sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Tribunal de Cristo para os cristãos. by G.Hayhoe


O Tribunal de Cristo para os cristãos


“A obra de cada um se manifestará...” (I Cor. 3:13)

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito no corpo, ou bem, ou mal”. (II Cor. 5:10).



    Vamos ver o que Deus nos fala sobre o Tribunal de Cristo conforme nos é trazido em sua Palavra referindo-se aos crentes. Sabemos que aqueles que não conhecem ao Senhor Jesus ,como Salvador, e que morrem em seus pecados, terão que comparecer perante Ele também, mas em um tempo e maneira diferente. Eles o conhecerão como juiz, no “grande trono branco” para serem julgados pelos seus pecados, e porque seus nomes não estão escritos no livro da vida, eles serão lançados no lago de fogo (Apoc. 20:11-15).

    Para o crente o Tribunal de Cristo tem um caracter diferente. Será para manifestação e galardão. Será a manifestação “das coisas feitas pelo corpo”, para que possamos conhecer a avaliação do Senhor para nossas vidas, seja para perda ou galardão. Nós estaremos diante daquele que levou o juízo de nossos pecados na cruz do calvário, sabendo que Ele mesmo é a nossa justiça (II Cor. 5:21). Nossos pecados não serão lembrados contra nós, mas nós não saberemos até lá quão grande foi nossa dívida de pecado. Muitas vezes temos uma pequena apreciação da grande carga de pecados que Ele carregou por nós naquelas horas de trevas no calvário. Mas tudo deve ser trazido diante da luz, assim como o Senhor disse em Lucas 8:17 e isso intensificará nossos louvores. Um amigo pode se oferecer a pagar por sua dívida, mas você não saberá que a dívida foi paga até ver o recibo quitado, como o versículo que diz: “... segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal”.  Tudo então será manifestado.

    Nós também reconheceremos sua graça e paciência para conosco durante toda nossa vida, assim como nos mostrará, quando estávamos perdidos, quão freqüentemente desprezávamos sua oferta gratuita de salvação e mesmo assim Ele continuava nos buscando até que nos encontrou, e nos carregou em “seus ombros, com júbilo” (Luc. 15:4-5). Não seria uma perda se Ele não nos deixasse ver, em Sua presença, tudo o que nós éramos, assim como sua graça e bondade, incomparáveis que nos guiou ao arrependimento?

    Pois não havia bem nenhum em nossas vidas até sermos salvos, pois a Bíblia diz: “... os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rom. 8:8). Mas, quando Deus nos salvou Ele nos deu uma nova vida, a mesma vida de Cristo. Como alguém disse; Ele então começou a marcar os créditos de nossas vidas, e anota as coisas feitas para Ele. Mesmo que seja um copo de água frio dado em Seu nome, ou um pensamento em Seu nome ou ainda nossa confiança Nele será manifestada e galardoada naquele dia. Verdadeiramente até as coisas cotidianas da vida, se feitas para o Senhor, serão galardoadas (Col. 3:23-24).

    Sabemos que há falhas e pecados em nossas vidas, mesmo sendo salvos e sabendo que nossos pecados foram todos levados pelo Senhor Jesus no Calvário, ainda assim, deverão ser manifestados. Não se trata da questão de cobrança, pois por uma só oferta o Senhor Jesus aperfeiçoou o crente para sempre, de acordo com sua posição perante Deus (Heb. 10:14), assim lemos em I João 4:17 “para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual Ele é, somos nós também nesse mundo”.

    Porque então as coisas “más” são mencionadas em II Cor. 5:10? Assim como mencionamos anteriormente isso não somente revelará as riquezas de sua graça em salvar-nos, mas também pensamos em sua longanimidade e paciência para conosco, mesmo como crentes. Quão freqüentemente nós nos afastamos como Pedro e Ele nos traz de volta. “Ele restaura minha alma” (Salmo 23:3). Nós podemos ter desperdiçado as nossas vidas, ou parte delas vivendo para agradar a nós mesmos, quando deveríamos ter vivido, não para nós mesmos, mas para Ele que morreu e ressuscitou por nós (II Cor. 5:14-15). Tudo isso será manifestado, pois somente o que foi feito para Ele em obediência à Sua Palavra será galardoado. O resto será tudo perdido, como aprendemos em I Cor. 3:8-15. Nós veremos esses versículos em particular, mais a frente, mas eles nos mostram claramente que há perda ou galardão como resultado dessa  manifestação. Algumas coisas podem ser reveladas de antemão, mas tudo então será trazido certamente à luz. Nós aprendemos em I Cor. 3:15 que aquele cujas más obras são queimadas, é sem dúvida salvo, pois é a obra de Cristo somente que lava nossos pecados e nos capacita para o céu, não nossas próprias obras.
    É, entretanto, possível ter uma alma salva e uma vida perdida.  Ao pensarmos no tribunal de Cristo e na manifestação de nossas vidas, e que quando nós consideramos Seu grande amor por nós, certamente seremos, então, constrangidos a viver para Ele.
    Esses versículos que acabamos de considerar falam das “coisas feitas por meio do corpo”, nos dando um pensamento geral de toda nossa vida. Vejamos I Cor. 3:8-15 e notaremos que essa passagem trata particularmente de nosso serviço para o Senhor. Pense nessas maravilhosas palavras do versículo nove, “Porque nós somos cooperadores de Deus”, e ainda mais maravilhoso é que o Senhor Jesus tendo lavado todos os nossos pecados com Seu precioso sangue, diz que haverá um galardão pelo nosso trabalho feito para ele, se esse for segundo Sua vontade (vers. 8).
    O apóstolo continua a dizer que existe um edifício espiritual sendo construído, no qual temos o privilégio de trabalhar. Paulo, inspirado pelo Espírito de Deus, foi usado para lançar a fundação, pois essas epístolas inspiradas lançaram a fundação do Cristianismo. Usando as Sagradas Escrituras – a Palavra de Deus – como fundamento de nosso serviço para o Senhor, temos o privilégio de trabalhar para Ele. Mas possamos ser cuidadosos para seguir os planos de Deus em nosso trabalho, pois se assim não for, estaremos edificando “madeira, feno ou palha”. Podemos estar tão ansiosos para ver resultados que nos afastamos da verdade de Deus em nosso serviço, ou misturamos verdade e erro juntos. Assim como num edifício natural, o construtor inspeciona se a obra está de acordo com a planta, assim será a manifestação de nosso trabalho e labor no tribunal de Cristo. Será “ouro, prata, pedras preciosas” ou será “madeira, feno e palha?” “O dia a declarará” (vers. 12-13).

    O fogo – o julgamento daquele cujos olhos são como chamas de fogo – que vê todas as coisas – (Apoc. 1:14) manifestará nossas obras. “Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento, mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (I Cor. 3:14). É claro, a partir disso, que não é a pessoa – o servo – que está sendo julgado, mas a sua obra. Um crente pode “sofrer detrimento” então. Tempo, energia, habilidade e possessões podem ser usadas para o Senhor, mas não têm valor algum se não usados para Ele, de acordo com a Palavra. E, se alguém também milita não é coroado se não militar legitimamente (II Tim. 2:5). Se o que Ele nos tem dado é usado para Ele em obediência, haverá galardão, assim como nos mostra o versículo. Logicamente, o galardão não deve ser o nosso motivo, mas é o Seu amor que nos constrange a viver para Ele, e será Seu gozo nos dar galardão. Teremos o privilégio de prostarmos aos Seus pés e Lhe dar toda a glória (Apoc. 4:10). As Escrituras falam do pastor fiel recebendo uma coroa incorruptível de glória “(I Pe. 5:4). Paulo disse” nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mais excelente “(II Cor. 4:17). Quão maravilhoso pensar que Aquele que uma vez usou uma coroa de espinhos por nós, apreciaria nossos débeis esforços para Lhe dar uma coroa de prazer. Tudo se manifestará no tribunal de Cristo. Agora em I Cor. 4:1-5 encontramos o terceiro aspecto do tribunal de Cristo. Encontramos aqui que Deus manifesta os desígnios do coração. Ele sabe não somente o que fazemos, mas porque fazemos. Ele esquadrinha nossos corações. Não conhecemos nossos próprios corações, e muito menos os corações e motivos dos outros. Não temos que julgar as coisas meramente como aparentam no “dia do homem”, nem fazer uma avaliação de nossas próprias vidas, mas tudo será manifestado naquele dia. Se tivermos um motivo errado e fizermos coisas aos olhos de outros e não realmente para o Senhor, isso virá à tona então, pois ‘não há coisa oculta, que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir a luz” (Lucas 8:17).

    O compositor do hino disse:

    “Obras, que segundo pensávamos, mereciam méritos
    Ele nos mostrará que não passavam de pecados,
    Coisas pequenas, há tempo esquecidas,
    Ele, nos mostrará, que foram feitas para Ele “.

    Há o lado brilhante desta manifestação. Talvez tentássemos fazer alguma coisa com amor para com o Senhor Jesus, e o fizemos, mas não como deveríamos ou planejávamos. Talvez os outros criticassem, mas o Senhor conheceu nossos corações e Ele galardoará o desejo. Assim como aquela pequena menina que tentou ajudar sua mãe, mas ela derrubou um valioso prato de porcelana que se quebrou. A mãe não poderia recompensar a sua ação, mas ela amavelmente recompensou o desejo de sua filhinha em agradá-la. Como está escrito, “e então cada homem terá o louvor de Deus”. Nós, com certeza, iremos louvá-lo, mas não é maravilhoso pensar que ele nos louvará?

    Já temos considerado o aspecto de toda nossa vida como uma revisão, nosso serviço para o Senhor, e também os motivos que governam nossas ações. Vejamos Romanos 14 onde encontramos outro aspecto dessa manifestação. O versículo 10 diz, “... por que julgas teu irmão? Ou tu, também por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo”. É necessário para nós considerarmos o quanto nossas ações afetam os outros, especialmente os filhos de Deus, “Porque nenhum de nós vive para si...”, versículo sete. Quando pensamos em estar lá na presença do Senhor Jesus enquanto Ele revisa nossas vidas, veremos os outros com quem tivemos contato e saberemos como nossas ações os afetaram. Fomos um auxílio ou impecílio? Agimos impensadamente e descuidadamente, ou tentamos encorajá-los ou ajudá-los?

    Freqüentemente pergunta-se, se essa manifestação será pública. Será que todos verão e saberão tudo sobre nós? As Escrituras não respondem diretamente, mas eu acredito que todos nós estaremos lá como troféus da graça. Nós sabemos hoje das falhas do rei Davi como um crente, e das de Pedro que negou o Senhor. Nós conheceremos aquele homem que teve uma legião de demônios antes de ser salvo, e Maria Madalena que tinha sete demônios antes do Senhor salvá-la e muitos outros. Mas nós não estaremos ocupados com isso. Por causa da velha natureza em nós, e do orgulho do nosso coração natural, nós nos preocupamos muito sobre o que os outros pensam de nós agora, mas lá tudo o que nos importará será: O que o Senhor Jesus, que morreu por mim, pensa de minha vida? É ela aceitável para Ele? Quão bom para nós pensarmos sobre isso agora, pois como Paulo disse: “... somos manifestos a Deus” (II Cor. 5:11). Ele nos conhece agora e Ele nos mostrará lá! “Pelo que muito desejamos também lhe ser agradáveis, quer presentes quer ausentes” (II Cor. 5:9). Nossas vidas como crentes, são como um presente que preparamos para alguém que amamos e quando o pacote é aberto esperamos ouvir dele ou dela comentários, assim estamos muito ansiosos em ouvir a aprovação de nosso Amado. Quão maravilhoso será, seja qual for à medida ouvirmos do Senhor Jesus: “bem está” (Mat. 25:23). Certamente nós queremos agradá-lo acima de tudo.

    Outra questão levantada é como nos sentiremos? As escrituras nos falam de estarmos envergonhados (I Jo. 2:28) e, também de sofrer detrimento (I Cor. 3 :15). É difícil para nós agora pensarmos em vergonha e detrimento, sem pensar em orgulho ferido e no que os outros pensarão. Mas pensemos dessa maneira. Como o Senhor se sentiu vendo como eu vivi hoje? Creio que no Tribunal de Cristo eu saberei como Ele se sentiu, e sentirei exatamente o mesmo que Ele. Entretanto, alegrar-nos-emos em ver queimado tudo o que não teve a Sua aprovação, e somente o que foi verdadeiramente feito para Ele permanecer. Todo ato em nossas vidas então tem conseqüências presentes e eternas. Nós podemos perder o gozo do Senhor em nossas almas, e mesmo estando sob Seu governo no presente, jamais recuperarmos o que perdemos na eternidade. “Porque o que semeia na sua carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito ceifará vida eterna” (Gal. 6:8).

    Os galardões dados têm a ver especialmente com o Reino do Senhor Jesus – o milênio. As escrituras falam da “coroa de glória” (I Ped. 5:4), “a coroa da vida” (Tiago 1:12, Apoc. 2:10) a “coroa da justiça” (II Tim. 4:8) e da “coroa de gozo” (I Tess. 2:19). Também é falado de nossa posição no reino segundo nossa fidelidade – “... sobre cinco cidades” e “sobre dez cidades” (Lucas 19:17, 19). Outra vez “se sofremos, também com Ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará”. E não havendo “reino” no estado eterno, a posição é eternal (Apoc. 22:5) e os galardões serão eternais (II Cor. 4:17, Gal. 6:8, I Jo. 2:17). A noiva aparece no estado eterno com toda a beleza do dia do casamento, porque de uma maneira prática ela havia se preparado para isso, “pois o linho fino são as justiças dos santos” (Apoc. 19:8). O que foi feito para o Senhor Jesus jamais perderá sua preciosidade diante dos Seus olhos.
    Possa o pensamento dessa manifestação no Tribunal de Cristo falar aos nossos corações e consciências agora, para que nós, tratemos de fazer como o amado apóstolo Paulo, cheio de gozo do amor de Cristo, procurou viver sua vida em vista aquele dia.
                                                                                 


Gordon H. Hayhoe

Nenhum comentário:

Postar um comentário