvar a Sua mão, e lhe diga que fazes? “ (Daniel 4:35).
Deus não estava em nenhuma dessas demonstrações de poder, muito embora o poder era dele.
O coração tem de ter um objeto no qual possa descansar. O poder pode ser muito bom quando tem lugar, mas nunca para conforto, gozo, descanso e amor.
“ E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e poz-se à entrada da caverna e eis que veio a ele uma voz, que dizia: que fazes aqui Elias? E ele disse, eu tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram o Teu concerto, derribaram os Teus altares, e mataram os Teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam tirar a minha vida” ( 1Reis 19:13-14).
Ao ouvir a voz mansa e delicada, Elias envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora e pôs-se à entrada da caverna. E outra vez a pergunta foi feita: “ que fazes aqui Elias? A resposta, no entanto não mudou sua vontade ainda não fora quebrada. Duas vezes foi feita a mesma questão e duas vezes a mesma resposta foi dita. Duas vezes a mesma voz mansa e delicada.
“ E o Senhor lhe disse, vai torna-te pelo caminho para o deserto de Damasco, e vem, e unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninri, ungirá rei de Israel, e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meola, ungirás profeta em teu lugar. E há de ser que o que escapar da espada de Hazael mata-lo-á Jeú e o que escapar de Jeú matá-lo-á Eliseu. Também eu fiz ficar em Israel sete mil, todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou “. (1Reis 19:15-18)
Quatro coisas foram ditas a Elias pela voz mansa e delicada, para que ele fizesse:
1- Torna-te pelo teu caminho para o deserto de Damasco
2- Unge a Hazael rei sobre a Síria
3- Unge a Jeú rei sobre Israel
4- Unge a Eliseu profeta em seu lugar
É-nos dito que o primeiro pedido foi cumprido, mas sabemos que Elias nunca ungiu nem Hazael nem Jeú, isso foi realizado por Eliseu. Ter que fazer essas duas unções desses dois reis, que seriam a vara de Deus em juízo sobre Seu povo era demais para Elias suportar. Elias, no entanto, ungiu a Eliseu como seu sucessor, tendo encerrado sua missão. (2Reis 8:111-13, 10:32 , 13:3 e 2Reis9)
Os mandamentos da voz mansa e delicada devem ter quebrado o coração do profeta, como também a sua própria vontade. Sua vida mudou a partir desse momento. “... porque bom é que o coração se fortifique com graça...” (Heb. 13:9)
Houve ainda muito mais que Elias não soube. Somente o Senhor sabe e conhece os Seus. Sete mil, um número perfeito, que não dobraram os joelhos diante de Baal, e que não o beijaram, mas que foram preservados para benção.
Seria bom ser capaz de colocar “ os sete mil” em nossas orações ao invés de falar a Deus contra o Seu povo. Também hoje há ainda um número perfeito escondido que será abençoado.
Que dia de vitória será para o Senhor Jesus quando terá a preeminência entre todos ( Col. 1:18).
Escrito por Clarence Lunden
Pulblicado por Bible Truth Publishers – USA 1980
O livro de Ageu
O livro do profeta Ageu
Introdução:
Ao considerar os capítulos 4 e 5 do livro de Esdras, vemos como os adversários de Deus, e o remanescente que voltou de Jerusalém sob a direção de Zorobabel e de Jesua, remanescente o qual havia começado a reconstruir o templo, conseguiram interromper a obra. Também vemos como Deus levantou os profetas, Ageu e Zacarias, e graças ao ministério deles a obra foi reiniciada.
A profecia de Ageu está cuidadosamente datada. É dividida em quatro partes, todas pronunciadas no segundo ano de Dario. A primeira no primeiro dia do sexto mês (1:1), a segunda no dia vinte e um do sétimo mês (2:1), a terceira no dia vinte e quatro do nono mês (2:10), e a última no mesmo dia (2:20). Em primeiro lugar, notemos que Deus sempre reconhece a validade de Suas próprias ações de governo. Havia posto Israel de lado como nação e havia começado o “tempo dos gentios”, por tal motivo as datas são em relação com a nação que neste momento estava no poder e não em relação com o povo judeu.
Este detalhe deve ter um significado para nós que vivemos nos últimos dias da triste história da igreja, como corpo professante na terra, sujeita ao santo governo de Deus. Podemos ter uma idéia de este governo considerar os capítulos 2 e 3 de Apocalipse dos quais o Senhor, como juiz, examina sucessivamente as sete igrejas. Ali nos fala de tirar o candelabro do testemunho, e de “lutar contra” os maus. E se há alguma expressão de aprovação somente menciona “pouca força” e de um mínimo de fidelidade.
Faremos bem em recordar isto, com muita humildade. Os vencedores, nas sete igrejas não estão isentos dos penosos resultados do governo de Deus; mas devem vencer as circunstâncias desse momento. O apóstolo Pedro escreve: “É tempo que o juízo comece pela casa de Deus” (1ª 4:17).
Desde então tem transcorrido mais de dois mil anos, um fato que guarda relação com nossa dolorosa debilidade de hoje em dia.
Deus levantou o profeta Ageu por causa da grande debilidade que caracterizava o remanescente que havia voltado de Jerusalém. Um novo rei da Pérsia, Artaxerxes, havia selado o dito contrário a Ciro, e eles deixaram de trabalhar na casa de Deus, e sem preocupação, à vista de todos, começaram a construir suas próprias casas muito bem decoradas e confortáveis. Por isso, o profeta começa dirigindo-lhes uma palavra de reprovação.
Capítulo 1
O povo havia adotado uma atitude fatalista dizendo: “Não é tempo ainda, tempo para que a casa de Jeová seja reedificada”, e se puseram a construir para si mesmos. Há algum tempo atrás escutamos os cristãos dizerem, apesar das palavras do Senhor em Atos 1:18, que o tempo de evangelizar “ até os confins da terra” não havia chegado, e começaram a desenvolver o que consideraram como seus próprios assuntos espirituais. Não havia nada de mais que esses judeus construíssem suas próprias casas, mas o que estava errado era o fato de concentrarem-se nesse ponto, deixando de lado a casa de Deus. Por esta razão Deus mandou a seca e destruiu suas colheitas.
Não há nada de errado em nos ocuparmos com nosso estado espiritual, ao contrário somos exortados a “edificarmos sobre nossa fé santíssima” (Judas 20) , mas , como vemos nos versículos seguintes, deve ser fruto do amor de Deus, que se expressa em compaixão para “alguns” e salvando a “outros “ com temor ( Judas 22-23) . Não nos concentremos em nós mesmos, descuidando da obra e dos interesses de Deus. Essa palavra de nosso Senhor continua válida: “Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas “( Mat. 6:33) .
O que dizemos de cada um de nós hoje em dia? Merecemos a reprovação de descuidarmos dos interesses de Deus em favor dos nossos? Temo que sim!
Aceitemos pois a reprovação, na humildade de espírito que convém.
Foi o que fizeram Zorobabel, Jesua e o povo antes de começarem a obra obedecendo a palavra de Deus. Ageu, para eles era o enviado de Deus que levava a mensagem de Deus assegurando-lhes que Ele mesmo estava com eles na continuação do trabalho. Tanto agradou isto a Deus, que no mesmo dia começaram a trabalhar exatamente vinte e três dias depois de ser dirigida a palavra de compreensão como é dito no último versículo do capítulo um.
O apóstolo escreve: “Se Deus é por nós, quem será contra nós” ( Rom. 8:31), e isto, ainda que anunciado nos tempos do Novo Testamento era igual ao que foi nos tempos passados. O povo não demorou em descobrir que as dificuldades desapareciam quando Deus estava com eles, como nos mostra o livro de Esdras.
Seus adversários reagiram energeticamente quando o trabalho recomeçou, e levaram o fato até ao rei, que invalidou o decreto de Artaxerxes e colocou em vigor o decreto original de Ciro, por ordem de quem o remanescente voltou a Jerusalém. De modo que, uma vez mais, a palavra de Deus era obedecida, e a obediência é sempre o caminho para a benção.
Capítulo 2
Por volta de quatro semanas mais tarde veio outra mensagem de Deus, por boca do profeta Ageu. Desta vez, era uma palavra de alento. Dirigida especialmente as pessoas mais velhas que podiam lembrar-se do esplendor do templo de Salomão, e , em conseqüência, ver quão inferior seria qualquer templo que pudessem construir. O ânimo que os atingia tinha duplo alcance: primeiro pelo templo presente e segundo pelo futuro. Mas notemos em primeiro lugar que esta passagem nos diz respeito também hoje em dia. Na história da igreja professante, houve certo redescobrimento da verdade. E de alguma maneira um retorno a simplicidade das coisas, tal como Deus as havia ordenado inicialmente por seu espírito, o que é análogo ao retorno do remanescente de Israel ao lugar onde Deus havia posto Seu nome e onde havia tido sua casa desde muito tempo antes.
Os cristãos piedosos que participaram neste restabelecimento da verdade seguramente viram que tudo isto era muito inferior em glória do que aconteceu em Pentecoste, quando três mil pessoas se converteram e “perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão de uns com os outros, no partimento do pão e nas orações” ( Atos 2:42). Quão desejável seria que hoje fossemos consciente de nossa pequenez e debilidade e de tudo o que está em nossas mãos, em comparação com a grandeza do que foi instituído no princípio por Deus.
E se esse fato nos impressiona e nos leva a desanimar-nos um pouco pelo contraste, entretanto podemos confortar-nos descobrindo quão admirável mente se aplica a nós a palavra pronunciada por Ageu.
O alento para o tempo presente se encontra nos versículos 4 e 5. Deus não só prometeu sua presença como também acrescentou: “Segundo a palavra que concertei convosco, quando saíste do Egito, e o meu espírito ficou no meio de vós não temais” (Ageu 2:5). Ele lhes recordava Sua promessa imutável de dirigi-los em seu caminho. Havia dado esta promessa no princípio de sua relação com eles, e a ajuda e o poder de seu Espírito permaneciam sempre no meio deles. Se nos perguntassem quais são os recursos que ainda estão a disposição dos crentes hoje em dia podemos responder que sempre temos a palavra de Deus que permanece “desde o princípio”como nos lembra o apóstolo João em suas epístolas.
Por outro lado, temos o Espírito Santo que foi enviado no dia de Pentecostes, e que permanece sempre nos cristãos. Se não for entristecido, seu poder esta sempre a nossa disposição.Assim tão pouco temos de temer nossos inimigos, ainda que sejam numerosos e se as dificuldades estejam sempre presentes.
No que concerne ao futuro, também havia uma palavra de alento, mesmo que havia sido anunciado um tempo de juízo.A terra sobre a qual vive o homem,assim como os céus que a envolvem tremeram, como também as nações que povoam a terra.
Sua própria instabilidade, e a de tudo que os rodeia era motivo de temor para os judeus desse tempo.
E isso nos diz respeito diretamente pois, ao final do capítulo 12 de Hebreus, estas palavras de Ageu: “Ainda uma vez”, são citadas fazendo referência ao final dos tempos e a uma destruição definitiva de todas as coisas “moveis”.
E quando esta grande tribulação tiver lugar, “virá o Desejado de todas as nações”(Ageu 2:7), e a casa de Deus será cheia de glória. Não se pode dizer que Cristo seja pessoalmente “o Desejado de todas as nações”, visto que, quando vier em glória todo olho verá... e todas as tribos da terra se lamentaram por ele (Apoc.1:7). Entretanto, as nações sempre desejaram a paz, abundância, prosperidade, tranqüilidade e uma estabilidade como profetizou Isaías 32:15-18. Estas coisas tão desejáveis se realizarão pelo bem dos homens, somente quando o Senhor Jesus voltar. Por isso pensamos que essa palavra profética se aplica bem a vinda de Cristo.
Quando Ele vier trará essas bênçãos aos homens e a glória a “casa de Deus”.
Lemos no versículo 9, “A glória futura dessa casa será maior que a primeira”. A casa de Deus em Jerusalém considerada como se sempre fosse a mesma, ainda que haja sido destruída e reconstruída várias vezes. Por tanto, a glória desta casa em sua última forma será mais radiante que a da casa que Salomão havia construído, quando uma glória visível a enchia, de tal maneira que os sacerdotes não podiam entrar. Ezequiel contemplou esta glória final em uma visão (cap.43). Podemos agradecer a Deus que o mesmo acontecerá com respeito a igreja. Seu estado final, quando for revestida com a glória de Cristo, sobrepujará a tudo o que a caracterizou no princípio.
Ageu apresenta outro motivo de ânimo: “Darei paz neste lugar, disse o Senhor dos Exércitos”(2:9).
Podemos dizer que nenhuma cidade tem tido uma história tão tempestuosa nem há conhecido tantos assédios como Jerusalém. Ainda hoje, Jerusalém segue sendo a causa de conflitos entre as nações, e é justamente o que acontecerá no futuro, como declara Zacarias 14:2. Entretanto, ela será o lugar onde, afinal de contas, habitará a paz.
Por tanto, notemos cuidadosamente que esta benção, glória e paz que devem seguir na grande tribulação aqui profetizada, não serão o resultado de um esforço humano, nem o fruto da fidelidade humana Deus mesmo declara que será o fruto de Sua soberana bondade. O remanescente que voltou de Jerusalém havia prestado atenção na reprovação e na exortação, e havia tomado a direção correta. Que melhor alento poderiam ter recebido que ouvir Deus dizer o que pensava fazer no final.
Todo mundo sabe que se colocarmos uma maçã podre entre maçãs boas logo todas estarão também podres, mas todo mundo também sabe que se pusermos uma maçã boa entre as podres as podres não voltaram a serem boas outra vez. No serviço do templo este princípio devia ser respeitado,e como em todas as práticas exteriores prescritas pela lei, aqui temos um ensinamento moral e espiritual.
Prestemos bem atenção pois sempre estamos expostos a todo o tipo de contaminação, seja interna ou externa, ou seja da nossa carne ou do mundo.
A aplicação que Ageu devia de fazer desses princípios tinha o objetivo de esquadrinhar e humilhar o coração do povo. Por ter participado ativamente no trabalho de reconstrução da casa de Deus, poderia haver uma tendência de satisfazer a si mesmo, como se tivesse sido tudo perfeitamente. O profeta lhes disse claramente que não era assim, se não que sua melhor obra estava manchada de imperfeições e impurezas. Que lição humilhante para eles e para cada um de nós também. Se hoje fosse concedido, por graça, aos crentes algum pequeno despertar, prontamente a carne estaria preparada para introduzir impurezas com toda habilidade a ser estendidas para todas as maçãs boas, mas ninguém aceitaria também que uma maçã boa tornaria todas as podres em boas. No serviço do Templo, este princípio deveria ser respeitado, e como em todas as práticas exteriores dadas na lei, aqui temos um ensinamento moral e espiritual para nós.
Fixemos bem nossa atenção nela, pois sempre estamos expostos a todo tipo de contaminação, seja interna ou externa ou dentro de nós ou no mundo.
A aplicação que Ageu deveria fazer destes princípios tinha por objetivo esquadrinhar e humilhar o coração do povo. Ao haver participado ativamente no trabalho de reconstrução da casa de Deus, poderia Ter havido uma tendência de satisfazer-se de si mesmo, como se tivesse cumprido a obra perfeitamente. O Profeta lhe diz claramente que não era assim, mas que a sua melhor obra estava manchada com imperfeição e impureza. Lição humilhante para eles, e para nós também.
Se hoje se concedesse, por graça, aos crentes um pequeno despertar a carne estaria pronta com suas impurezas para introduzir-se com toda habilidade. Corremos o risco de nos tornar como os cristãos de Gálatas que começaram no Espírito e continuaram na carne Gal. 3:3.
Mas, havendo-lhes advertido quanto a imperfeição que manchava sua obra, o profeta logo lhes assegura que, apesar de tudo, a benção de Deus repousa sobre eles. Em contraste com os tempos de escassez, e de tudo que passavam se descuidaram da casa de Deus e se aplicaram a embelezar suas próprias casas. Ocorre o mesmo hoje em dia , existe debilidade e impureza em todos os nossos serviços, mas apesar disso, se o coração é sincero podemos contar com as bênçãos espirituais de Deus.
A freqüência da palavra “meditar”nessa curta profecia, é digna de nossa atenção. Por duas vezes no capítulo um versos cinco e sete o profeta diz ao povo meditar sobre seus caminhos. E no capitulo dois versos quinze e dezoito é encontrada por três vezes mas agora dizendo para que considerassem os caminhos de Deus. Deus se agrada em encontrar, ainda que seja, uma pequena medida de energia e de fidelidade para Sua obra, por mais que exista debilidade e impurezas, ainda assim haverá bênçãos.
Mesmo no meio de nossa debilidade atual, conscientes de nossas faltas, podemos encontrar aqui ainda muito alimento.
Tivemos então uma palavra de reprovação,uma de alento, uma de advertência e agora encontramos uma palavra de exaltação. Essa palavra foi dirigida, pessoalmente a Zorobabel, que era um príncipe da linhagem de Davi ( ver Mat. 1:12). O último versículo do capítulo se aplica, sem nenhuma dúvida, de certa forma ao próprio. Os reinos seriam derribados, como foi dito em Daniel onze, mas ele seria como um selo pelo qual Deus estabeleceria seus decretos. Como foi cumprido por meio de Zorobabel não sabemos, mas cremos que o Espírito de Deus tinha previsto não uma exaltação deste homem, mas a exaltação d’Aquele de quem era uma figura, ou seja, nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim, parece que temos aqui, no Velho Testamento, uma expressão, pela primeira vez, que se refere ao nosso Senhor como a que temos no Novo Testamento que diz: “Porque todas quantas promessas de Deus são nele sim e nele Amém, para glória de Deus por nós” (1ª Cor. 1:20). Cristo é aquele que não só revelará todos os desígnios de Deus como serão expressos em suas promessas como também os cumprirá plena e perfeitamente para que o Amém final possa ser pronunciado. O apóstolo Paulo acrescenta as palavras: “por nós”porque tinha em vista o que Deus havia prometido aos crentes na atual dispensação.
A mensagem de Ageu termina com uma profecia de exaltação futura daquele a quem adoramos como nosso Salvador e Senhor. Faz de uma maneira típica e simbólica, muitos séculos antes da primeira vinda do Senhor em humilhação. Esperamos o cumprimento, de uma forma muito mais gloriosa que a que Ageu pode conhecer quando vier em Sua segunda vinda e aparecer com toda Sua glória.
Cinco Viuvas. by Clarence Lunden
CINCO VIÚVAS
Para ser sempre abençoado em contínua felicidade, devemos ter a capacidade para apreciar valores eternos e reais. O homem recebe o novo nascimento através da crença na incorruptível Palavra de Deus. (1º Pedro 1:23).
É de suma importância que descubramos aquele grande coração de amor expresso tão ricamente na cruz de Jesus e que será visto por toda eternidade em suas várias ramificações. Toda necessidade do homem é provida pela graça encontrada em Jesus, se houver fé em sua pessoa. Desta forma então o Reino de Deus é entendido, pois a alma não tem outro recurso, a não ser se reconhecer pobre e miserável.
Existem cinco viúvas descritas no evangelho de Lucas e no relato dessas viúvas nós vemos ilustrada a divina capacidade que marca todos os filhos sábios. A expressão “viúva” significa “silenciosa”ou “despojada”. “O Senhor arrancará a casa dos soberbos mas estabelecerá o termo da viúva”.(Prov.15:25)
1- A viúva Ana não se afastava do templo.(Lucas 2:36-38)
2- A viúva de Sarepta era uma companhia para o homem de Deus rejeitado.(Lucas 4:24-26)
3- A viúva de Naim, deixou suas esperanças naturais no lugar de morte, e encontrou novas esperanças na ressurreição da vida ( Lucas 7:11-15).
4- A viúva da cidade, tinha um adversário, mas encontrou o verdadeiro Protetor que nunca a deixaria (Lucas 18:1-8).
5- Certa viúva pobre descobriu que Cristo era tudo para ela, e não precisava mais daquelas duas moedas ( Lucas 21:2-4).
O evangelho de Lucas tem o caráter moral tratando da relação vital entre o homem e Deus, e isso é muito apropriado para o assunto em questão. E é muito interessante, não surpresa, que todas as cinco viúvas do Novo Testamento estão em uma progressão do estado da alma. Das nove viúvas relatadas nas escrituras, cinco são encontradas no Novo Testamento. Uma delas é descrita em detalhes no Velho Testamento.
Ana
O significado desse nome é “graça”. A graça vai além da misericórdia. Através da graça temos relacionamento com Ele, segundo os pensamentos de Deus, para que Deus seja conhecido de um modo que Ele jamais fora conhecido antes. A misericórdia supre onde há necessidade; a graça abençoa além de qualquer necessidade. (Lucas 2:36-38)
O olho soberano de Deus marcou essa viúva, com respaldo familiar de fé, para ser abençoada. Sua história nos dá evidências que ela sentiu o que era o “vazio” perdendo as coisas naturais e como resultado ela encontrou algo melhor e duradouro. (Lucas 2:37)
Para Ana, o “centro” ou o lugar de encontro com Deus significava Sua presença. Nada mais importava. Quão ricamente ela fora instruída sobre Deus. E ter sido separada para Deus somente, em cuja presença há sempre gozo, não poderia ser considerado perda. Desse estado de alma se levanta o caráter de um peregrino. Esse simples desejo e muito mais caracterizava Ana.
Simplicidade nos leva à presença de Deus e será que Ana fora instruída, anos atrás, sobre a profecia de Jacó, a respeito de sua tribo?(Gen.49:20).
Essa santa, já de idade, era muito feliz, esse era o significado da palavra “Aser”. É possível que os antepassados de Ana foram trazidos para a terra durante o tempo de Esdra ( .....).
Ela dava valor estar no lugar que Deus queria, o centro divino, e permanecia no templo, expressando os sentimentos do remanescente que valorizava o verdadeiro testemunho de Deus, mesmo em tempo de grande ruína. Ela esperou, não se afastando do centro divino. Ela sabia, pela fé, que lá, e somente lá, ela seria abençoada. Deus se agrada da atitude de esperar. Às vezes o esplendor das formas aparentes do Reino de Deus nos envolvem a ponto de podermos esquecer o que adorna a parte interna do santuário- o Espírito realça o exercício, gozo e a expectativa. Quanto podemos aprender no santuário? O padrão é aquele do Exôdo 30:13, “ a metade de um ciclo é a oferta do Senhor”, isso era o preço requerido para a redenção para a aceitação das pessoas.
Foi no santuário que Elias, quando desencorajado, houviu uma voz mansa e delicada vinda a ele para arrependimento. Quando o rei Davi invejou o ímpio em sua prosperidade o santuário de Deus mostrou o fim dele ( Salmo 73:17). Só podemos, corretamente, estimar nossa verdadeira posição diante de Deus, no santuário, usando os padrões e medidas divinas.
Ana descansa no santuário e encontra a sí mesma no meio de um tráfego celestial. Que rara honra isso prova ser!
Graça preciosa que em qualquer caminho nos ensina nossas necessidades. Assim como o mundo despreocupadamente passa insensível sob elas a soberana bondade de Deus separa “viúvas” para serem abençoadas, aquelas que não acham segurança a não ser no santuário ( Lucas 2 : 37).
Nós podemos ver o serviço fluindo dessa devotada cerva, e como tal, sendo um serviço verdadeiro deve ter origem no santuário. “É dito de seu “serviço “ dia e noite”.
Somente aquele que lê os corações pode corretamente estimar o serviço. É necessário esperar até o dia do grande tribunal quando todas as nossas obras passarão por uma revisão para determinar o que agrada a Deus ? Aqui nesta ilustração aprendemos um pouco sobre a mente d’Ele .
Jejum sugere uma conduta que poderia mostrar alguém que tenha sido grandemente abençoado como tendo sido favorecido por tomar parte do remanescente que Deus possuia quando a nação de Israel voltou-se contra Ele.
Não pode existir jejum verdadeiro sem oração, porque tudo deve ser feito em dependência. O jejum espiritual conciste em negarmos a nós mesmos, de forma que, mesmo o bem em si mesmo é o que deveria ser recebido com ações de graças e não seja o meio pelo qual entremos no caminho de rejeição.
Lucas (2:38)
A entrada do Senhor Jesus, ainda criança, no templo corou a sua vigília. Estar onde deveríamos estar em todo o tempo é algo a ser desejado. Imagine se ela perdesse esse encontro?
Agora Ana se tornou como um tema para o remanescente de seus dias. Ela se mostrou bem consciente da expressão “excelência da terra”.
O serviço naturalmente segue a devoção e dependência, o não apartar-se do templo, que significava para Ana estar na presença do Senhor, era a sua tarefa que impunha a si mesma.
Como esse exemplo de afeição e devoção às coisas celestiais deveriam estar continuamente diante de nós até que nossos olhos vissem a mais bonita visão que alguém possa ver a face de Jesus Cristo.
Ao falar d’Ele ela falou “a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”. A luz estava agora brilhando através de um prisma, uma pedra polida e preparada somente para isso. Essa preciosa lição de Anna nos deixa uma doce e feliz tarefa expressa tão bem no Salmo 27:4.
“Uma mulher Viúva”Lucas(4:25-26)
O título acima introduz benção para os gentios, enquanto Israel rejeita o messias com as palavras: “não é este filho de José?” Jesus deve de ir a outro país para ser aceito.
Essa narrativa de 1ª Reis 17 introduz o Senhor Jesus após Ele ser rejeitado, mostra que o profeta Elias encontrou uma companhia que o sustentou em sua isolação enquanto Israel passava pela fome.
O Senhor Jesus relata que seus sentimentos eram parecidos com o do profeta.
Quando o Senhor Jesus veio para a terra, Ele esvaziou-se a si mesmo de sua glória. A expressão “viúva”sugere que ela foi “esvaziada”. Vivendo numa casa com um quarto elevado indicava que ela teve dias melhores, pois só os mais prósperos poderiam ter isso. Ela havia perdido seu marido, sendo reduzida a ter apenas um punhado de farinha e um pouco de azeite, com dois gravetos para fazer fogo, ela estava a ponto de fazer um último bolo para ela e seu filho e depois morrer. Elias foi enviado para ser sustentado por essa viúva, e por ter obedecido suas instruções “ela, o profeta e sua casa tiveram mantimento por muitos dias”.
O Senhor Jesus Cristo voluntariamente se colocou numa posição de necessidade para vir ao lugar de sua criatura, como figurado por Elias nessa história. Era seu propósito ter seu coração gratificado pela resposta daquele pelo qual Ele veio ter como companhia para compartilhar com Ele tão imensa benção que Ele como homem estava a ponto de encarar o reino de Deus.
A viúva de Sidon sugere a chamada dos gentios,um povo para o nome do Senhor Jesus.
Ela tipifica aquela que será sua eterna companhia ou companheira, porque Jesus foi feito “homem”a referência em Genesis 2:18 é explicativa.
O Senhor Jesus durante Sua rejeição no mundo, não apenas encontra uma pérola de grande valor, mas se oferece a Si mesmo a Deus como um sacrifício para que cumpra todas as demandas de Deus contra aquele a quem Ele se refere como Seu tesouro. (Matheus 13:44)
Ele compra aquele campo por causa do tesouro que Ele encontra ali.
Nisso, o dia de benção para os gentios, que resposta existe de meu coração para com o Homem Celestial que deseja minha companhia?
Para aquele que não conhece o Salvador, Ele diz “Eis que estou à porta e bato se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” (Apoc.3:20)
Tendo ascendido às alturas, o Senhor Jesus encontra seu deleite e tem seu coração gratificado no meio daqueles que estão realmente reunidos para o seu nome e que apreciam Sua Palavra. Isso o agrada, ter-nos dado total atenção a ele, separados desse mundo mal e com vestes sem manchas.
Nossa resposta para aquele amor tão profundo mostrado na cruz, deveria ser o de procurar sua companhia enquanto Ele aguarda o tempo determinado pelo Pai para que Ele tome o que é Seu por direito, “ sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu por cabeça da igreja. A qual é o seu corpo, a plenitude d’aquele que cumpre tudo em todos”(Efé. 1:22-23).
Tendo sido levado para preparar-nos lugar, o Senhor Jesus está agora preparando nossos corações para aquele lugar, nos ocupando com o puro objeto, Ele mesmo, para que possamos ser santos em nosso andar. Logo Ele virá para nos buscar para levar-nos aquele lugar o qual Ele tem preparado onde nós viveremos para sempre com Ele. (1º Tess.5:10)
Possamos nós, como “a mulher viúva” encontrar nosso companheiro, gozo e provisão no “homem de Deus”, Jesus, enquanto passamos por esse mundo que é tão estranho para o povo celestial.
Essa meditação nos leva um pouco além de nossos pensamentos sobre Ana. Ana não deixou o lugar apontado até que o Senhor viesse, ela estava feliz com sua esperança que foi realizada, ela serviu a Deus noite e dia com jejuns e orações, e falava d’Ele para o remanescente de fé com um testemunho positivo. Essa Segunda viúva se tornou uma companhia para o homem de Deus nos dias de Sua rejeição e isolamento.
Naim
Aqui somos levados a uma verdade mais profunda a medida que somos introduzidos à terceira viúva de Lucas. ( Lucas 7:11-15)
Nas escrituras a expressão “filho” geralmente trás o pensamento de esperanças – Cristo a esperança de Israel, o filho de Abraão, o filho de Rute que fora nora de Noemi, e muitos outros.
No final das contas, morte havia caído sobre a esperança dessa necessitada viúva. Tendo sido dependente de seu filho, todos os recursos e suporte desaparecem. Quão incrédulo é o homem.
Nós nunca nos dirigimos a Deus, a não ser, que dirigidos sejamos.
Mesmo que não façamos isso, foi Deus que permitiu esse infortúnio em sua vida. Por duas vezes nesses versículos nos é dito que “muitos”ou “grande multidão”, mas no dia seguinte ao funeral, aonde eles estariam? Nenhum ficaria para dar um suporte ao necessitado, solitário e abandonado. Muitos ou uma grande multidão não poderiam dar o conforto de Deus. Somente Deus poderia suprir o coração de um homem ansioso por descanso da alma nas turbulentas vicitudes desta vida. A morte deu um fim a tudo mas Jesus está sempre presente onde há necessidades.
( Lucas 7:13)
Pouco sabia essa viúva que havia um olho que via tudo e se importava, alguém que era capaz de tomar o lugar do marido, do filho ou do irmão. “Há amigo mais chegado do que um irmão”
( Prov. 18:24)
Quando ela passava pelo portão da cidade, ela virou-se para ver Jesus ao seu lado. Não há nada que possamos perceber ou que indicasse que ela já tivesse visto Ele antes, ou sentido o conforto de Sua presença ou a demonstração de Seu poder.
Quanto uma alma pode aprender em poucos minutos sobre Deus através de Jesus? Não foi assim com o ladrão na cruz com Jesus, quando ele ouviu e creu nas palavras: “Pai perdoa-os pois não sabem o que fazem”.
Ele imediatamente passou das portas do inferno para o paraíso de Deus.
Nessas horas de profundas tristezas e repreensões, uma pobre alma, no mais profundo desespero encontra esperança na ressurreição da vida.
Assim são os caminhos de nosso Deus sempre fiel como Deus criador ( I Ped. 4:19)
Você nunca poderá dizer que nunca teve uma oportunidade de ser abençoado. Ele está agora mesmo à porta. Ela aprendeu compaixão, conforto e amor como verdade vital.
Lucas 7: 13
Quem era Esse que podia falar com tal compaixão? Querido amigo, voce nunca ouviu a voz do Filho de Deus, aquele que a Seu tempo enxugará todas as lágrimas?
Não será bom ouvir essas palavras de compaixão agora antes que as lágrimas eternas comecem?
Ele pode transformar aquela noite de lágrimas em um dia eterno agora mesmo. Mas se Ele vier será muito tarde. (João 5:24, I Jo 1:7)
Quanto se passa em nossas vidas até que sejamos trazidos à consciência de nossa necessidade pessoal. É isso que nos introduz a Cristo, assim como aconteceu com essa viúva. Aqui se encontra um homem, o Filho do Homem, com o coração batendo, para assumir todas as responsabilidades dessa destituída viúva. Ali se encontra ela, uma criatura sem esperança na presença de seu criador que tinha se tornado um homem, não para julgar, pois ele não havia vindo para isso, abençoado salvador, mas para enxugar suas lágrimas e colocar todas as suas esperanças na ressurreição da vida.
O amor perfeito atua sem nenhum pensamento em receber algo, novo para o homem. Ela não tinha a capacidade de aceitá-lo. Até mesmo essa capacidade tinha de ser provida, pois a criatura não tinha nenhum bem nela mesma. Essa capacidade chama-se novo nascimento.
Aqui nós encontramos o próprio Deus da esperança, o qual cujo próprio Deus da esperança, o qual cujo próprio coração é a origem e a completa eficácia do amor, compaixão, conforto, descanso e esperança.
Ele fica ao lado do túmulo de Sua criatura com o poder de ressurreição à Sua mão.
Ele está a ponto de desfazer as obras de Satanás.
Uma vez Ele disse para Maria, “Eu sou a ressurreição e a vida”. Ele tocou no túmulo!
Um israelita seria considerado imundo, não Jesus.
Ele anulou o poder da morte. Que graça é conhecê-lo. Apenas uma palavra vinda de Seus lábios e a morte fugirão.
(Lucas 7:14-15)
Foi uma visita maravilhosa do Deus dos céus naquele dia, na pessoa de Seu Filho, onde toda a esperança havia desaparecido.
Sua alma bebeu da benção, vida em ressureição. Nenhuma palavra foi ouvida da viúva, primeiramente vencida pela amargura e a aflição, mas agora vencida pelo gozo e gozo eterno.
Quem pode medir as profundezas do amor e de graça que agiu restaurando o filho dessa mulher, não recebendo nada em troca outra vez? Aqui é a perfeita bondade encontrada novamente em Deus. Essa é a maneira que Deus deseja ser conhecido.
Aprendendo então o princípio das coisas celestiais, vida e ressurreição, a alma é liberta, tendo sua esperança fora da cena da morte.
A viúva da cidade
A quarta viúva tinha um adversário.
Somente alguém que tem vida em ressurreição pode apreciar isso. O adversário com o qual o homem celestial tem de contender está vivendo nas regiões celestiais ( Ef. 6:12, Apoc. 12:7-8). Se nossa vida está lá, o inimigo procurará roubar-nos do gozo de nossa posição e o que pertence a ela. O cristão necessita de toda a armadura de Deus para enfrentar esse adversário.
( Lucas 18:1-8)
Muitos cristãos se tornam desencorajados quando eles vêem suas vidas em ressurreição, mas são incapazes de desfrutar o gozo dessa nova posição porque o adversário os enfrenta. Eles têm que aprender constância e estabilidade como Ana teve, em andar em companhia e em rejeição como a viúva de Sidom e prezar a esperança como a viúva de Naim, mas eles não descobriram ainda a proteção contra o inimigo e seu poder.
Isso é Deus em Cristo que é tudo para nós.
Sem fé é impossível agradar a Deus. Jesus não é visto com essa viúva. Todas as circunstâncias são contra ela, e só tem a Deus para recorrer com uma confiança como de uma criança.
Segundo o relato ela chamava dia e noite . Seria porque Deus não desejava ouví-la ?
De certo que não, Ele ouve desde a primeira vez, e ama nos ter em sua presença.
No caso diante de nós, a viúva tem um teste real, pois o juiz a quem ela tem de apresentar suas necessidades é injusto e não temia nem a Deus nem aos homens. O que poderia ela fazer em tal dilema?
Ela apresenta sua petição ao juiz injusto, tendo reconhecido o governo de Deus sobre ela, ao qual ela se submeteu. Não é relatado que ela tinha procurado ou se esforçado em procurar ajuda em vez disso simplesmente se submeteu e orou (Prov. 21:1).
Esta viúva, que tinha um adversário, encontra em Cristo seu único protetor. Esta é uma lição difícil de aprendermos. É difícil, de fato, lutarmos contra o que os cinco sentidos sugerem..
Visto que o Grande Pastor nos levará ao céu, Ele não olhará por nós aqui nesse deserto?
Que amparo para aqueles cujo braço é feito de carne!
Nós estamos comprando aquilo que não é pão? Quão grande ênfase é dada hoje sobre o assunto segurança. Pela mesma indicação haveria um dia quando tanta prosperidade e tão pouca procura por Deus – tão pouca confiança?
O versículo que está bem no centro da Bíblia é: “É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem”(Salmo 118:8). “É melhor confiar no Senhor do que confiar nos príncipes”(Salmo 118:9).
Uma Pobre Viúva
(Lucas 21: 2, 3)
O olho de Deus estava sobre esta pobre viúva. Jesus observou o que ela fez. Um movimento em sua direção, de maneira nenhuma passa despercebido. Ele valoriza tudo o que vem do coração, mesmo que seja bem pequeno. Se o motivo é errado, quão bom pode ser o presente?
O homem vem a esse mundo muito dependente. Ele continuamente é dependente, nem poderia ser de outra maneira com qualquer criatura de deus. A mente do homem tem procurado mudar isso e a linhagem de Adão dá todas as indicações disso. O Senhor Jesus, ao contrário, nunca agiu a não ser em dependência, desde o momento em que nasceu nesse mundo até quando deitou Sua abençoada cabeça sobre Seu ombro na morte de cruz.
O filho pródigo tinha que aprender que tinha pecado e que foi destituído. Jó aprendeu que era vil. Isaías descobriu, na presença de Deus, que era um homem de lábios impuros. Para aprender que em minha carne não habita bem algum, e nas palavras do Salmo 16 que diz: “Guarda-me ó Deus, porque em ti confio”, realmente é um pensamento piedoso. Sermos pobres em nós mesmos e colocarmos toda nossa confiança no Salvador é sermos de fato ricos.
Quanto os ricos lançaram na arca do tesouro? Eles deitaram o que lhes sobejavam. Esta pobre viúva deitou todo o sustento que tinha. Está registrado na Palavra de Deus que ela deu mais que todos. Tal é a estima do santuário divino.
Qualquer coisa dada não é um presente a não ser que isso se torne como um sacrifício. Quantas vezes o senso de preservação própria vem em primeiro lugar e priva a alma de apresentar um sacrifício.
Em Lucas 20:45-47 e Lucas 21:1 os corações dos escribas são expostos como aqueles que desejam se mostrar diante dos homens. Isso mostrava o que eles amavam e que desejavam a proeminência, pois usavam vestidos compridos, amavam as saudações nas praças, as principais cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Eles faziam, também, longas orações em público, que deveriam ser feitas em particular. Estes receberão maior condenação.
O mercador de pedras preciosas procura um mostrador que tenha um fundo com veludo preto ou azul para que possa realçar suas pedras preciosas.
Para que possa ser mostrada a pedra preciosa na figura dessa viúva, o Senhor escolhe o fundo mais escuro que existe – um professor religioso que recusa o Cristo de Deus. Isso causará a “pobre viúva”estar aliviada diante da arca do tesouro de Deus.
Os vários prismas estão já conduzindo a luz brilhante através deles, mas se nós andarmos na luz, assim como Ele está na luz, nós temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu filho nos limpa de todo pecado. ( I Jo. 1:7)
O cristão está sempre na luz, isso não pode mudar nunca. Andamos dia a dia seguindo a luz?
Temos lançado tudo o que é nosso na arca do tesouro de Deus, ou ainda nós temos confiança no homem , caso a primeira escolha falhe? Estranho pensar que confiamos em Deus para a eternidade de nossas almas e felicidade eterna, mas não para o dia a dia, que corações falhos o nosso. Se esse é o nosso caso, nós temos que ainda experimentar o gozo dessa “pobre viúva”que deixou todos as suas preocupações com mãos mais fortes que as suas, mãos que estão desejando assumir o lugar de Salvador não só de almas mas também de corpos.
Finalmente o filho pródigo vem por todo o caminho da experiência de volta para casa. Nada agora é deixado mas o que os cervos trazem são a melhor vestimenta, anel, sapatilhas e novilho cevado.
Quanto o coração do Senhor deve estar aflito não encontrando entre os seus mais “pobres viúvas” ( Josué 1:5) “... não te deixarei nem te desampararei”.
Que descoberta saber que Cristo é tudo.
Que Ele possa nos ajudar a lançar tudo na arca do tesouro de Deus e descansar nos seus braços eternos.
Existe uma graça que excede a grandeza de elevação e segurança a qual uma pobre viúva desolada pode encontrar, a medida que ela descansa completamente nos braços do único homem que, tomando corpo humano, morrendo e ressuscitando, pode estar como aquele que faz a ponte entre o espaço que deve separar para sempre a raça de Adão da benção !
Clarence Lundeen
Princípios de Deus sobre o vestir-se.(por D.C. Buchanan)
Princípios de Deus sobre o vestir-se.
“Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais”.
“E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu”. Gen .3:7 e 21.
Os pensamentos e caminhos de Deus estão muito acima de nossas próprias idéias. A primeira coisa que Adão e Eva fizeram após caírem em pecado foi cobrir sua própria e vergonhosa nudez, com folhas de figueira, e se esconder de Deus. As folhas de figueira, todavia, não os cobriram suficientemente, então, eles também se esconderam de Deus. A nudez na inocência não era vergonhosa, mas após haverem praticado pecado, tornou-se vergonhoso andar despido. O desejo de Adão e Eva de estarem cobertos era bom, mas os meios que usaram para fazê-lo não foram adequados. Foi o Senhor Deus, que não somente cobriu a nudez deles, mas que também pela morte de outro (um substituto), fê-los agradáveis à Sua presença, de uma nova maneira, com vestiduras de peles.
Estas peles, não eram os frutos do trabalho de suas próprias mãos, mas foram feitas de algo inteiramente fora de si mesmos; por outro além de si mesmos. Da palavra “vestidos”, não somente aprendemos que a nudez foi completamente coberta, como também eles foram feitos apresentáveis a Deus outra vez, em nova e melhor aparência; numa aparência tão bela e aceitável quanto à da vestimenta em que foram postos. Foi Deus quem lhes deu novas vestes; esta é uma figura do dom de Deus, Seu filho unigênito, para aqueles que o aceitam, e são assim vestidos com a justiça de Deus em Cristo. Quanta beleza e glória Cristo nos dá em grande contraste com aquilo que nossa habilidade pode produzir para esconder nossos pecados e fazer-nos agradáveis a Deus.
Aprendemos, portanto, nestes dois versículos sobre vestiduras, dois grandes princípios quanto ao vestir-se:
Primeiro que as roupas são para cobrir os nossos corpos nus.
Segundo que, as roupas são dadas por Deus para o propósito de exibir algo mais apresentável do que a nossa carne.
Quando nos vestimos de acordo com os preceitos de Deus, cumprimos ambos os princípios. Muitas pessoas hoje, não ultrapassam a primeira intenção do vestir-se, e buscam somente cobrir a sua nudez. Outras se vestem ainda de uma maneira tal, que antes mostram sua nudez; mas estes negam em seu agir, o estado caído do homem, como é mencionado em Romanos 1:25, 26 de alguns.
Leiamos agora I Cor. 11:3, 7-9 para ver a ordem divina de autoridade, para sabermos para quem devemos nos vestir.
“Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo... o varão, pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão. Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão”. A cabeça de Cristo é Deus. Quão perfeitamente o Senhor Jesus mostrou esta sujeição a seu Pai. Suas próprias palavras são: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas à vontade daquele que me enviou” João 6:38 e “Na verdade na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz o Filho o faz igualmente” João 5:19.
Deus agora exaltou a Cristo “acima de todo o principado e poder e potestade e domínio e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” Efé.1:21-23. Adão foi o cabeça da primeira criação, mas caiu em pecado. Cristo, o segundo homem redimiu a todos os que estavam caídos pelo pecado e é agora o cabeça sobre todos.
“Cristo é a cabeça de todo varão”, pois o varão é “a imagem e glória de Deus”.
É próprio do homem, mostrar que Cristo é a cabeça. Os homens devem mostrar a glória de Cristo em seu comportamento e no vestir-se. Cristo é digno de ser representado e glorificado na terra pelo homem, por esta razão os homens oram e profetizam com a cabeça descoberta. Suas cabeças devem ser vistas e predominarem em relação às das mulheres.
Os homens devem ser cuidadosos de não usarem em seu próprio benefício o lugar de predominância que Deus lhes deu. È para glorificar e manifestar o Cristo que lhes foi dado este lugar. Eu creio que o fato de ser a tendência geral dos homens contrária a isto, que provoca entre as mulheres o movimento da liberação feminina. As mulheres vêm os homens recebendo para si, injustamente, muitas vantagens, e sentem-se ultrajadas. A solução, não é dividir igualmente entre homens e mulheres, como tem sido freqüentemente sugerido, mas o homem deve dar a Cristo o Seu lugar retamente, e a mulher também deve dar ao homem o seu justo lugar.
O remédio par isto encontramos em Filipenses 2:5-8: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz”. Ele honrou o Seu Pai, e não buscou a sua própria glória (João 8:49-50).
“O varão é a cabeça da mulher”, pois “a mulher é a glória do varão”. Sujeição ao homem, é o lugar próprio às mulheres, e a sua própria glória deve ser rendida aos homens 1 Cor. 14:34; I Tim. 2:11; Efe. 5:22-24.
Para a mulher, é honrar a Deus vestir-se e agir de tal maneira, demonstrando o seu reconhecimento da autoridade do homem. A tendência no mundo é exatamente oposta; isto é, para as mulheres, vestir e agir de modo a se exibir e atrair a atenção dos homens sobre si. Mas a esposa que obedece a ordem divina traja-se e conduz-se de modo a destacar seu marido como o proeminente entre os dois. O marido por sua vez, deve da mesma maneira glorificar a Cristo que é a cabeça. A mulher que cobre a sua cabeça quando ora ou profetisa mostra que ela é sujeita ao seu marido assim como ele e a igreja são sujeitos a Cristo. A mulher que se recusa a cobrir sua cabeça deve ser privada de sua glória, pois, os seus cabelos longos são a sua glória. A sua glória, pois, não sendo sujeita a ordem de Deus, deve ser-lhe tirada. Desta maneira, a falsa igreja em Apocalipse 17 e 18 será despida de sua glória, por causa de sua insubordinação a Cristo.
Os princípios, contidos nos textos já mencionados, deveriam muito bem, ser suficientes para nos guiar na maneira de nos vestirmos. Mas há ainda outras passagens mais explícitas para nos ajudar tais como 1Tim. 2:8-10: “Quero, pois que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas sem iras nem contendas. Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas como convém a mulher que faz profissão de servir a Deus com boas obras”.
Vemos aqui mais uma vez, Deus quer que o homem seja aquele que age e fala. As mulheres são o inverso disto, e devem mostrar em seu comportamento e no vestir-se, que está rendendo toda suas glória, aos homens. Vestido de cores ou estilo perturbador, ou penteados sofisticados ou jóias custosas e pomposas tendem a fazer notada aquela que as usa. Estas coisas enfraquecem as mãos piedosas erguidas em oração. Mesmo nos homens, estas coisas não retratam propriamente a Cristo, visto que devemos oferecer sacrifícios espirituais a Deus.
Os anjos notam em nós, a ausência dos adornos convenientes (I Cor. 11:10). Não devemos ser um tropeço para nossos irmãos.
Pedro nos diz também, que devemos nos adornar. É certo que não devemos ser descuidados e negligentes quanto ao nosso vestir e nosso comportamento, e o não nos adornar por completo; isto seria uma desonra a Cristo. “Semelhantemente, vós mulheres sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à Palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavras; considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas, não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” 1Ped. 3:1-4. Aqui aprendemos a adornar primeiramente o homem interior; do coração. O aspecto exterior é corruptível e passará, mas o interior é de grande valor à vista de Deus. Quando o coração é correto, a aparência exterior também a será. Veja Lucas 6:45.
Tais ornamentos podem ser usados para ganhar almas a Cristo. Palavras sozinhas podem ser contestadas, mas uma vida piedosa, vivida para Cristo jamais! Nisto, talvez a mulher tenha mais oportunidades de pregar a Cristo do que os homens.
Vejamos agora alguns outros pensamentos no Velho Testamento, lembrando sempre que estes versículos foram leis escritas a Israel, mas nós que estamos sob a graça, podemos obter deles, alguns princípios que nos são muito instrutivos.
“Não te vestirás de diversos estofos de lã e linho juntamente” Deut. 22:11. Deus não tolera misturas, motivos mesclados, ou ainda a tentativa de agradar a carne e a Deus. A lã e o linho têm origens diferentes. A lã vem de animais e o linho de plantas. Tanto uma como a outra era permitida para um israelita, pois a carne (o Homem) ainda estava sendo provada por Deus. Mas agora já não mais está sendo provada. Devemos só usar roupas que agradem ao Senhor, e nem ao menos uma, que tenha misturada em si, a vontade da carnal.
No versículo cinco do mesmo capítulo de Deuteronômio, encontramos outra distinção importante nas vestimentas; a mulher não devia usar roupas de homem, nem o homem vestir as de mulheres. Já há muito tempo, o mundo tem se esforçado grandemente para exterminar esta diferença exterior entre os sexos. Isto não vem de Deus, pois Ele mesmo faz diferença. Em I Timóteo 2:12-14 lemos: “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio, porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher sendo enganada, caiu em transgressão”.
Quando as mulheres agem em insubordinação à ordem de Deus, usurpando a autoridade do homem, elas estão moralmente usando aquilo que pertence aos homens. Muito freqüentemente, suas maneiras de vestir, mostram que elas gostariam de ser consideradas iguais aos homens. A situação inversa também acontece com os homens; eles se vestem, muitas vezes, com roupas de mulheres, fazem das mulheres assim, um objeto de seus olhos e corações lascivos ao invés de reconhecer a Cristo, sua cabeça, o único que pode Ele só, encher e satisfazer plenamente os corações. Mas os homens ainda querem o seu lugar de autoridade. Eles não querem ser privados de suas vestes, mas como por conveniência, põem roupas de mulheres (moralmente) e se sujeitam ás mulheres quando suas almas lascivas assim o desejam. Deste modo, buscam ocupar tanto o lugar de homens, como de mulheres. Mas Deus nos diz em sua palavra, que o homem não deve nem ao menos vestir uma roupa de mulher Deut. 22:5.
Para esclarecer este assunto, temos bons versículos no livro de Números: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes que nas bordas de seus vestidos façam franjas pelas suas gerações; e nas franjas das bordas porão um cordão azul. E nas franjas estarão para vos lembrar de todos os mandamentos do Senhor, e os façais; e não seguireis após o vosso coração, nem após os vossos olhos, após os quais andais adulterando; para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os façais e santos sejam a vosso Deus” Num. 15:38-40. Este cordão azul devia ser visto nas bordas de seus vestidos. Azul é a cor celestial, e nós somos um povo celestial. Não devemos “pensar nas coisas terrenas”, pois “a nossa cidade está nos céus, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” Fil.3:19-21. Não deve haver em nossas roupas um corte tal que nos exponha e venha a atrair os olhos e corações dos que nos vêem. Pelo contrario, as pessoas devem ver, pela maneira que nos vestimos, pelo corte ou modelo de nossas roupas, que somos homens e mulheres celestiais. Isto é especialmente importante para os jovens quando se encontram para recreação ou comunhão. A cobiça da carne predomina mais intensamente durante os anos da adolescência.
Em Lucas 8:43-48, o Senhor nos deu um lindo exemplo de ter o cordão azul nas bordas de seus vestidos: “E uma mulher que tinha um fluxo de sangue... chegando por detrás dele tocou na orla de seu vestido, logo estancou o fluxo de sangue...”. um pequeno toque de fé na Pessoa celestial do Senhor Jesus Cristo, curou o fluxo de sangue da mulher; cura que nenhum outro podia lhe administrar. Os resultados do pecado em seu corpo não podiam ser estancados por ninguém além do Filho do Homem, e tampouco nós podemos ser curados, a não ser pela própria pessoa de Cristo. A orla dos vestidos de Cristo não provocou a carne do homem, antes a curou.
Tal como Eva, que tentou esconder a sua condição de pecadora com folhas de figueira e entre as arvores do jardim, esta mulher tentou esconder-se entre a multidão, mas ainda assim recebendo os benefícios da cura. Mas Cristo soube que de Si havia saído virtude. Ela não podia receber a cura e esconder os segredos da sua condição. Aquele que podia curar, necessariamente conhecia o seu problema. Eva teve que ser levada a entender isto, e após haver confessado tudo, o Senhor deu-lhe paz.
Assim, o Senhor Jesus mostrou perfeitamente, como fazer cessar as manifestações do pecado que emergem do coração do homem. Pelo nosso vestir e pela nossa conduta devemos mostrar que Jesus, o Homem celestial curou-nos também de nossos pecados. Fossemos nós mais como Cristo, e nunca seria as nossas vestes e conduta um motivo de provocação à carne nas pessoas. Mas também devemos evitar o outro extremo, como os fariseus que alargavam “as franjas de seus vestidos... a fim de serem vistos pelos homens” Mateus 23:5. Isto era mais para mostrar aparência de piedade e foi além do que Moisés havia ordenado. Não lhes foi dito para que fizessem largas franjas, mas que fizessem as suas orlas com cordões azuis. O seu extremismo apenas manifestou sua ignorância no assunto. Vemos também nisto, que eles mudaram a finalidade proposta por Deus de exibir a glória celestial, para um motivo terreno; para a sua própria satisfação.
Possamos nós, tomarmos o Cristo como exemplo, e que estas coisas sejam uma realidade prática em nossas vidas.
Escrito por Douglas C. Buchanan
Traduzido por Flávio C. Kiehl
O livro de Rute
O Livro de Rute
Introdução
O livro de Rute nos dá um encanto particular, de modo que este breve relato exerce uma grande atração até no mais indiferente leitor.
Trata-se de uma história de amor, na qual se mistura tristeza e alegria, faltas e consagração, vida e morte, cujo fim é a chegada do dia das bodas e do nascimento do herdeiro.
O cenário dá descanso ao espírito ao transportar-nos as regiões campestres em companhia dos segadores de espigas.
Entretanto para o cristão que lê essas páginas sagradas, tendo a Cristo como meta, o livro de Rute apresenta algo mais profundo que adquire um significado mais rico, porque discerne nas Escrituras “... o que dele se achava em todas as Escrituras”( Lucas 24:27).
Do ponto de vista histórico, este livro nos apresenta importantes fatos da genealogia humana do Senhor Jesus.
Termina com uma breve lista de dez nomes, sendo o último o do Rei Davi. No primeiro capítulo do Novo Testamento esses dez nomes ocupam um lugar de honra na descendência do Rei dos reis, mas com a diferença de que o Espírito de Deus os associa a quatro nomes de mulheres, das quais uma delas é Rute a moabita. Chama a atenção o fato de que cada uma das mulheres está ligada a episódios caracterizados por pecado e infâmia, fazendo ressaltar que “onde abundou o pecado, superabundou a graça”( Rom. 5:20).
Portanto, o livro de Rute é um testemunho da graça de Deus que, treze séculos antes da vinda do Rei, assegurava a linha pela qual deveria ter sua descendência triunfando sobre todos os desacertos e fracassos do povo e engrandecendo-se ao introduzir uma estrangeira – moabita – nessa genealogia do Rei.
O povo de Deus se encontrava em um período de ruína e debilidade, entretanto, é evidente que Deus não se deixava deter por esse estado e prosseguia em seus caminhos, levando a cabo seus propósitos para estabelecer seu Rei. Além disso, Deus se serviu das circunstâncias do momento e da ruína do povo para levar a cabo o que havia determinado fazer. Quem poderia pensar que um tempo de fome em Belém poderia ter relação com o nascimento do Rei nessa mesma cidade treze séculos mais tarde? Entretanto, foi assim, onde a fome foi apenas um elo na cadeia de circunstâncias que introduziram a Rute , a moabita na descendência do Rei.
Para nós que vivemos em dias que o povo de Deus se caracteriza por ruína e debilidade ainda mais acentuadas, encontramos consolo para nossos corações e descanso para nosso espírito. E ao nos tornarmos conscientes de que mais além dos fracassos do homem, através dos tempos, Deus leva sempre a cabo o cumprimento de seus desígnios em Cristo, para glória de Cristo e a benção de seu povo, seja esse terreno ou celestial. Apesar do poder do inimigo, da oposição do mundo, dos fracassos de seu povo nada pode impedir que Deus leve seus conselhos de bênçãos a sua gloriosa realização. Da mesma maneira que na história de Rute, tudo concorre no dia das bodas, assim também para Israel tudo concorre para o estabelecimento de sua relação com Cristo, e para o grande dia das bodas do Cordeiro. Do ponto de vista tipológico, o livro de Rute mostra que os cumprimentos de todas as promessas de Deus relativos a Israel se fundamentam em sua graça soberana já que a nação perdeu todo direito as bênçãos sobre a base de sua própria responsabilidade. O livro de Rute também mostra um grande contraste com o livro que o precede. O livro de Juízes revela a decadência do homem sempre cada vez maior apesar da intervenção e ajuda divina, e termina com as cenas mais sombrias de trevas e degradação moral. O livro de Rute trata da atividade da graça de Deus apesar da ruína do homem e termina com uma cena de gozo e benção.
Além de seu alcance histórico e figurativo, este livro é também rico em instruções morais e espirituais. Aprendemos algo dos caminhos fiéis e misericordiosos de Deus para conosco em nossa vida pessoal, para tirar-nos de nossas trevas naturais e transportar-nos à luz de seu propósito em Cristo ou para restaurar-nos em seus caminhos de graça quando nos desviamos d’Ele.
Desejamos meditar neste comovedor relato principalmente sob o aspecto de seus : ensinamentos morais.
Capítulo um - Rute a estrangeira
Salmo 146: 8:9 “O Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos; o Senhor guarda os estrangeiros; sustém o orfão e a viúva”.
O primeiro versículo de Rute situa os acontecimentos deste livro “... nos dias em que os juízes julgavam.” No último versículo do livro anterior nos mostra que a época dos juízes se caracterizava por duas coisas: primeiro: “nesses dias não havia rei em Israel”, segundo: “... cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos”. Juízes 21: 25
Com efeito, é muito delicada a condição de um país no qual cada um faz o que bem lhe parece, de maneira que não se faz nada de bom. Seu fim é o predomínio da vontade própria, que despreza todo limite e tolera todo desenfreio. Tal era a condição na qual havia chegado o povo de Deus durante o tempo dos juízes.
Desgraçadamente, por muitos aspectos, esta triste situação se encontra no mundo de hoje e na cristandade professa. Os mesmos princípios estão em vigor, produzindo os mesmos resultados. A vontade própria do homem, que considera insuportável toda obrigação despreza cada vez mais qualquer forma de autoridade. Como resultado o conjunto do sistema mundial está cada vez mais desmoralizado e caindo rapidamente no caos.
Mas, ainda mais grave, é o fato de que esses mesmos princípios que semeiam a confusão no mundo atuam entre o povo de Deus com os mesmos resultados desastrosos. Por isso vemos esse povo dividido, dispersado sem que se detenha o processo de desintegração. O exercício da vontade própria exclui a autoridade do Senhor e despreza a função diretora do “cabeça”. Como o mundo, a grande massa de cristãos faz o que lhe parece bem.
Esses princípios já estavam em ação durante os tempos do apóstolo Paulo, já que ele teve de advertir os cristãos a não deixarem de estar ligados ao “Cabeça” (Col. 2:19) , e comprovar com dor que “todos buscam o que é seu, não o que é de Cristo Jesus”(Fil. 2:21).
Desde o momento que deixamos de buscar todos os nossos recursos em Cristo, o Cabeça exaltado da Igreja, a qual é o Seu Corpo, e desde que não atuemos debaixo da direção do Senhor e do controle do Espírito Santo, passamos a fazer o que nos parece bem a nós mesmos.
Pode ser até que não façamos nada de mal, do ponto de vista moral aos olhos do mundo, e até podemos ser ativos em boas obras e perfeitamente sinceros, mas em nossas atividades os direitos do Senhor e a direção do “Cabeça” são ignorados e simplesmente nossa vontade própria é a que atua e faz o que melhor nos parece .
A triste conseqüência do miserável estado de Israel se acha descrita no primeiro versículo do nosso capítulo : “Houve fome na terra”. O país em que deveria haver abundância por excelência, “terra que mana leite e mel” (Deut. 6:3) não havia o suficiente para responder as necessidades do povo de Deus.
Desgraçadamente, os mesmos males produziram conseqüências similares na cristandade. Ao não estar firme no “cabeça”, e ao não dar ao Senhor o lugar de autoridade que lhe é devido os cristãos fizeram o que melhor lhes parecia e formaram inumeráveis seitas nas quais o povo de Deus está sofrendo pela falta de alimento espiritual. A casa de deus que deveria ser um lugar de abundância chegou a ser, nas mãos dos homens, um lugar de fome.
1- A prova pela fome.
Do ponto de vista individual, um período de fome é um período de prova para o cristão. A fome é uma prova para nossa fé. Elimeleque habitava no país que Deus havia dado a Israel.
Ali se encontrava o tabernáculo, os sacerdotes e o altar, mas nos caminhos governamentais de Deus a fome também se encontrava lá. Para Elimeleque a prova consistia nisso: poderia colocar sua confiança em Deus durante o tempo de fome e permanecer no caminho traçado por Deus apesar da dificuldade desse caminho?
Desgraçadamente esse homem de Belém não esteve à altura da prova. Desejava habitar no país eleito por Deus separado das nações ao redor durante os tempos de abundância, mas debaixo da pressão da fome logo o abandonou.
Do mesmo modo, na história da Igreja muitos se mostraram ditosos de estarem unidos ao povo de Deus e ao testemunho do Senhor quando os incrédulos se convertiam aos milhares, quando todos os que criam eram de um só coração e uma só alma, quando “... com grande poder... e havia abundante graça”. (Atos 4:33)
Mas quando os cristãos professos começaram fazer o que bem lhes bem parecia, quando todos buscavam seus próprios interesses o apóstolo Paulo se encontrava na prisão e o Evangelho em aflição então veio a fome. Com a fome veio o tempo de prova e debaixo da pressão que se seguiu a fé de muitos foi quebrantada ao ponto de Paulo dizer: “... todos se apartaram de mim”(2Tim.1:15) e também: “porque todos buscam o que é seu”(Fil. 2:21).
Assim mesmo hoje em dia não escapamos da prova de fome. Deus em Sua misericórdia uma vez mais mostrou a numerosos crentes o verdadeiro terreno de reunião para os seus e muitos atraídos pelo ministério da Palavra aceitaram com gozo o caminho da separação. Mas quando vem a prova, quando o número diminui, quando a debilidade exterior se manifesta e o alimento espiritual míngua então estimam que esse terreno seja demasiado estreito para eles, a debilidade é muito pesada e a luta muito dura. Sob a pressão das circunstâncias, abandonam o lugar e se extraviam em outros de sua própria eleição onde esperam escapar da prova e encontrar a trégua do combate.
Tal é o caso de Elimeleque. Notemos que seu nome significa (cujo Deus é Rei). Talvez seus pais fossem pessoas piedosas que vendo que não havia Rei em Israel desejavam que Deus fosse o Rei na vida de seu filho. Desgraçadamente, como tantas vezes, negamos nosso nome de cristãos. Quando vem a prova Elimeleque erra em não obedecer a seu Rei. Entretanto Deus é Rei e pode manter aos seus tanto nos dias de fome como nos dias de abundância. Mas a fé de Elimeleque, que não está a altura do significado de seu nome e, portanto não pode resistir a pressão das circunstancias. Sua mulher e seus dois filhos o seguem de modo natural
Ao abandonar o país de Deus chegam ao país que eles elegeram. Pior ainda, chegando aos campos de Moabe “... ficaram ali” (Rute 1:2). Na realidade é muito mais fácil persistir numa posição falsa que numa posição correta. O lugar eleito por Elimeleque é sem dúvida significativa. Os países que rodeiam a terra prometida são uma figura do mundo sob diferentes formas.
O Egito representa o mundo com seus tesouros e seus prazeres culpáveis, acima de tudo a servidão a Satanás que leva a busca do prazer. A Babilônia simboliza o mundo religioso corrompido. Moabe apresenta um outro aspecto do mundo, o profeta Jeremias oferece uma “chave”para seu significado espiritual no capítulo 48:11 “Moabe esteve descansado desde sua mocidade, e repousou nas suas fezes, e não foi mudado de vasilha para vasilha”. Assim, Moabe evoca uma vida de facilidade que passa tranquilamente sem grandes mudanças, na qual procura proteger esta quietude de toda forma de intrusão. Para utilizar a linguagem do profeta seria dizer que nunca sofreu nenhuma contradição. Nem o Egito com seus prazeres, nem Babilônia com sua religião corrompida atraíram a Elimeleque, mas Moabe que oferecia seu bem estar conforto e descanso exerceu sobre ele um atrativo considerável como meio de escape das lutas e provas. Quando reina a fome Moabe constitui uma armadilha temível para aqueles que um dia aceitaram o terreno eleito por Deus para seu povo.
Nos tempos de fome pode parecer pesado de mais o combate para manter um caminho de separação e muitos são tentados a abandonar a “boa milícia da fé”(1Tim.6:12) e instalar-se tranquilamente em algum vale retirado de Moabe para não sofrer contradições e estabelecer-se em seus próprios negócios. Mas, como Elimeleque, devemos de conhecer através de amargas experiências as conseqüências da deserção. Como vemos Elimeleque não chegou só ao país de Moabe, mas com sua mulher e dois filhos e ficaram ali. Não houve restauração para Elimeleque, o país de Moabe veio se tornar para ele o “vale da sombra da morte”. Tentou escapar da opressão mortal da fome, mas ele foi sozinho lançar-se nos braços da morte em Moabe. As mesmas medidas que tomou para evitar a morte o levaram a ela. Um passo errado em lugar de nos distanciar de nossos problemas nos aproxima diretamente deles. Ademais, buscar repouso no mundo, mesmo no que moralmente não é errado é procurar segurança em coisas que a morte pode nos tirar. A sombra da morte está presente na terra até nas cenas mais formosas. Mas Cristo ressuscitou e a morte já não tem poder sobre Ele, e vale muito mais sofrer de fome por Cristo ressuscitado do que estar rodeado da abundância do mundo em companhia da morte.
Elimeleque então morre!
As tristes conseqüências de seu passo errado não se limitam somente a Ele. A exemplo de Noemi, sua esposa e seus dois filhos também o seguiram até Moabe. Seus filhos se unem em casamento a duas mulheres de Moabe e infringem deste modo a Lei de Deus. Dez anos se passam.
A morte então reclama seu direito sobre os dois filhos e Noemi é privada de seu marido e de seus filhos, encontra-se agora viúva e sozinha num país estrangeiro. De fato, Deus a abateu e a afligiu, mas não a abandonou. A mão que golpeou esta mulher dolorosamente abatida é movida por um coração que a ama. A disciplina do Senhor prepara o caminho de sua restauração.
2- Apartar-se das falsas associações
Se Elimeleque ilustra o caminho da caída, em Noemi vemos o da restauração. Longe do país de Jeová durante longos anos, ela buscou seu bem estar nos país de Moabe e encontrou somente aflição. Mas, finalmente a disciplina do Senhor chega ao seu objetivo, porque lemos: “Então se levantou ela com suas noras, e voltou dos campos de Moabe”(Rute 1:6).
O que a obrigou a voltar? Foram os sofrimentos e as dolorosas perdas? Não, foram às boas novas da graça do Senhor que a atraiu. Quando ela ouviu dizer que “o Senhor tinha visitado seu povo, dando-lhe pão”, é que ela se levanta e volta a seu país.
As perdas não nos motivam a voltar a Deus, ainda que sirvam para nos ensinar quão amargo é nos afastarmos e preparam, assim, nossos corações para recebermos as boas novas concernentes ao Senhor e Sua graça para os seus. Não foram as misérias e as privações, não foi a escravidão cruel, nem as bolotas que os porcos comiam e nem a fome sofrida no longínquo país que trouxeram o filho pródigo de volta à casa paterna, senão a recordação da abundância e da graça do coração do pai que levaram-no a dizer: “levantar-me –ei e irei ter com meu pai”(Lucas 15:18). É o mesmo que acontece aqui com Noemi.
No país de Moabe onde tudo lhe foi tomado, ouve falar do país de Judá e o que Deus deu ao Seu povo. E porque ela tem diante de seus olhos a Deus, pode levantar-se acima de todas as suas faltas e colocar-se em marcha em direção ao seu país.
Seu primeiro passo no caminho de volta é se libertar de suas falsas associações com Moabe. “Por isso saiu do lugar onde estivera”(Rute 1:7). Este ato particularmente prático influi de repente sobre outros. Por exemplo, suas duas noras saem com ela. Testemunhar contra uma posição falsa e não se apartar dela não exerce nenhuma influência sobre os demais. Se a posição é falsa o primeiro passo é deixá-la. É o que Noemi faz. Ela e suas noras se voltam em direção à terra de Judá. Rompem com as suas falsas associações tendo diante de si uma meta correta, Judá!
3-A profissão de Orfa.
No entanto, o fato de apartar-se de uma posição errada e propor-se a voltar a uma posição correta, não implica necessariamente a um exercício real no coração de todos que dão esse passo. Das 3 mulheres Noemi é uma crente desgarrada, mas está no caminho da restauração; Rute é o testemunho da graça soberana de Deus que se caracteriza pela fé e um abnegado afeto, enquanto que Orfa se contenta com uma profissão aparente e vazia e que jamais alcançará a terra prometida. Tanto Orfa como Rute fazem uma profissão de abnegação para com Noemi. Ambas declaram que desejam ir com Noemi e seu povo e começam a caminhar em direção a terra de Deus. Mas, como sempre, a profissão é posta à prova. Noemi diz: “ Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe”(Rute 1:8). É oferecida a cada uma a oportunidade de voltar atrás. Esta prova mostrará se no mais profundo de seus pensamentos concordam com o que professam. Lembram do país de onde saíram, então têm a possibilidade de voltar ( comparar hebreus 11:15). O pensamento íntimo de Orfa se manifesta de imediato. Seu coração fica apegado ao seu país de nascimento. Veremos que Rute, ao contrário, deseja “uma pátria melhor”(Heb. 11:14-16). Pois bem, Orfa faz uma profissão formosa, mas não passa disso. Está muito emocionada, a tal ponto de elevar a sua voz e chorar( Rute 1:9). Seus afetos são comoventes, pois beija a sua sogra (verso 14) e em suas palavras não falta beleza: “Certamente voltaremos contigo ao teu povo ( verso 10). Mas nos chama a atenção o fato que somente Rute menciona o Deus de Noemi; Orfa se contenta falar de Noemi e seu povo. Assim apesar de suas declarações, lágrima e beijos, ela deixa Noemi, o Deus de Noemi e o país de benção para voltar ao seu povo e a seus deuses
( verso 15) e ao país da sombra da morte.
4-O apego de Rute.
Que diferente é a história de Rute! Esta jovem será o testemunho da graça de Deus. Como Orfa, Rute faz uma profissão notável. Também expressa belas palavras e se mostra tão comovida como sua cunhada, porque eleva sua voz e chora com ela. Mas Rute tem algo mais. Nela se encontram “As coisas concernentes à salvação”, a fé, o amor e a esperança (Heb. 6:9-12).
Em Orfa, o amor se reduz a uma simples manifestação exterior de afeto. Pode beijar a Noemi para despedir-se, como de certa forma fez Judas, mais tarde, ao trair o Senhor com um beijo. A Bíblia não nos diz que Rute beijou sua sogra ainda que a expressão exterior esteja ausente a realidade pode ser outra, porque nos diz que “Rute se apegou a ela”(verso 14). O amor real não renuncia a seu objeto, e a companhia da pessoa amada é indispensável. Por isso Rute acrescenta “não me instes para que te abandone”(verso16).
Além do mais a fé de Rute está à altura de seus afetos. A energia da fé a faz capaz de vencer os laços naturais de seu país natal, da casa de sua mãe, de seu povo e de seus deuses.
Rute toma resolutamente o caminho de peregrino e declara: “Onde quer que tu vás irei eu”. Aceita sofrer o destino do estrangeiro dizendo: “Onde quer que pouse, ali pousarei eu”. Identifica-se com o povo de Deus mediante essas palavras: “O teu povo é o meu povo”. Finalmente e acima de tudo ela põe sua confiança no verdadeiro Deus, porque não somente fez seu o povo de Noemi, senão que acrescenta: “O teu Deus é o meu Deus”(verso 16).
Nem sequer a morte a faz voltar atrás, porque diz: “Onde quer que morra, morrerei eu”(verso 17). Tanto na morte como na vida se identifica com Noemi e como conseqüência, reivindica para si mesma o povo e o Deus de Noemi, e tudo isto quando, à vista dos homens, Rute tinha diante de si apenas uma velha viúva quebrantada. Como disse alguém, Rute uniu o seu destino ao de Noemi na hora de sua viuvez, de seu exílio e de sua pobreza.
Para o homem inteligente deste mundo, a escolha de Rute é insensata. Deixar as comodidades de Moabe, a ternura de seu lar e de seu país natal, para começar uma viagem através de regiões desconhecidas para chegar a um país desconhecido, com a única companhia de uma viúva na miséria, parece ser loucura.
Mas isso é apenas o princípio da história. O final não pode ser vislumbrado. O que Rute chegará a ser “... ainda não é manifestado o que havemos de ser.” (1 Jo. 3:2)
A fé pode ser levada a dar seu primeiro passo em um contexto de debilidade e de miséria, mas, no final será justificada e receberá sua esplendida recompensa em circunstância de poder e glória. No princípio de nosso relato, Rute se identifica de todo o coração com uma velha mulher desolada; no final, é apresentada como a esposa do poderoso Boaz. Também tem seu nome é incluído na genealogia do Senhor, e será transmitido a todas as gerações futuras.
Em sua época Moisés, dotado de todas as vantagens que a natureza podia dar ,com todas as glórias do mundo ao seu alcance, foi também um exemplo resplandecente da mesma fé. Deixando de lado todos os deleites do pecado e da opulência dos faraós “tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito” (Heb. 11:26) , posto o mundo de lado e todas as suas glórias para encontrar-se com Ele no deserto com um povo pobre e sofrido. Que loucura aos olhos do mundo!
Mas a fé podia dizer neste momento: o que vai acontecer? “... ainda não é manifestado.”
Para o homem inteligente deste mundo, a escolha de Rute é insensata. Deixar as comodidades de Moabe, a ternura de seu lar e de seu país natal, para começar uma viagem através de regiões desconhecidas, para chegar a um país desconhecido, com a única companhia de uma viúva na miséria, parece ser loucura.
Mas isso é apenas o princípio da história. O final não pode ser vislumbrado. O que Rute chegará a ser “... ainda não é manifestado...”. (1 Jo. 3:2)
A fé pode ser levada a dar seu primeiro passo em um contexto de debilidade e de miséria, mas, no final será justificada e receberá sua esplendida recompensa em circunstância de poder e glória. No princípio de nosso relato, Rute se identifica de todo o coração com uma velha mulher desolada, no final, é apresentada como a esposa do poderoso Boaz. Também tem seu nome incluído na genealogia do Senhor, e será transmitido a todas as gerações futuras.
Em sua época Moisés, dotado de todas as vantagens que a natureza podia dar com todas as glórias do mundo ao seu alcance, foi também um exemplo resplandecente da mesma fé. Deixando de lado todos os deleites do pecado e da opulência dos faraós “ Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito”(Heb. 11:26), posto o mundo de lado e todas as suas glórias para encontrar-se com Ele no deserto com um povo pobre e sofrido. Que loucura aos olhos do mundo!
Mas a Fé podia dizer neste momento: o que vai acontecer “... ainda não é manifestado...”. A fé devia esperar dezesseis séculos antes de perceber o que seria de Moisés, pois então a Fé permitiu ver este servo de Deus aparecer em glória sobre o monte da transfiguração em companhia do Filho do Homem, visão efêmera de uma glória que não passará jamais ( Lucas 9:28-31).
E quando por fim, Moisés entrar nas glórias do reino vindouro em companhia do Rei dos reis, então será evidente para todos que as glórias do mundo que Moisés desprezou eram insignificantes comparadas com o eterno peso da glória que terá ganhado.
Hoje em dia não é diferente. O caminho da fé pode parecer o cúmulo da loucura aos olhos do mundo. Desprezar a glória que nos oferece identificar-se com o povo de Deus pobre e desprezado, sair a Cristo fora do arraial levando o Seu vitupério, pode parecer a primeira vista, uma loucura para o homem natural.
Mas a fé repete: “... ainda não é manifestado...”. A fé estima que “Esta leve e momentânea tribulação produz em nós um peso eterno de glória mui excelente “. (2 Cor. 4:17) . E a fé receberá sua recompensa, por que quando ao fim raiar o dia de glória e a fé for transformada em visão, quando o grande dia das bodas do Cordeiro chegue e os cristãos hoje pobres e desprezados aparecerão com Ele e serão semelhantes a Ele, como “...a esposa, a mulher do cordeiro” (Apoc. 21:9) .
Além disso, as coisas que pertencem a salvação , a fé, o amor e a esperança estão ativas em nós e nossos corações estarão profundamente convencidos. Assim ocorreu com Rute. Sem consideração para com o país que deixava livre de qualquer pensamento, estava convicta a seguir Noemi. “Assim, pois se foram ambas até que chegaram a Belém...”(Rute 1:19). Que benefício quando animados pela fé, amor e esperança, “esquecendo-me das coisas que para traz ficam e avançando para as que estão diante de mim prossigo para o alvo, ao premio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Filp. 3:14).
5- A Restauração de Noemi
Essa parte da história de Rute termina naturalmente com o recebimento da alma restaurada.
Vimos como a amargura envenena o coração extraviado, e como o Senhor o restaura através de sua graça. Então aprendemos que a resposta correta em um trabalho de restauração é a recepção da alma restaurada no seio do povo de Deus. Com os seus olhos ao país e ao povo de Deus, a crente restaurada e a jovem convertida prosseguiram seu caminho “... até que chegaram a Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas...” (Rute 1:19). Que pena! Devemos reconhecer que hoje existe pouco poder de restauração entre nós; não será porque nos falta compaixão para com aqueles que caíram? Um crente pode cair, o mal pode ser julgado, e o culpado tratado como convém sem que sejamos comovidos por ele, de maneira que é raro que o crente extraviado reencontre seu lugar no povo de Deus.
O mundo está cheio de corações tristes e quebrantados, de cristãos errados, que raramente são restaurados e que poucos, somos comovidos por eles.
Não há nada que possa completar melhor o trabalho de restauração de uma alma que a compaixão dos cristãos. Assim ocorreu com Noemi. O amor com que ela foi recebida permitiu que seu coração abrisse e expressasse uma confissão notável, que atesta a realidade de sua restauração.
1- Ela reconhece que Deus nunca a abandonou qualquer que fosse suas faltas. Quanto aos seus anos de extravio, confessa que “... porque grande amargura me tem dado o todo Poderoso...”(V.20), admitindo implicitamente que Ele não esqueceu de cuidar dela. Às vezes nos esquecemos de Deus, mas Ele nos ama de tal maneira que nunca cessa de cuidar de nós.
Felizmente é assim porque como diz o apóstolo: “Se suportais a correção, Deus vos trata como filho... Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, logo sois bastardos e não filhos”. (Heb. 12:7-8)
2- Através dessa confissão, Noemi mostra ainda que o Senhor se preocupa dos Seus que estão extraviados, Sua maneira de atuar será muito amarga. O apóstolo nos recorda também que: “Em verdade, toda correção, ao presente, não parece ser motivo de gozo senão de tristeza, mas produz um fruto pacífico de justiça aos exercitados por ela”. (heb. 12:11).
3- É necessário notar que a formosa atitude de Noemi, que reconhece sua responsabilidade de seu afastamento. Ela própria declara: “cheia parti...” ( Ruti 1:21) . Entretanto, no início do capítulo lemos: “... um homem de Belém...”( Rute 1:1). Noemi não faz nenhuma reprovação a seu marido. Não atribui também à culpa a outro tentando desculpar-se.
4- Se, por um lado, Noemi não transfere a outro a culpa de seu afastamento, por outro lado, e com razão, atribui toda a certeza de sua restauração a Deus, podendo dizer: “...o Senhor me fez tornar...”(Rute 1:21). Fui eu que parti, mas foi Deus que me trouxe de volta. Davi pode declarar nesse mesmo estado de espírito no Salmo 23:3 “..refrigera minha alma, guia-me pelas veredas da justiça...”. Pode haver momentos em que, cheios de auto suficiência e de confiança em nós mesmos, pensamos poder voltar para o Senhor quando nos parece bem, mas, na realidade, nenhum crente aleijado poderá voltar ao Senhor se Ele não tomar a iniciativa de restaurá-lo. A oração do Senhor a favor de Pedro antes que caísse e o olhar do Senhor no momento de sua falta quebrantaram o coração do discípulo e o conduziram a sua restauração.
Pedro o havia seguido a distância e logo caiu, mas o Senhor quis restaurá-lo e trazê-lo
de volta .
5- Noemi não disse somente que Deus a havia trazido de volta, senão que a havia trazido de volta a “casa” ( JND). Quando o Senhor traz de volta um crente, sempre o traz de volta ao calor e ao amor do circulo familiar. O que faz o pastor quando encontra a ovelha perdida? Traz de volta a sua casa.
6- Entretanto, Noemi deve reconhecer que Deus a fez voltar para casa “de mãos vazias”.
Todo o tempo que estamos longe do Senhor, não fazemos nenhum progresso espiritual. Ele pode permitir em Sua disciplina que nos despojemos de muitas coisas que impedem nossas almas de progredir. Junto com Noemi, devemos confessar: “cheia parti, porém vazia o Senhor me fez voltar”. Como todo aquele que se afasta, Noemi deve sentir o sofrimento.
É certo que ela teve uma bendita restauração e voltou a sua casa, ao seu povo, mas jamais terá a seu marido e seus filhos de volta, se foram para sempre. Ela buscou o bem estar que quis evitar as batalhas e os exercícios, mas encontrou somente a morte e as privações, voltando com as mãos vazias.
7- Entretanto, se o Senhor nos traz com as mãos vazias é porque Ele quer trazer nos para um lugar de abundância. Quando Noemi chegou a Belém era o “princípio das cevadas”(v. 22)
Que consolo para nossos corações saber que se faltarmos com compaixão de uns para com os outros, Ele o Senhor não faltará jamais!
Dentro de pouco tempo, o Senhor trará a Sua casa as pobres ovelhas dispersas e não deixará nem uma sequer. Então, na casa eterna gozaremos da sega celestial, será o “princípio” de uma sega de gozo e bendição que nunca acabará.
CAPÍTULO 2
“Quando também segardes a sega da vossa terra, o canto do seu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega. Semelhantemente, não rabiscaras a tua vinha: deixa-los-às ao pobre e ao estrangeiro: Eusou o Senhor vosso Deus.”(Levítico 19:9-10)
Se o primeiro capítulo do livro de Rute nos descreve a graça que salva, o segundo nos apresenta a graça que sustenta. A graça de Deus não só nos traz a salvação, mas também nos ensina a viver sobre a, justa e piedosamente no presente século (1ª Tito 2:11-12). A medida que quisermos ser instruído pela graça faremos progressos espirituais. Esse capítulo ilustra de maneira muito atrativa este crescimento e progresso espiritual pela graça.
Para o jovem convertido, é uma verdadeira benção começar bem sua carreira cristã ao cortar definitivamente os laços com o mundo e comprometer-se com a senda da fé e com o povo de Deus.
Mas um bom começo não é suficiente. Se desejamos manter-nos no caminho da fé, devemos crecer na graça. Como disse o apóstolo Pedro, se os cristãos querem gozar da abundância da graça .
Para o jovem convertido, é uma verdadeira benção começar bem a sua carreira cristã ao cortar definitivamente os laços com o mundo e comprometer-se com a senda da fé e com o povo de Deus.
Mas um bom começo não é suficiente. Se desejamos manter-nos no caminho da fé, devemos crescer na graça. Como disse o apóstolo Pedro, se os cristãos querem desfrutar da abundância da graça , paz e de “todas as coisas que pertencem a vida e a piedade”, querendo fugir da “corrupção que há no mundo pela concupisciência” só será possível mediante “o conhecimento de Deus e do nosso Senhor Jesus”(@ Pedro 1:2-4). Por isso conclue sua epístola exortando aos crentes a crescer “na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. ( 2 Pedro 3:18)
Os crentes em Corínto, depois de haver começado bem, se mostraram lentos em fazer progressos espirituais.
A mundanidade e a sabedoria deste mundo foram um obstáculo para eles. Os Gálatas também tiveram um bom começo, pois o apóstolo reconhece que corriam bem; mas perguntou-lhes “quem vos fascinou para não obedecerdes a verdade”(Gal. 5:7). Uma vez que cairam debaixo do domínio fe falsos nestres, foram ganhos pelo legalismo. Igualmente hoje, muitos parecem começar bem e prometem vir a ser cristãos consagrados, mas a continuação não parece haver progresso espirituais em suas vidas. Não crescem na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E cedendo as atrações do mundo podem se tornar mundanos, ou caem sob a influência de falsos mestres, se tornando legalistas.
O crescimento da graça
Essa porção da história de Rute nos levará a descobrir o segredo do crescimento da graça. Rute nos é apresentada com insistência como segadora. No versículo 2 ouvimos ela dizer para Noemi : “deixa-me ir ao campo e apanharei espigas ...”, no versículo sete ela pede ao mordomo e aos segadores: “deixa-me colher espigas entre as gavelas...”. No versículo dezessete lemos: “esteve ela apanhando...”, no versículo vinte e três : “...ajuntou-se com as moças de Boaz”.
Assim Rute, nesse capítulo, é vista como segadora. E qual seria o significado espiritual de segar?
Devemos lembrar que o primeiro capítulo termina com essas palavras: “chegaram a Belém no princípio da sega das cevadas”. Noemi e Rute se encontravam em meio a abundância. Mas a colheita, ainda que seja abundante, não pode satisfazer os famintos se não for colhida. Só colher espigas, Rute se apropria das suas provisões que estavam a disposição pelo senhor da colheita, tanto para as suas necessidades quanto para as de Noemi.
Podemos dizer que, no aspecto espiritual, o colher espigas siguinifica o fato do crente se apropriar das bençãos espirituais que Deus concedeu.
Na história de Israel, Deus havia dado a esta nação um direito de propriedade absoluta do país prometido, do qual havia delimitado as fronteiras muito precisamente. Não obstante, Deus havia declarado também: “ Todo lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso” (Deut. 11:24) . Os israelitas deviam tomar posse de seu país. Assim é como o apóstolo Paulo podia afirmar com a plena confiança que os crentes são abençoados “com todas as bençãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”(Ef. 1:3), mas esta certeza não o impedia de orar para que o Espírito Santo faça Seu trabalho no homen interior, afimm de queos cristãos compreendão qual a altura, a largura e a profundidade de todas essas bençãos espirituais.
Na história de nossas vidas, o dia em que o Senhor Jesus nos chamou para Ele, quando soubemos que nossos pecados foram perdoados, quando fomos selados com o Espírito Santo e feito “aptos para participar da herança dos santos na luz”, esse dia será para sempre maravilhoso. Mesmo que não possa haver um crescimento na nossa capacidade de participar da glória, entretanto o apóstolo deseja ver-nos cristãos em crescimento “no conhecimento de Deus “ (Col. 1:12-14, 10). Oh quão fracos segadores fomos!
Quão pouco entramos nas riquezas insondáveis de Cristo!
Condições para crescer
Porque somos segadores tão negligentes! É certo que o segar requer condições que nem sempre estamos dispostos a nos submeter. Isso se torna evidente a medida que notamos as qualidades que fizeram de Rute uma boa segadora.
Em primeiro lugar ela se caracterizava por ter um espírito humilde e submisso. Disse a Noemi: “deixe-me ir ao campo, e apanharei espigas”. Mais tarde também pediu ao mordomo dos segadores de Boaz a mesma coisa. Ela não atuava de maneira idependente frente aos que eram mais velhos e de maior experiência que ela. Não desprezava as direções e os conselhos. Não tinha uma vontade incontrolada, que pudesse levá-la a fazer o que parecia bem aos seus próprios olhos. Pedro disse : “...mancebos, sede sujeitos aos anciões;
Sede todos sujeitos uns aos outros, e vestí-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos , mas dá graça aos humildes”(1 Ped. 5:5).
O espírito Santo associa a submissão e a humildade. O homem orgulhoso não se agrada em submeter-se. Ter uma vontade quebrantada é o maior obstáculo para se crescer na graça.
Em segundo lugar, Rute se caracterizava pela diligência. Como lemos no vesículo sete, “...assim ela veio, e desde pela manhã está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa”. Logo depois no versículo dezessete, “esteve ela apanhando naquele campo até a tarde...”. Não observamos uma grande falta de diligência entre os crentes nas coisas de Deus ? Somos muito zelosos para as coisas deste mundo, mas, desgraçadamente só reservamos o tempo que nos sobra para as coisas do Senhor. Estudamos a Palavra de Deus assiduamente? Somos diligentes nas orações? Podemos alegar que o estress e as dificuldades da vida nos deixam muito pouco tempo, mas a pergunta permanece: como utilizamos esse pouco tempo que nós temos ? Em Hebreus 6:12, o autor nos exorta a solicitude e acrescenta: “Não vos façais negligentes ..”. Se desejamos desfrutar nossa herança, devemos ser zelosos, pois, não é de estranhar que façamos pouco progressos espirituais se encontramoss tempo para ler os jornais e revistas do mundo e não damos tempo para lermos as riquezas da Palavra de Deus.
Em terceiro lugar, Rute era perseverante. Ou seja, ela não era delegente um dia, e preguiçosa no outro, senão que “Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz para colher até que a sega das cevadas acabou, e ficou com sua sogra”( Ver.23).
Dia após dia ela foi segar até quando terminou a sega. Os de Beréia receberam elogios especiais, não somente por examinar as Escrituras, mas por terem feito isso a cada dia.(Atos 17:11). É facil mostrar-se zeloso um dia, para ser zeloso a cada dia requer perseverança. “Cada dia”é uma expressão exigente que nos põe à prova. O Senhor pede a seu discípulo que tome sua cruz a cada dia (Lucas 9:23). Fazer um grande esforço para cumprir um ato de renúncia heróico é relativamente fácil, mas perceverar tranquilamente dia após dia, segundo a Cristo é prova maior que devemos fazer. Não é o atleta que começa bem a corrida que vence, mas sim aquele que persevera.
Finalmente lemos que Rute “debulhou o que apanhou”(Vers.17). Não é suficiente colher a cevada e o trigo, é necessário debulhá-los. As verdades que lemos ou ouvimos do ministerio dos irmãos, devem ser também motivo de meditação e orações para que possam contribuir para nosso crescimento espiritual.
A simples aquisição de uma verdade não fará mais que inchar nossa mente. É necessásrio desfrutar dessa verdade em comunhão com o Senhor para que ela possa levar-nos a um maior conhecimento de Sua pessoa. Assim, para se Ter progresso espiritual, é necessário certa condição de alma, caracterizada pela submissão, diligência, perseverança e meditação.
Ademais, o estado de alma, ainda que importante, não é tudo. A ajuda que recebemos de cristãos contribue também para o nosso progresso espiritual. Isto vemos claramente nos distintos personagens que aparecem nesse capítulo.Noemi, as criadas, os segadores, o mordomo e finalmente Boaz, o homem rico, todos desfilam uns após os outros diante de nossos olhos, e sempre aparecem com relação a Rute. Ajudam de diferentes maneiras a jovem segadora em seu trabalho, mostrando-nos que Cristo utiliza meios distintos para estimular aos seus no crescimento espiritual na graça.
Conselhos e instruções dos mais experientes.
Noemi conhecia a Boaz desde a muito tempo; ela estava em condições de aconselhar e instruir a Rute. Assim também ocorre hoje, existe aqueles que já marcham há muito tempo com Cristo; e mesmo que tenham falhado gravemente como Noemi, a experiência os faz aptos para dar conselhos e instruções aos crentes mais jovens. Seria difícil ver Noemi como uma grande pregadora ou como uma grande professora, mas antes vemos nela a figura daquelas santas mulheres anciãs das quais lemos em Tito 2 :3-5, chamadas a ser exemplos, “mestras do bem”, e capazes de dar com amor conselhos sábios “as moças”. Em tais versículos, Noemi não põe dificuldades e nem coloca obstáculos no caminho de Rute. Antes responde imediatamente: “Vai minha filha”(vers. 2) e incentiva a Rute nesse feliz trabalho, ademais quando Rute volta, reconhece com alegria os progressos realizados, porque lemos:..., e viu sua sogra o que tinha apanhado (vers. 18). Não somente viu seus progressos como se interessou realmente de sua situação pois lemos: “...onde colheste...e onde trabalhaste?” (vers. 19).
Finalmente, declara que era Boaz e a aconselha afetuosamente que continue a segar. Se pelo menos o espírito de Noemi pudesse animar as irmãs de mais idade a conduzir as mais jovens para animá-las, para que façam progressos espiritual, para que se interessem pelo estado espiritual, das mais jovens e para que possam ser instruídas no conhecimento de Cristo e para que possam ser ajudadas com conselhos de experiência às jovens enquanto segam.
Comunhão entre os filhos de Deus.
As criadas também são de ajuda para Rute nesta formosa história. Encontramo-nas no versículo 8,21,22 e 23. Rute sega ao lado delas, são suas companheiras de trabalho. Portanto nos falam, em figura, da feliz comunhão entre os filhos de Deus, que também é importante para o progresso espiritual.
Boaz adverte Rute: “... não vás colher a outro campo, nem tampouco passes daqui”(vers. 8). Existem campos e outras criadas, mas são extrangeiros para Boaz. Sejamos mais velhos ou mais jovens, fazemos bem em prestar atenção a advertência feita por Boaz.
Na verdade, no mundo, existe muitos campos atrativos e que as vezes podem oferecer companias agradáveis, mas a sociedade vil deste mundo não são de Cristo. Em atos 4:23, depois de serem presos os apósto-los a primeira coisa que fizeram foi voltar “para os seus”.
Forçozamente temos que nos relacionar-mos com as pessoas deste mundo em nossa vida profissional ou do dia a dia, mas não podemos desfrutar de uma agradável comunhão nem fazer progressos dentro deste círculo. Somente na comunhão com os cristãos resultava em “em grande poder” e de uma “abundante graça” ( Atos 4:33). Em hebreus ( 10:24-25), somos exortados a considerar-nos uns aos outros para “nos esrimularmos ao amor e boas obras”. A fonte de amor e boas obras não estão nos crentes; mas sem dúvida a compania dos crentes extimua esseamor e essa boas obras.
O dia do juízo deste mundo se acerca, por isso fazemos bem em nos separarmos dele para que possamos encontrar nossa bendita parte entre “as criadas de Boaz”, ou seja entre aqueles que não são manchados e que tem guardado suas vestiduras brancas ( Apoc. 3:4-5 e 16:15). Quanto mais perto esta o dia, mais devemos de estar juntos uns dos outros.
Os servos do Senhor
Os segadores e os criados também são úteis para Rute. São mencionados nos versículos 4, 5, 7 e 9 de novo capítulo. Servos de Boaz, oferecem uma imagem real das qualidades requeridas dos servos do Senhor que se dedicam ao ministério para ajudar aos filhos de Deus.
A primeira coisa necessária para todo servo de Deus é a presença do Senhor. Ouvimos a Boaz saudar seus segadores com este desejo: “Jeová seja convosco”( v.4). Encontramos este mesmo espírito na época do evangelho: “E eles, saindo, pregaram o evangelho em todas as partes, ajudando-os o Senhor”( Marcos 16:20).
Em segundo lugar, para cumprir eficazmente o serviço de Boaz, os segadores devem submeter-se a companhia do Senhor, senão também ao contrôle do Espírito Santo, a pessoa divina prefigurada por esse servo anônimo(v.5).
Em terceiro lugar, os segadores precedem a Rute, como ela mesma diz: “deixa-me colher espigas, e ajudar-as entre as gavelas após os segadores”(v.7).
As escrituras reconhecem a existência de pastores ou condutores espirituais entre o povo de Deus que nos expõem Sua Palavra e dos quais devemos imitar a fé. Somos chamados a obedecer e submeter-nos a tais condutores porque velam por nossas almas (Heb.13:7 e 17).
Em quarto lugar, esses jovens, os criados de Boaz, teram água do poço. Se o previlégio de Rute era beber a água, a responsabilidade dos criados era tirar a água do poço. Nem todos são chamados, bem capazes de tirar a água dos poços profundos de Deus, mas todos podem beber a água vertida nas vasilhas adaptadas a capacidade de cada um. Muitos são os que podem alcançar a agua no fundo do poço, mas ela está a disposição de todos nas vasilhas.
Por isso, a ordem para Rute é: “Vai aos vasos,e bebe do que os moços tirarem”(v.9). Timóteo foi exortado a ocupar-se “nessas coisas”, a permanecer nelas. Seguramente isto corresponde a tirar a água; mas o resultado, seu “aproveitamento” devia ser “manifestado a todos”(1º Tim.4:15). Esta é a água nas vasilhas acessível a todos.
Em quinto lugar, para ser aptos para o serviço de Boaz, os segadores recebem deretivas especiais de seu amo. “..., Boaz deu ordem aos seus moços dizendo: até entre as gavelas deixai-a colher, e não a repreendais. E deixai cair alguns punhados e deixai-os ficar para que oscolha, e não a repreendais”(v.15-16). Para responder as necessidades específicas dos indivíduos, é necessário receber direções específicas da parte do Senhor. Quão perto do mestre deve de estar o cervo se deseja seber, durante seu serviço, onde e como deixar cair o punhado de espigas que corresponda a necessidade de específica naquele momento e fazê-lo sem reprovação ou repreenção.
O Senhor como sempre, é o exemplo perfeito para nós. No dia da ressurreição, quando envia uma mensagem a Pedro,dizendo: “...,dizei a seus discípulos e a Pedro,”(Marcos 16:17) não deixa cair algumas “espigas entre as gavelas” para sua pobre ovelha estraviada, sem acrescentar reprovação ou condenação(Marcos 16:7).
Finalmente, o trabalho dos pegadores leva ao fim da sega, porque Boaz ordena a Rute que fique junto a suas criadas “até que acabem toda a sega..”(v.21).
É o mesmo para os servos do Senhor como para os de Boaz, já que o apóstolo Paulo evoca a gloriosa esperança posta diante de nós como um estímulo no serviço. “Portanto, meus amados irmãos,sede firmes e constantes, sempreabundates na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”(1º Cor.15:58).
A ação do Espírito Santo
O criado de Boaz estabelecido sobre os segadores também desempenha seu papel nos progressos feitos por Ruti quando colhia espigas. Não é dado a conhecer seu nome e raramente aparece na narrativa, mas contudo está por trás de tudo que se passa em nome de Boaz.
Controla a cada segador que trabalha nos campos de seu Senhor. É ele que apresenta Rute a Boaz. Faz um relatório verdadeiro sobre a jovem, sem acrescentar nenhuma palavra depreciativa sobre ela; também antecipa o pensamento de Boaz ao permitir que ela colha espigas em seus campos (v.5 a 7).
Em tudo isso, o criado atua em perfeito acordo com o pensamento de seu amo. Certamente que temos aqui uma figura da gloriosa Pessoa do Espírito Santo, que veio da parte de Cristo glorificado, em nome de Cristo, para representar os interesses de Cristo.
Alguén que não fala de si mesmo,que é invisível aos olhos do mundo mas que dirige os servos do Senhor e que por seu trabalho de graça nas almas, as põe em contato com Cristo. Alguém que veio a terra para ocupar-se dos enteresses de Cristo, que pensa e atua em perfeito acordo com o pensamento e o coração do Pai e do Filho.
Cristo o grande redentor.
Finalmente. Temos a Boaz que representa a Cristo. Primeiro na glória de sua pessoa e de sua obra, depois em sua maneira de atuar, cheia de graça, para conosco individualmente.
Pessoalmente, Boaz é apresentado como um “parente” e um “homem rico”(v.1 e 20). A palavra “parente”,empregada varias vezes no livro de Rute, é usada como “redentor”em outras partes, termo que indica o verdadeiro alcance da obra do parente. O parente tinha tanto o direito como o poder de redimir a seu irmão, ou sua herança, caso um ou outro caísse nas mãos de um extranho (Lev.25:47-49)
Pela queda do homem, ele perdeu todos seus direitos sobre a herança terrena. O mesmo caiu sob o poder do inimigo e, como pecador culpável, se encontra expôsto à morte e ao juíza. Não pode redimir nem a si mesmo nem à terra do poder do pecado da morte e de Satanás. Necessita um Redentor, alguém que tenha o direito como o poder de cumprir a redenção. Cristo é o grande Redentor, aquele do qual Boaz é uma figura, redimindo aos seus de maneira dupla por um ato de redenção e poder. O preço da redenção (ou resgate) que Ele pagou foi Sua própria vida dada a nós. Fomos resgatados “não com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, senão com o sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem contaminação” (1Pe.1:18-19). E mais, nos redimir por um ato de poder, porque não só Seu sangue foi vertido, mas que também pela ressureição anulou o poder da morte. Havendo sido já redimidos por Seu sangue, agora esperamos a redenção em poder, ou seja, o momento em que levará nossos corpos de todo traço de mortalidade tranformando “nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu eficaz poder de sujeitar também a Si todas as coisas” (Fil. 3:21).
Finalmente, obteremos nossa herança uma rica possessão que Ele adquiriu resgatando do poder do pecado, e da morte e de Satanás, a qual gozaremos juntos com Ele para Seu louvor e glória (Ef. 1:14).
Os caminhos de graça e verdade
Em Boaz vemos não somente a imagem das glórias do nosso grande redentor, senão também uma esposição magnífica de Seus caminhos de graça até cada um de nós. É nosso privilégio que, além de aprender a conhecer a verdade concernente a Sua pessoa e obra, que também tenhamos a experiência de Seus cuidados cheio de graça, que nos fazem aprofundar-nos esse conhecimento.
Oxalá que todos os crentes desejem levar uma vida mais utêntica, mais determinada com Cristo no secreto de sua alma, vida conhecida somente por Cristo e por eles mesmos, na qual ninguém poderia intervir.
Desta relação entre Cristo e a alma nos fala da atitude benevolente de Boaz , o homem rico, para com Rute a estrangeira . O que caracteriza sua atitude é a graça e a verdade, evocando para nós aquele que veio “cheio de graça e verdade”( Jo. 1:14-17). Em nossa debilidade, sucessede que manifestamos graça em prejuízo da verdade, ou o contrário. Em Cristo, a expressão infinita da graça vem acompanhada do perfeito mantimento da verdade.
Com uma comovedora graça Boaz põe todas as suas riquezas a disposição da estrangeira vinda de Moabe, que segundo a Lei, não estava autorizada a entrar na congregação de Deus, nem até a décima geração ( Deut. 23:3). Seus campos, suas criadas, seus criados, suas vasilhas, seus grãos, tudo é posto a disposição de Rute. Ela deve ficar em seus campos; estar junto de suas criadas, colher as espigas atrás dos segadores e beber de seu poço. Boaz não faza nenhuma alusão a sua origem, ou a sua condição de extrangeira e muito menos a sua pobreza! De sua boca não saiu nenhuma reprovação quanto a seu passado nem ameaças com relação ao futuro nem exigências reclamando algo por sua generosidade, tudo é dado por uma graça soberana e ilimitada. Cristo atua da mesma maneira para com os pecadores que somos todos nós. A graça dá os dons, os mais excelentes, a disposição de uma pecadora em um poço de Sicar (Jo.4:1-42), a graça dá ordem aos peixes do mar para um homem pecador como Pedro( Mat. 17:24-27), e a graça abre o paraíso de Deus a um malfeitor moribundo (Lucas 23:39-43). Da mesma maneira, a graça nos abençoa com todas as riquezas insondáveis de Cristo, “sem dinheiro e sem preço”( Isa. 55:1).
Entretanto, as riquezas da graça não encobrem o resplendor da verdade ao contrário, é justamente a graça que faz ressaltar a verdade. Boaz não necessita lembrar a extrangeira de sua origem humilde, ela mesma confessa. Mas, é a Sua graça que a incita a fazer tal confissão. Ela abaixa seu rosto e se inclina a terra diante de Boaz, colocando-se de lado com a consciência da grandeza da pessoa diante de quem está e a que deve todas as bençãos. Com a pergunta que Rute faz: “Porque achei graça em teus olhos para que faça caso de mim, sendo eu uma estrangera?”(v.10). Ela reconhece que nada em si mesma merecia tal graça, reconhece igualmente que, por natureza não podia pretender nada de Boaz, pois confessava ser estrangeira. Somente na presença da graça de Boaz ela lhe dá o lugar que corresponde a ele e ela permanece no seu.
Isto nos traz a memória outros exemplos formosos dos caminhos de graça e verdade manifestados por nosso Senhor quando estava aqui na terra.
Se a graça propõe a uma pobre pecadora o dom gratuito da água viva, que salta para a vida eterna, também vai manifestar a verdade referente a ela.
A simples frase de Jesus: “vai e chama teu mando” é a verdade que descobre seus atos, e o convite que se segue: “e vem cá”(joão 4:16) é a graça que abre o acesso a todo o amor do coração de Deus. A verdade revela a maldade de nossos corações, mas a graça revela um coração que, sem ignorar nada dos atos cometidos durante nossa vida, pode amarmos e convidar-nos “vem cá”.
Em outra ocasião, com outra mulher extrangeira como Rute, uma cananéia, vemos o mesmo desfeixo da graça e da verdade. Os discípulos defendiam a verdade em detrimento da graça: “Despede-a”,diziam. O Senhor não age assim, mas também a graça não menos preza a verdade. Por isso, atua com esta cananéia de maneira tal que a verdade saia de seus próprios lábios levando-a a confessar: “Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus senhores. E plenamente de acordo com seu interlocutor, discirne também n`Ele a graça que não sabia recusar uma migalha dada a um cachorro.
A graça do Senhor a conduz a reconhecer a verdade quando a sí mesma. Então recebe a recompensa da fé, porque o Senhor responde com gozo aos chamamentos fectos a Sua graça. Pois disse: “Ó mulher, grande é a sua fé: seja-te jeito como tu desejas”(Mat.15:21-28).
Que momento bendito durante o curso de nossas vidas, quando sozinhos com o Senhor, somos levados a romar consciência da maldade de nossos corações na presença da graça que enche tudo. Que bendição aprender em tais instantes que, por mais vil que possamos ser, a graça em Seu coração satisfaz tudo.
Boaz, pois consola o coração de Rute. Ela reconhece a verdade dizendo: “sendo estrangeira”, Boaz com sua resposta parece dize-la que tudoo que ela poderia contar-lhe de si mesma, ele já sabia: “Bem sei”(Vers. 11). E a frente nenhum temor pode persistir em seu ser interior que possa ser descoberto um dia e que leve Boaz a retirar seus dons de graça. Já liberta podia dizer: “..., pois me consolaste, e pois falaste ao coração da tua serva...” (vers.13). Nada toca, e consola tanto o coração como a certeza adquirida na presença do Senhor sabendo que Ele sabe de tudo e que nos ama apesar de tudo.
A presença do Senhor.
Entretanto, a história de Rute não termina aqui. Boaz deu prova da graça, Rute confessou a verdade, disto resultou a paz na consciência e o gozo no coração. Mas isso não é tudo. Boaz não se contenta em trazer consolo a Rute e deixá-la com o coração cheio de gratidão. Ainda que essa mulher poderia considerar-se amparada, o coração de Boaz não estava satisfeito. Mesmo Rute não esperando mais bençãos, Boaz tem mais para oferecer. Não se considerava satisfeito sem a compania daquela a quem havia falado ao coração. Por isoo acrescenta: “Vem aqui”(vers.14). De uma maneira mais profunda ainda, não é assim que o Senhor atua conosco?
Ele apazígua nossos temores, fala a nossos corações e ganha nossos afetos, tudo para poder gozar de nossa compania. O amor não esta satisfeito sem a presença da pessoa amada. Por isoo foi que Ele morreu para que “quer vigiemos, quer durmamos vivamos juntamente com Ele”. (1 Tess. 5:10)
Somos bem aventurados se prestarmos atenção e respondermos ao convite cheio de graça que nos faz dizendo: “Vem aqui”.
Assim Rute se encontrou sentada no meio de um povo que até então não conhecia. Sim ela se “assentou junto aos segadores”, e em compania de Boaz porque vemos : “e ele lhe deu do trigo tostado”. Felizes seremos se, conscientes da presença do Senhor, tomarmos lugar entre os Seus. Seremos nutridos com “grão tostado”. Como Rute, seremos saciados e deixaremos sobras ( vers. 14).
Em Sua presença , nossas almas serão alimentadas e nossos corações satisfeitos; e o coração estando satisfeito, em plenitude, terá o que dar aos demais.
Em segundo lugar, Noemi disse a Rute oque Boaz estava fazendo: “eis que esta noite padejará a cevada na eira “ (vers.2). Do mesmo modo, nosso divino parente, nosso Boaz, passa toda longa e sombria noite da época atual, se podemos chamar assim, separando sua cevada.
Hoje o Senhor Jesus não se ocupa do pagamento. Isso fará no juízo no dia futuro, agora se ocupa dos seus, “separando, batendo a cevada”. Ou seja, dizendo de outro modo, santifica a sua igreja, afim de apresentá-la a sí mesma sem mancha nem ruga nem coisa semelhante ( Ef. 5:26-27). Nos céus, o Senhor se ocupa dos seus com esperança no dia vindouro.
Depois de recordar a Rute seus direitos sobre Boaz, Noemi segue com sua instrução mostrando-lhe em que estado ela deveria estar na presença de Boaz. Se dissermos que somos “parentes” de Cristo, que pertencemos a ele e ele a nós, certamente desejaremos sua compania. Mas estar conscientes de sua presença requer um estado de alma apropriado, manifestado em figura mediante as instruções dads a Ruti: “Lava-te pois,”(v.3) nos leva a pensar no lavar de pés de João 13 devia, primeiro ter os pés lavados antes de poder “reclinar” no Senhor(v.23)
É necessário que o lavamento dos pés preceda o descanço do coração. O Senhor teve que dizer a Pedro: “Se eu te não lavar; não tens parte comigo”(v.8).Sua Obra nos assegurou uma parte nele, mas para Ter uma parte com Ele para gosar de sua comunhão com Ele, no lugar onde está, devemos Ter os pés lavados; lamentavelmente somos descuidados nisso. Permitimos que coisas nefastas nos contaminem e que influências desse mundo se infiltren furtivamente em nós e dirijam nossos afetos.
Quando se descuida da lavagem dos pés, as manchas se acumulam até entorpecer nosso espírito e privar nossos afetos de tal modo que nossa comunhão com Cristo se torna uma coisa rara e até desconhecida. Estejamos, pois, atentos a advertencia do Senhor: “Se sabeis estas coisas, bem aventurados sois se a fizerdes”( Jo. 13:17). Não era suficiente que Rute aceita-se a instrução de lavar-se; ela teria que fazer. Assim também, o bem que podemos achar em João 13 não reside no conhecimento da verdade apresentada nesse capítulo mas sim por em prática tal verdade. Mas necessitamos ainda mais; depois de lavar-se Rute deve também ungir-se. Não basta purificar a mente de influências que contaminam, mas necessitamos também lembrar a exortação do apóstolo Paulo: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fil. 4:8). O lavar-se é um ato negativo, no sentido de que algo é tirado, a unção, ao contrário é um ato positivo, que deixa um perfume que exala um aroma agradável. Não só precisamos purificar nossas mentes e afetos de más influências que nos contaminam, como também é mister manter ocupados com tudo o que é de Cristo, para que derramemos ao nosso redor o aroma de Cristo, que convém à Sua presença.
Depois da menção do ungir-se, Noemi acrescenta: “E veste os teus vestidos”. Isso nos fala do linho fino, que simboliza “...as justiças dos santos”( Apoc. 19:8). Filipenses 4:8 nos fala da unção, no versículo nove nos dá a resposta quanto as ações justas: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei”(Fil 4:9). A palavra chave do versículo oito é “pensai”; a palavra chave do versículo nove é “fazei”. Se tivessemos uma percepção mais profunda da formosura de Cristo, desejaríamos com mais ardor sua compania e gozo consciente em Sua presença. Tais desejos exercitam ainda mais nossos corações para guardar nossos pensamentos, afetos, palavras e nossos caminhos purificados de toda mancha, e estaríamos ocupados com o que diz respeito a Cristo.
Uma vez que Rute está preparada para estar na presença de Boaz, sua linha de conduta é clara: deve de se colocar aos pés de Boaz e ouvir suas palavras porque como disse Noemi, “E ele te farás saber o que deves de fazer”( Rute 3:4). Isso leva nossos pensamentos até aquela feliz sena em Betânia, descrita em Lucas 10:39, na qual vemos Maria acentada aos pés de Jesus, ouvindo Sua palavra. É justamente do que temos falta hoje.
No meio desta vida agitada e estressante, se torna muito difícil achar um tempo para estar a sós com o Senhor e ouvir o que Ele quer nos dizer. Entretanto Ele nos diz: “Só uma coisa é necessária”( Lucas 10:42). Que possamos ouvir a Sua voz através de Noemi e responder como Rute: “Tudo quanto disseres farei”( Rute 3:5). Assim, lavados, ungidos e vertidos, poderemos sentar-nos em Sua presença e escutar a Sua Palavra.
Aos pés do divino Boaz
Uma vez que Ruti está aos pés de Boaz, o relato se encontra naturalmente no que ele fa. Boaz vai satisfazer os desejos que seu amor e sua graça despertaram, mas também vai satisfazer ao seu próprio coração. Tudo isso evoca o mistério mais profundo de Cristo e seus desejos para com a Igreja. Nada poderá satisfazer seu coração exceto o fato de Ter os seus com Ele e semelhantes a Ele. Seu amor deve gozar da compania de seus amados.
Vamos ao céu porque o amor nos deseja ali.
Para o pai não foi suficiente suprir todas as necessidades do filho pródigo; ele o queria em sua compania, digno de sua presença, vestido com o melhor vestido, seus pés calçados e um anel na mão (Lucas 15:22). Igualmente, o coração de Cristo não estaria satisfeito em libertar-nos do juízo e nos purificar dos pecados, queria Ter-nos com Ele e semelhantes a Ele.
Com essa finalidade reunia as almas ao seu redor enquanto atravessava esse mundo. Com efeito, quando chamou aos doze, era para que em primeiro lugar estivessem com Ele (Marcos 3:14).
Esse foi o motivo de sua oração em João 17 “Pai aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo..."” vers. 24).
Por isso morreu, “O qual morreu por nós, para que, quer vivemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele”(1Tess. 5:10).
Com esse propósito serve igualmente aos seus hoje, lavando-lhes os pés para que tenhamos parte com Ele ( João 13:8).
Também Ele tem isto em mente, quando recolhe a um de seus redimidos: “de ser desatado, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”(Fil. 1:23) .
Finalmente, quando o Senhor vir nas nuvens para nos buscar para Ele, “Depois nós os que ficamos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar com o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”(1º Tess. 4:17).
Assim é a verdade que aprendemos aos seus pés. Não somente desejamos a Ele, como Ele também nos deseja. Se é um pouco estranho que o anelemos, seu anelo para conosco será motivo para maravilhar-nos eternamente. Maria aprendeu aos pés do Senhor que Ele pode prescindir de todo nosso serviço, mas não de nós mesmos. “Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição”(Cant. 7:10), é a verdade, tão grande e gloriosa, que aprendemos aos seus pés. Desta mesmaq verdade nos fala Rute, porque aos pés de Boaz a jovem aprendeu que não somente ela o anciava, mas que também ele a desejava. Maravilhada por esta descoberta ,Rute pode, desde então ,esperar e deixar-lo concluir esse assunto ( Rute 3:18).
Cristo assegura o repouso
O modo com que Boaz obrou para assegurar o repouso de Rute, é muito significativo. Primeiramente o que faz com Rute e o que faz para Rute. No capítulo 2 ele ganha o seu amor e no capítulo 3 ele dá a coragem de buscar satisfazer esse amor que ele despertou.
Depois de desistir de seguir a outro que não seja Boaz, ela recebe primeiramente a certeza da benção : “Bendita sejas tu do Senhor “ (vers.10) .
Em segundo lugar, Boaz terá de seu coração todo vestígio de temor, dizendo: “não temas”( vers.11).
Assegurando que todos os obstáculos, para que seu propósito seja cumpridop se não superados ( vers.12 e 13).
Entretanto, prove ricamente as suas necessidades e lhe dá seis medidas de cevada. Quando Rute havia buscado sua própria benção havia obtido uma medida de cevada (Rute 2:17); mas quando buscou a própria pessoa de Boaz, ela obtém seis medidas. Mas note que foram seis e não sete, o número perfeito. A cevada qualquer que fosse a quantidade não poderia dar a satisfação completa.
Hoje , o Senhor atua da mesma forma para com os seus. Há bençãos especiais reservadas para aqueles que aprenderam o grande segredo, a saber, que o Senhor nos quer para si mesmo.
Nem todo o temor nos tira do coração essa certeza. Pelo contrário nos dá uma ousadia tendo a certeza de que nenhum obstáculo poderá impedir o cumprimento de seu propósito para conosco. Enquanto o esperamos, ele supre nossas necessidades e nos faz capaz de permanecer tranquilos, com a firme convicção de que não descansará até Ter terminado o que começou, “..., que aquele que em vós começou a boa obra, a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo”(Fil.1:6)
A poderosa obra do Redentor .
No último capítulo, vemos como Boaz obra em favor de Rute. Neste trabalho, Rute não tem nenhuma participação. Boaz está só quando sobe “...à porta “ (Rute 4:1). A porta de uma cidade era o lugar onde se exercia o juízo. Na realidade, a justiça deve ser satisfeita antes que Rute possa ser abençoada ou que o propósito de Boaz seja levado a cabo. Na porta Boaz responde a tudo e soluciona qualquer coisa que pudesse se tornar um obstáculo. Dez testemunhas são convocadas.Pedem que se assentem, pois não têm outra coisa a fazer senão verificar a incapacidade do parente mais próximo( Rute 3:12 e 4:2-4), e ainda para tomar nota de que seus direitos são plenamente reconhecidos e satisfeitos. Vemos nisto uma figura da obra poderosa de nosso grande redentor, Ele que subiu sozinho “à porta”, o lugar de juízo.
Alí, sobre a cruz, resolveu todo o problema entre o crente e Deus. Ali também demonstrou plenamente a incapacidade da lei para resolver nossa situação, mas sem deixar de reconhecer e satisfazer suas justas exigências.
Assim, uma vez removido todo obstáculo, chega finalmente o dia das bodas na qual “Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher”( Rute 4:13).
“E todo o povo que estava na porta e os anciões disseram : somos testemunhas “.
São testemunhas da benção de Rute, mas atribuem o poder e a glória a Boaz: “ Fasze-te já valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém”( vers.11) .
Este final feliz da história de Rute constitue uma formosa figura desse grande dia no qual a igreja será a espôsa de Cristo ( 2 Cor. 11:2), e o qual ainda aguardamos; dia esse que lemos : “...; porque vindas são as bodas do Cordeiro e sua espôsa se ataviou”( Apoc. 19:7).
Contemplando essa visão, o profeta João ouve outra vez, por assim dizer, a voz de todos do povo que estavam à porta com os anciões elevar-se em louvortes, mesmo que agora se tenham amplificado em um hino de poder infinito, como um estrondo de muitas águas, e como a voz de grandes tronos, que desciam: Aleluia, porque o Senhor nosso Deus todo poderoso reina ! Regozigemo-nos e alegremo-nos dando-lhe glória (Apoc. 19:6-7).
O dia das bodas do Cordeiro será a grande resposta a obra de redenção. A glória responde a cruz.
Esse dia, a esposa será infinitamente bendita, mas o poder e o louvor serão para o Cordeiro.
Toda a glória será para Ele; mas ainda, o Senhor Jesus virá nesse dia “o fruto da aflição de sua alma, e ficará satisfeito”( Isaías 53: 11). Nós também veremos seu rosto em justiça, e estaremos satisfeito quando nos achamos a sua semelhança ( Sal. 17:15).
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