sexta-feira, 1 de junho de 2012
Estar aos Seus pés como Maria (Lucas 10:38-42)
Estar aos Seus pés como Maria (Lucas 10:38-42)
Para o “homem de dores”, que raras vezes pôde beber um pouco de água como nos diz o Salmo 110:7 “Beberá do ribeiro no caminho...” . Ilhado como estava sem ter lugar para repousar sua cabeça, tinha em Betânia sua “casa”terrestre. Do mesmo modo não tinha ali também aqueles a quem chamava de “minha mãe e meus irmão”como sua verdadeira família, pois escutavam a palavra de Deus e a cumpriam (Lucas 8:21)? Sem dúvida alguma, os três anfitriões também formavam parte “dos seus que estavam no mundo”, amados no passado, no presente e até o fim ( João 13:1). Seu amor era conhecido alí “...aquele a quem amas está enfermo”e apreciado individualmente “...Jesus amava Marta e sua irmã e a Lázaro”e alí encontrava o retorno a que tinha direito.
A hospitalidade para com Ele era um destes retornos. Na casa de Simão, o fariseu, o Senhor não foi o objeto das atenções mais importantes que deveria receber um tal convidado. E Jesus manifesta a Simão que esta falta de atenção na realidade era falta de amor. Simão, como muitos de nós, era pouco consciente da grandeza do perdão divino. Em Betânia não houve tais reprovações, lá o mestre era bem recebido e isso deve ser enfatizado, pois nessa casa a responsabilidade era de Marta. "“ uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa”. Creio que isso nos foi escrito com tal precisão para justificar a Marta a qual será repreendida um pouco mais tarde, mas que ficasse o testemunho que no assunto que se refere ao exercício da hospitalidade não lhe faltava o amor.
Entretanto, em 1 Pedro 4:9 nos é recordado que a hospitalidade deve ser praticada sem murmurações. Tendo certo que era uma grande coisa receber em sua casa o Mestre. No entanto Marta, permitiu uma pequena murmuração no fundo de seu coração que deixou ser esteriorizada. E da visita de Seu Senhor sentiu, antes o fardo que o privilégio recebendo por isso a reprovação do Senhor. Mas mesmo assim Maria não abandonou seu lugar, a boa parte que escolheu, a qual não lhe será tirada.
“Não vos esqueçais da hospitalidade...” nos recomenda Hebreus 13:2, ...”porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram a anjos”. Marta tinha o privilégio de receber em sua casa Aquele que foi “feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Heb. 1:4). Logo terminará Sua obra, o céu se abrirá para acolher-lhe, esperando abrir-se também para recolher os Seus. Mas, ao honrrar com Sua presença a casa de Betânia, Jesus dá uma amostra, por um breve momento, do céu na terra. E esta é também a experiência que podemos ter irmãos e irmãs convidados como somos para estar na Sua presença, como uma primeira impressão do que será o céu, onde o Senhor prometeu estar presente e onde também louvamos em paz e todo o crente goza de Seu poder e da realidade de Sua presença.
Outro retorno ao Seu amor, era o interêsse pela Sua palavra. Esse retôrno aqui é dado por Maria, a outra irmã. “O que me ama, guardará a minha palavra” disse o Senhor a Seus discípulos. Tendo como consequência “E meu pai o amará e viremos e faremos nele morada” (João 14:23). Não era exatamente esse o privilégio na casa de Betânia ? O filho, com o pai do qual Ele era a perfeita expressão, habitava alí porque era amado, dando a Marta a insigne ocasião de serví-lo e a Maria de escutá-lo.
Em relação a essas duas mulheres, o Senhor é aqui o Mestre e Senhor. Se Marta ilustra o serviço para o Senhor, Maria esta na escola do Mestre que ensina ( Lucas 9:33-38). Mas a diferença de sua irmã distraída por muito serviço é que Maria sabendo escutar, saberá servir convenientemente, no momento certo. Sentada aos pés de Jesus, escutava a Sua palavra. Quando o Senhor fala nos convém escutar, isso não é somente uma questão de costume mas de bom senso. Um aluno atento é o primeiro a ser recompensado, uma atitude de Maria nos instrui sobre esse ponto.
Por um lado, ela esta ao Seus pés, o que significa reverência pois ouvia a palavra do Senhor como tendo autoridade, no sentido de que Aquele que ouvimos tem o direito de impor Sua vontade.
Por outro lado, ela esta acentada, uma posição de descanso necessária para prestar atenção. Que saibamos tomar uma atitude favorável, para escutar a palavra de Deus, como Samuel pede para Saul fazer em 1 Sam. 9:27 . O princípio de cada dia é por regra geral o momento mais propício para ler e meditar nas escrituras. Não somente não estamos ainda absorvidos pela exigente engrenagem de nossas ocupações cotidianas, mas somos guardados de começar a realizá-las antes de receber as instruções do Senhor, para que possamos saber como fazê-las.
“Sou teu cervo: dá-me inteligência para entender os Teus testemunhos”( Salmo 119:125). Em Jeremias 23:18-22, nos é recordado que antes de correr para cumprir um serviço o profeta deveria permanecer nele no “Seu conselho”. Como podemos explicar a constante atividade de Moisés ou de Josué se não por Exôdo 33:11 e Números 7:89 ?
Que contraste de atitude nessas duas irmãs!
Marta estava inquieta e se envolvia com muitas coisas, como o Senhor lhe diria que estava observando muito bem enquanto falava, mas Maria estava sentada descansando. Nós mesmos não nos sentimos ofendidos quando vemos que alguém, a quém nos dirigimos , nos escuta distraidamente ou se interessa por outra coisa enquanto falamos? Mas quando temos algo importante para falar, escolhemos o momento propício e contamos com toda a atenção de nosso ouvinte. Muitas vezes a falta de tranquilidade e o não sabermos parar e ficar quietos para ouvir o Senhor e por isso não podemos entender Seus pensamentos. No Salmo 23 diz “Deitar-me faz em verdes pastos”, porque para o crente como para a ovelha o repouso é a condição necessária para uma boa alimentação.
Ele pode dirigir-se diretamente a nós por Sua palavra como fez a Maria, mas também pode ensinar-nos através de nossas experiências e nossos erros. Maria ilustra a primeira maneira de aprender, e também a mais simples e mais bendita. Já Marta ilustra a segunda maneira,tendo o Senhor que nos repreender para que possamos ser corrigidos e assim recuperar a opnião que tínhamos sobre nós mesmos, ou seja que sem Ele não somos nada. Se aprendessemos, como Maria, diretamente da Sua palavra esta teria mais autoridade sobre nossas consciências e sobre nossos corações e teríamos menos necessidade dos ensinamentos através de experiências rudes, lições de disciplina e repreenção.
Mais tarde, na mesma aldeia ,acharemos os mesmos personagens, mas as lições foram aprendidas. Os capítulos 11 e 12 de João nos mostram as duas irmãs em uma atitude de oração, de adoração e de serviço irrepreesíveis. Lázaro morto no capítulo 11 foi ressucitado
no capítulo 12, silencioso testemunho mas bem vivo, já que somente sua presença a mesa com o Senhor basta para mostrar o que ele devia a Jesus. É a história maravilhosa da graça e do poder divino. Nesse homem, a glória de Deus se fez visível diante de todos ( João 11:40).
No Salmo 119:169-171 nos mostra, em ordem, o fiel aprendendo, orando e por fim adorando.
Mas como oaremos e acima de tudo como adoraremos, se não temos tido tempo para estar assentados aos pés de Jesus, que nos quer ensinar como, com inteligência, realizar esses dois serviços cristãos?
Maria foi objeto de muitas críticas, egoísmo, preguiça, perda de tempo e de dinheiro e da mesma forma as pessoas em relação com o Senhor tal como os discípulos em Marcos 14:3-9 ou Marta na cena de Lucas 10 . Que possamos aprender a não tentar justificar tais reprovações esquecendo-se das demais atividades cristãs, mas também não nos seja surpresa ser objetos de rejeições por causa do Senhor. Por acaso vemos Maria defender-se?
Não em absoluto mas o Senhor aprovou sua ação publicamente. E assim será para os fiéis de Filadélfia que tem guardado a Palavra do Santo e Verdadeiro. Ele mostrará aos seus acusadores para que conheçam que Ele os tem amado (Apoc.3:9).
Que esta promessa possa contribuir para o estímulo de nossos corações para que possamos responder as demandas do Senhor em resposta ao Seu amor e a tudo que tem por direito.
Guardemos a Sua Palavra e não negemos o Seu Nome.
J.K
Folheto “ A los Jovenes”
Novembro 1982
No 11/82
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