sexta-feira, 1 de junho de 2012

O livro de Rute


O Livro de Rute

Introdução

O livro de Rute  nos dá um encanto particular, de modo que este breve relato exerce uma grande atração até no mais indiferente leitor.
Trata-se de uma história de amor, na qual se mistura tristeza e alegria, faltas e consagração, vida e morte, cujo fim é a chegada do dia das bodas e do nascimento do herdeiro.
O cenário  dá descanso ao espírito ao transportar-nos as regiões campestres em companhia dos segadores de espigas.
Entretanto para o cristão que lê essas páginas sagradas, tendo a Cristo como meta, o livro de Rute apresenta algo mais profundo que adquire um significado mais rico, porque discerne nas Escrituras “... o que dele se achava em todas as Escrituras”( Lucas 24:27).
Do ponto de vista histórico, este livro nos apresenta importantes fatos da genealogia humana do Senhor Jesus.
Termina com uma breve lista de dez nomes, sendo o último o do Rei Davi. No primeiro capítulo do Novo Testamento esses dez nomes ocupam um lugar de honra na descendência do Rei dos reis, mas com a diferença de que o Espírito de Deus os associa a quatro nomes de mulheres, das quais uma delas é Rute a moabita. Chama a atenção o fato de que cada uma das mulheres está ligada a episódios caracterizados por pecado e infâmia, fazendo ressaltar que “onde abundou o pecado, superabundou a graça”( Rom. 5:20).
Portanto, o livro de Rute é um testemunho da graça de Deus que, treze séculos antes da vinda do Rei, assegurava a linha pela qual deveria ter sua descendência triunfando sobre todos os desacertos e fracassos do povo e engrandecendo-se ao introduzir uma estrangeira – moabita – nessa genealogia do Rei.
O povo de Deus se encontrava em um período de ruína e debilidade, entretanto, é evidente que Deus não se deixava deter por esse estado e prosseguia em seus caminhos, levando a cabo seus propósitos para estabelecer seu Rei. Além disso, Deus se serviu das circunstâncias do momento e da ruína do povo para levar a cabo o que havia determinado fazer. Quem poderia pensar que um tempo de fome em Belém poderia ter relação com o nascimento do Rei nessa mesma cidade treze séculos mais tarde?  Entretanto, foi assim, onde a fome foi apenas um elo na cadeia de circunstâncias que introduziram a Rute , a moabita na descendência do Rei.
Para nós que vivemos em dias que o povo de Deus se caracteriza por ruína e debilidade ainda mais acentuadas, encontramos consolo para nossos corações e descanso para nosso espírito. E ao nos tornarmos conscientes de que mais além dos fracassos do homem, através dos tempos, Deus leva sempre a cabo o cumprimento de seus desígnios em Cristo, para glória de Cristo e a benção de seu povo, seja esse terreno ou celestial. Apesar do poder do inimigo, da oposição do mundo, dos fracassos de seu povo nada pode impedir que Deus leve seus conselhos de bênçãos a sua gloriosa realização. Da mesma maneira que na história de Rute, tudo concorre no dia das bodas, assim também para Israel tudo concorre para o estabelecimento de sua relação com Cristo, e para o grande dia das bodas do Cordeiro. Do ponto de vista tipológico, o livro de Rute mostra que os cumprimentos de todas as promessas de Deus relativos a Israel se fundamentam em sua graça soberana já que a nação perdeu todo direito as bênçãos sobre a base de sua própria responsabilidade. O livro de Rute também mostra um grande contraste com o livro que o precede. O livro de Juízes revela a decadência do homem sempre cada vez maior apesar da intervenção e ajuda divina, e termina com as cenas mais sombrias de trevas e degradação moral. O livro de Rute trata da atividade da graça de Deus apesar da ruína do homem e termina com uma cena de gozo e benção.
Além de seu alcance histórico e figurativo, este livro é também rico em instruções morais e espirituais. Aprendemos algo dos caminhos fiéis e misericordiosos de Deus para conosco em nossa vida pessoal, para tirar-nos de nossas trevas naturais e transportar-nos à luz de seu propósito em Cristo ou para restaurar-nos em seus caminhos de graça quando nos desviamos d’Ele.
Desejamos meditar neste comovedor relato principalmente sob o aspecto de seus : ensinamentos morais.

Capítulo um  - Rute a estrangeira

Salmo 146: 8:9 “O Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos; o Senhor guarda os estrangeiros; sustém o orfão e a viúva”.

O primeiro versículo de Rute situa os acontecimentos deste livro “... nos dias em que os juízes julgavam.” No último versículo do livro anterior nos mostra que a época dos juízes se caracterizava por duas coisas: primeiro: “nesses dias não havia rei em Israel”, segundo: “... cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos”. Juízes 21: 25
Com efeito, é muito delicada a condição de um país no qual cada um faz o que bem lhe parece, de maneira que não se faz nada de bom. Seu fim é o predomínio da vontade própria, que despreza todo limite e tolera todo desenfreio. Tal era a condição na qual havia chegado o povo de Deus durante o tempo dos juízes.
Desgraçadamente, por muitos aspectos, esta triste situação se encontra no mundo de hoje e na cristandade professa. Os mesmos princípios estão em vigor, produzindo os mesmos resultados. A vontade própria do homem, que considera insuportável toda obrigação despreza cada vez mais qualquer forma de autoridade. Como resultado o conjunto do sistema mundial está cada vez mais desmoralizado e caindo rapidamente no caos.
Mas, ainda mais grave, é o fato de que esses mesmos princípios que semeiam a confusão no mundo atuam entre o povo de Deus com os mesmos resultados desastrosos. Por isso vemos esse povo dividido, dispersado sem que se detenha o processo de desintegração. O exercício da vontade própria exclui a autoridade do Senhor e despreza a função diretora do “cabeça”. Como o mundo, a grande massa de cristãos faz o que lhe parece bem.
Esses princípios já estavam em ação durante os tempos do apóstolo Paulo, já que ele teve de advertir os cristãos a não deixarem de estar  ligados ao “Cabeça” (Col. 2:19) , e comprovar com dor que “todos buscam o que é seu, não o que é de Cristo Jesus”(Fil. 2:21).
 Desde o momento que deixamos de buscar todos os nossos recursos em Cristo, o Cabeça exaltado da Igreja, a qual é o Seu Corpo, e desde que não atuemos debaixo da direção do Senhor e do controle do Espírito Santo, passamos a fazer o que nos parece bem a nós mesmos.
Pode ser até que não façamos nada de mal, do ponto de vista moral aos olhos do mundo, e até podemos ser ativos em boas obras e perfeitamente sinceros, mas em nossas atividades os direitos do Senhor e a direção do “Cabeça” são ignorados e simplesmente nossa vontade própria é a que atua e faz o que melhor nos parece .
A triste conseqüência do miserável estado de Israel se acha descrita no primeiro versículo do nosso capítulo : “Houve fome na terra”. O país em que deveria haver abundância por excelência, “terra que mana leite e mel” (Deut. 6:3) não havia o suficiente para responder as necessidades do povo de Deus.
Desgraçadamente, os mesmos males produziram conseqüências similares na cristandade. Ao não estar firme no “cabeça”, e ao não dar ao Senhor o lugar de autoridade que lhe é devido os cristãos fizeram o que melhor lhes parecia e formaram inumeráveis seitas nas quais o povo de Deus está sofrendo pela falta de alimento espiritual. A casa de deus que deveria ser um lugar de abundância chegou a ser, nas mãos dos homens, um lugar de fome.

1- A  prova pela fome.

Do ponto de vista individual, um período de fome é um período de prova para o cristão. A fome é uma prova para nossa fé. Elimeleque habitava no país que Deus havia dado a Israel.
Ali se encontrava o tabernáculo, os sacerdotes e o altar, mas nos caminhos governamentais de Deus a fome também se encontrava lá. Para Elimeleque a prova consistia nisso: poderia colocar sua confiança em Deus durante o tempo de fome e permanecer no caminho traçado por Deus apesar da dificuldade desse caminho?
Desgraçadamente esse homem de Belém não esteve à altura da prova. Desejava habitar no país eleito por Deus separado das nações ao redor durante os tempos de abundância, mas debaixo da pressão da fome logo o abandonou.
Do mesmo modo, na história da Igreja muitos se mostraram ditosos de estarem unidos ao povo de Deus e ao testemunho do Senhor quando os incrédulos se convertiam aos milhares, quando todos os que criam eram de um só coração e uma só alma, quando “... com grande poder... e havia abundante graça”. (Atos 4:33)
Mas quando os cristãos professos começaram fazer o que bem lhes bem parecia, quando todos buscavam seus próprios interesses o apóstolo Paulo se encontrava na prisão e o Evangelho em aflição então veio a fome. Com a fome veio o tempo de prova e debaixo da pressão que se seguiu a fé de muitos foi quebrantada ao ponto de Paulo dizer: “... todos se apartaram de mim”(2Tim.1:15) e também: “porque todos buscam o que é seu”(Fil. 2:21).
Assim mesmo hoje em dia não escapamos da prova de fome. Deus em Sua misericórdia uma vez mais mostrou a numerosos crentes o verdadeiro terreno de reunião para os seus e muitos atraídos pelo ministério da Palavra aceitaram com gozo o caminho da separação. Mas quando vem a prova, quando o número diminui, quando a debilidade exterior se manifesta e o alimento espiritual míngua então estimam que esse terreno seja demasiado estreito para eles, a debilidade é muito pesada e a luta muito dura. Sob a pressão das circunstâncias, abandonam o lugar e se extraviam em outros de sua própria eleição onde esperam escapar da prova e encontrar a trégua do combate.
Tal é o caso de Elimeleque. Notemos que seu nome significa (cujo Deus é Rei). Talvez seus pais fossem pessoas piedosas que vendo que não havia Rei em Israel desejavam que Deus fosse o Rei na vida de seu filho. Desgraçadamente, como tantas vezes, negamos nosso nome de cristãos. Quando vem a prova Elimeleque erra em não obedecer a seu Rei. Entretanto Deus é Rei e pode manter aos seus tanto nos dias de fome como nos dias de abundância. Mas a fé de Elimeleque, que não está a altura do significado de seu nome e, portanto não pode resistir a pressão das circunstancias. Sua mulher e seus dois filhos o seguem de modo natural
Ao abandonar o país de Deus chegam ao país que eles elegeram. Pior ainda, chegando  aos campos de Moabe “... ficaram ali” (Rute 1:2). Na realidade é muito mais fácil persistir numa posição falsa que numa posição correta. O lugar eleito por Elimeleque é sem dúvida significativa. Os países que rodeiam a terra prometida são uma figura do mundo sob diferentes formas.
O Egito representa o mundo com seus tesouros e seus prazeres culpáveis, acima de tudo a servidão a Satanás que leva a busca do prazer. A Babilônia simboliza o mundo religioso corrompido. Moabe apresenta um outro aspecto do mundo, o profeta Jeremias oferece uma “chave”para seu significado espiritual no capítulo 48:11 “Moabe esteve descansado desde sua mocidade, e repousou nas suas fezes, e não foi mudado de vasilha para vasilha”. Assim, Moabe evoca uma vida de facilidade que passa tranquilamente sem grandes mudanças, na qual procura proteger esta quietude de toda forma de intrusão. Para utilizar a linguagem do profeta seria dizer que nunca sofreu nenhuma contradição. Nem o Egito com seus prazeres, nem Babilônia com sua religião corrompida atraíram a Elimeleque, mas Moabe que oferecia seu bem estar  conforto e descanso exerceu sobre ele um atrativo considerável como meio de escape das lutas e provas. Quando reina a fome Moabe constitui uma armadilha temível para aqueles que um dia aceitaram o terreno eleito por Deus para seu povo.
Nos tempos de fome pode parecer pesado de mais o combate para manter um caminho de separação e muitos são tentados a abandonar a “boa milícia da fé”(1Tim.6:12) e instalar-se tranquilamente em algum vale retirado de Moabe para não sofrer contradições e estabelecer-se em seus próprios negócios. Mas, como Elimeleque, devemos  de conhecer através de amargas experiências as conseqüências da deserção. Como vemos Elimeleque não chegou só ao país de Moabe, mas com sua mulher e dois filhos e ficaram ali. Não houve restauração para Elimeleque, o país de Moabe veio se tornar para ele o “vale da sombra da morte”. Tentou escapar da opressão mortal da fome, mas ele foi sozinho lançar-se nos braços da morte em Moabe. As mesmas medidas que tomou para evitar a morte o levaram a ela. Um passo errado em lugar de nos distanciar de nossos problemas nos aproxima diretamente deles. Ademais, buscar repouso no mundo, mesmo no que moralmente não é errado é procurar segurança em coisas que a morte pode nos tirar. A sombra da morte está presente na terra até nas cenas mais formosas. Mas Cristo ressuscitou e a morte já não tem poder sobre Ele, e vale muito mais sofrer de fome por Cristo ressuscitado do que estar rodeado da abundância do mundo em companhia da morte.
Elimeleque então morre!
As tristes conseqüências de seu passo errado não se limitam somente a Ele. A exemplo de Noemi, sua esposa e seus dois filhos também o  seguiram até Moabe. Seus filhos se unem em casamento a duas mulheres de Moabe e infringem deste modo a Lei de Deus. Dez anos se passam.
A morte então reclama seu direito sobre os dois filhos e Noemi é privada de seu marido e de seus filhos, encontra-se agora viúva e sozinha num país estrangeiro. De fato, Deus a abateu e a afligiu, mas não a abandonou. A mão que golpeou esta mulher dolorosamente abatida é movida por um coração que a ama. A disciplina do Senhor prepara o caminho de sua restauração.




2- Apartar-se das falsas associações

Se Elimeleque ilustra o caminho da caída, em Noemi vemos o da restauração. Longe do país de Jeová durante longos anos, ela buscou seu bem estar nos país de Moabe e  encontrou somente aflição. Mas, finalmente a disciplina do Senhor chega ao seu objetivo, porque lemos: “Então se levantou ela com suas noras, e voltou dos campos de Moabe”(Rute 1:6).
O que a obrigou a voltar? Foram os sofrimentos e as dolorosas perdas? Não, foram às boas novas da graça do Senhor que a atraiu. Quando ela ouviu dizer que “o Senhor tinha visitado seu povo, dando-lhe pão”, é que ela se levanta e volta a seu país.
As perdas não nos motivam a voltar a Deus, ainda que sirvam para nos ensinar quão amargo é nos afastarmos e preparam, assim, nossos corações para recebermos as boas novas concernentes ao Senhor e Sua graça para os seus. Não foram as misérias e as privações, não foi a escravidão cruel, nem as bolotas que os porcos comiam e nem a fome sofrida no longínquo país que trouxeram o filho pródigo de volta à casa paterna, senão a recordação da abundância e da graça do coração do pai que levaram-no a dizer: “levantar-me –ei e irei ter com meu pai”(Lucas 15:18). É o mesmo que acontece aqui com Noemi.
No país de Moabe onde tudo lhe foi tomado, ouve falar do país de Judá e o que Deus deu ao Seu povo. E porque ela tem diante de seus olhos a Deus, pode levantar-se acima de todas as suas faltas e colocar-se em marcha em direção ao seu país.
Seu primeiro passo no caminho de volta é se  libertar de suas falsas associações com Moabe. “Por isso saiu do lugar onde estivera”(Rute 1:7). Este ato particularmente prático influi de repente sobre outros. Por exemplo, suas duas noras saem com ela. Testemunhar contra uma posição falsa e não se apartar dela não exerce nenhuma influência sobre os demais. Se a posição é falsa o primeiro passo é deixá-la. É o que Noemi faz. Ela e suas noras se voltam em direção à terra de Judá. Rompem com as suas falsas associações tendo diante de si uma meta correta, Judá!

3-A profissão de Orfa.

No entanto, o fato de apartar-se de uma posição errada e propor-se a voltar a uma posição correta, não implica necessariamente a um exercício real no coração de todos que dão esse passo. Das 3 mulheres Noemi é uma crente desgarrada, mas está no caminho da restauração; Rute é o testemunho da graça soberana de Deus que se caracteriza pela fé e um abnegado afeto, enquanto que Orfa se contenta com uma profissão aparente e vazia e que jamais alcançará a terra prometida. Tanto Orfa como Rute fazem uma profissão de abnegação para com Noemi. Ambas declaram que desejam ir com Noemi e seu povo e começam a caminhar em direção a terra de Deus. Mas, como sempre, a profissão é posta à prova. Noemi diz: “ Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe”(Rute 1:8). É oferecida a cada uma a oportunidade de voltar atrás. Esta prova mostrará se no mais profundo de seus pensamentos concordam com o que professam. Lembram do país de onde saíram, então têm a possibilidade de voltar ( comparar hebreus 11:15). O pensamento íntimo de Orfa se manifesta de imediato. Seu coração fica apegado ao seu país de nascimento. Veremos que Rute, ao contrário, deseja “uma pátria melhor”(Heb. 11:14-16). Pois bem, Orfa faz uma profissão formosa, mas não passa disso. Está muito emocionada, a tal ponto de elevar a sua voz e chorar( Rute 1:9). Seus afetos são comoventes, pois beija a sua sogra (verso 14) e em suas palavras não falta beleza: “Certamente voltaremos contigo ao teu povo ( verso 10). Mas nos chama a atenção o fato que somente Rute menciona o Deus de Noemi; Orfa se contenta falar de Noemi e seu povo. Assim apesar de suas declarações, lágrima e beijos, ela deixa Noemi, o Deus de Noemi e o país de benção para voltar ao seu povo e a seus deuses
( verso 15) e ao país da sombra da morte.

4-O apego de Rute.

Que diferente é a história de Rute! Esta jovem será o testemunho da graça de Deus. Como Orfa, Rute faz uma profissão notável. Também expressa belas palavras e se mostra tão comovida como sua cunhada, porque eleva sua voz e chora com ela. Mas Rute tem algo mais. Nela se encontram “As coisas concernentes à salvação”, a fé, o amor e a esperança (Heb. 6:9-12).
Em Orfa, o amor se reduz a uma simples manifestação exterior de afeto. Pode beijar a Noemi para despedir-se, como de certa forma fez Judas, mais tarde, ao trair o Senhor com um beijo. A Bíblia não nos diz que Rute beijou sua sogra ainda que a expressão exterior esteja ausente a realidade pode ser outra, porque nos diz que “Rute se apegou a ela”(verso 14). O amor real não renuncia a seu objeto, e a companhia da pessoa amada é indispensável. Por isso Rute acrescenta “não me instes para que te abandone”(verso16).
Além do mais a fé de Rute está à altura de seus afetos. A energia da fé a faz capaz de vencer os laços naturais de seu país natal, da casa de sua mãe, de seu povo e de seus deuses.
 Rute toma resolutamente o caminho de peregrino e declara: “Onde quer que tu vás irei eu”. Aceita sofrer o destino do estrangeiro dizendo: “Onde quer que pouse, ali pousarei eu”. Identifica-se com o povo de Deus mediante essas palavras: “O teu povo é o meu povo”. Finalmente e acima de tudo ela põe sua confiança no verdadeiro Deus, porque não somente fez seu o povo de Noemi, senão que acrescenta: “O teu Deus é o meu Deus”(verso 16).
Nem sequer a morte a faz voltar atrás, porque diz: “Onde quer que morra, morrerei eu”(verso 17). Tanto na morte como na vida se identifica com Noemi e como conseqüência, reivindica para si mesma o povo e o Deus de Noemi, e tudo isto quando, à vista dos homens, Rute tinha diante de si apenas uma velha viúva quebrantada. Como disse alguém, Rute uniu o seu destino ao de Noemi na hora de sua viuvez, de seu exílio e de sua pobreza.
Para o homem inteligente deste mundo, a escolha de Rute é insensata. Deixar as comodidades de Moabe, a ternura de seu lar e de seu país natal, para começar uma viagem através de regiões desconhecidas para chegar a um país desconhecido, com a única companhia de uma viúva na miséria, parece ser loucura.
Mas isso é apenas o princípio da história. O final não pode ser vislumbrado. O que Rute chegará a ser “... ainda não é manifestado o que havemos de ser.” (1 Jo. 3:2)
A fé pode ser levada a dar seu primeiro passo em um contexto de debilidade e de miséria, mas, no final será justificada e receberá sua esplendida recompensa em circunstância de poder e glória. No princípio de nosso relato, Rute se identifica de todo o coração com uma velha mulher desolada; no final, é apresentada como a esposa do poderoso Boaz. Também tem seu nome é incluído na genealogia do Senhor, e será transmitido a todas as gerações futuras.
Em sua época Moisés, dotado de todas as vantagens que a natureza podia dar ,com todas as glórias do mundo ao seu alcance, foi também um exemplo resplandecente da mesma fé. Deixando de lado todos os deleites do pecado e da opulência dos faraós “tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito” (Heb. 11:26) , posto o mundo de lado e todas as suas glórias para encontrar-se com Ele no deserto com um povo pobre e sofrido. Que loucura aos olhos do mundo!
Mas a fé podia dizer neste momento: o que vai acontecer? “... ainda não é manifestado.”

Para o homem inteligente deste mundo, a escolha de Rute é insensata. Deixar as comodidades de Moabe, a ternura de seu lar e de seu país natal, para começar uma viagem através de regiões desconhecidas, para chegar a um país desconhecido, com a única companhia de uma viúva na miséria, parece ser loucura.
Mas isso é apenas o princípio da história. O final não pode ser vislumbrado. O que Rute chegará a ser “... ainda não é manifestado...”. (1 Jo. 3:2)
A fé pode ser levada a dar seu primeiro passo em um contexto de debilidade e de miséria, mas, no final será justificada e receberá sua esplendida recompensa em circunstância de poder e glória. No princípio de nosso relato, Rute se identifica de todo o coração com uma velha mulher desolada, no final, é apresentada como a esposa do poderoso Boaz. Também tem seu nome incluído na genealogia do Senhor, e será transmitido a todas as gerações futuras.
Em sua época Moisés, dotado de todas as vantagens que a natureza podia dar com todas as glórias do mundo ao seu alcance, foi também um exemplo resplandecente da mesma fé. Deixando de lado todos os deleites do pecado e da opulência dos faraós “ Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito”(Heb. 11:26), posto o mundo de lado e todas as suas glórias para encontrar-se com Ele no deserto com um povo pobre e sofrido. Que loucura aos olhos do mundo!
Mas a Fé podia dizer neste momento: o que vai acontecer “... ainda não é manifestado...”. A fé devia esperar dezesseis séculos antes de perceber o que seria de Moisés, pois então a Fé permitiu ver este servo de Deus aparecer em glória sobre o monte da transfiguração em companhia do Filho do Homem, visão efêmera de uma glória que não passará jamais ( Lucas 9:28-31).
E quando por fim, Moisés entrar nas glórias do reino vindouro em companhia do Rei dos reis, então será evidente para todos que as glórias do mundo que Moisés desprezou eram insignificantes comparadas com o eterno peso da glória que terá ganhado.
Hoje em dia não é diferente. O caminho da fé pode parecer o cúmulo da loucura aos olhos do mundo. Desprezar a glória que nos oferece identificar-se com o povo de Deus pobre e desprezado, sair a Cristo fora do arraial levando o Seu vitupério, pode parecer a primeira vista, uma loucura para o homem natural.
Mas a fé repete: “... ainda não é manifestado...”. A fé estima que “Esta leve e momentânea tribulação produz em nós um peso eterno de glória mui excelente “. (2 Cor. 4:17) . E a fé receberá sua recompensa, por que quando ao fim raiar o dia de glória e a fé for transformada em visão, quando o grande dia das bodas do Cordeiro chegue e os cristãos hoje pobres e desprezados aparecerão com Ele e serão semelhantes a Ele, como “...a esposa, a mulher do cordeiro” (Apoc. 21:9) .
Além disso, as coisas que pertencem a salvação , a fé, o amor e a esperança estão ativas em nós e nossos corações estarão profundamente convencidos. Assim ocorreu com Rute. Sem consideração para com o país que deixava livre de qualquer pensamento, estava convicta a seguir Noemi. “Assim, pois se foram ambas até que chegaram a Belém...”(Rute 1:19). Que benefício quando  animados pela fé, amor e esperança, “esquecendo-me das coisas que para traz ficam e avançando para as que estão diante de mim prossigo para o alvo, ao premio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Filp. 3:14).

5- A Restauração de Noemi

Essa parte da história de Rute termina naturalmente com o recebimento da alma restaurada.
Vimos como a amargura envenena o coração extraviado, e como o Senhor o restaura através de sua graça. Então aprendemos que a resposta correta em um trabalho de restauração é a recepção da alma restaurada no seio do povo de Deus. Com os seus olhos ao país e ao povo de Deus, a crente restaurada e a jovem convertida prosseguiram seu caminho “... até que chegaram a Belém, toda  a cidade se comoveu por causa delas...” (Rute 1:19). Que pena! Devemos reconhecer que hoje existe pouco poder de restauração entre nós; não será porque nos falta compaixão para com aqueles que caíram? Um crente pode cair, o mal pode ser julgado, e o culpado tratado como convém sem que sejamos comovidos por ele, de maneira que é raro que o crente extraviado reencontre seu lugar no povo de Deus.
O mundo está cheio de corações tristes e quebrantados, de cristãos errados, que raramente são restaurados e que poucos, somos comovidos por eles.
Não há nada que possa completar melhor o trabalho de restauração de uma alma que a compaixão dos cristãos. Assim ocorreu com Noemi. O amor com que ela foi recebida permitiu que seu coração abrisse e expressasse uma confissão notável, que atesta a realidade de sua restauração.

1- Ela reconhece que Deus nunca a abandonou qualquer que fosse suas faltas. Quanto aos seus anos de extravio, confessa que “... porque grande amargura me tem dado o todo Poderoso...”(V.20), admitindo implicitamente que Ele não esqueceu de cuidar dela. Às vezes nos esquecemos de Deus, mas Ele nos ama de tal maneira que nunca cessa de cuidar de nós.
Felizmente é assim porque como diz o apóstolo: “Se suportais a correção, Deus vos trata como filho... Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, logo sois bastardos e não filhos”. (Heb. 12:7-8)

2- Através dessa confissão, Noemi mostra ainda que o Senhor se preocupa dos Seus que estão extraviados, Sua maneira de atuar será muito amarga. O apóstolo nos recorda também que: “Em verdade, toda correção, ao presente, não parece ser motivo de gozo senão de tristeza, mas produz um fruto pacífico de justiça aos exercitados por ela”. (heb. 12:11).

3- É necessário notar que a formosa atitude de Noemi, que reconhece sua responsabilidade de seu afastamento. Ela própria declara: “cheia parti...” ( Ruti 1:21) . Entretanto, no início do capítulo lemos: “... um homem de Belém...”( Rute 1:1). Noemi não faz nenhuma reprovação a seu marido. Não atribui também à culpa a outro tentando desculpar-se.

4- Se, por um lado, Noemi não transfere a outro a culpa de seu afastamento, por outro lado, e com razão, atribui toda a certeza de sua restauração a Deus, podendo dizer: “...o Senhor me fez tornar...”(Rute 1:21). Fui eu que parti, mas foi Deus que me trouxe de volta. Davi pode declarar nesse mesmo estado de espírito no Salmo 23:3 “..refrigera minha alma, guia-me pelas veredas da justiça...”. Pode haver momentos em que, cheios de auto suficiência e de confiança em nós mesmos, pensamos poder voltar para o Senhor quando nos parece bem, mas, na realidade, nenhum crente aleijado poderá voltar ao Senhor se Ele não tomar a iniciativa de restaurá-lo. A oração do Senhor a favor de Pedro antes que caísse e o olhar do Senhor no momento de sua falta quebrantaram o coração do discípulo e o conduziram a sua restauração.
      Pedro o havia seguido a distância e logo caiu, mas o Senhor quis restaurá-lo e trazê-lo
      de volta .    

5- Noemi não disse somente que Deus a havia trazido de volta, senão que a havia trazido de volta a “casa” ( JND). Quando o Senhor traz de volta um crente, sempre o traz de volta ao calor e ao amor do circulo familiar. O que faz o pastor quando encontra a ovelha perdida? Traz de volta  a sua casa.

6- Entretanto, Noemi deve reconhecer que Deus a fez voltar para casa “de mãos vazias”.
      Todo o tempo que estamos longe do Senhor, não fazemos nenhum progresso espiritual.                                                           Ele pode permitir em Sua disciplina que nos despojemos de muitas coisas que impedem      nossas almas de progredir. Junto com Noemi, devemos confessar: “cheia parti, porém vazia o Senhor me fez voltar”. Como todo aquele que se afasta, Noemi deve sentir o sofrimento.
     É certo que ela teve uma bendita restauração e voltou a sua casa, ao seu povo, mas   jamais terá a seu marido e seus filhos de volta,  se foram para sempre. Ela buscou o bem estar que quis   evitar as batalhas e os exercícios, mas encontrou somente a morte e as privações, voltando  com as mãos vazias.

7- Entretanto, se o Senhor nos traz com as mãos vazias é porque Ele quer trazer nos para um lugar de abundância. Quando Noemi chegou a Belém era o “princípio das cevadas”(v. 22)

Que consolo para nossos corações saber que se faltarmos com compaixão de uns para com os outros, Ele o Senhor não faltará jamais!
Dentro de pouco tempo, o Senhor trará a Sua casa as pobres ovelhas dispersas e não deixará nem uma sequer. Então, na casa eterna gozaremos da sega celestial, será o “princípio” de uma sega de gozo e bendição que nunca acabará.


CAPÍTULO 2

“Quando também segardes a sega da vossa terra, o canto do seu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega. Semelhantemente, não rabiscaras a tua vinha: deixa-los-às ao pobre e ao estrangeiro: Eusou o Senhor vosso Deus.”(Levítico 19:9-10)

Se o primeiro capítulo do livro de Rute nos descreve a graça que salva, o segundo nos apresenta a graça que sustenta. A graça de Deus não só nos traz a salvação, mas também nos ensina a viver sobre a, justa e piedosamente no presente século (1ª Tito 2:11-12). A medida que quisermos ser instruído pela graça faremos progressos espirituais. Esse capítulo ilustra de maneira muito atrativa este crescimento e progresso espiritual pela graça.
Para o jovem convertido, é uma verdadeira benção começar bem sua carreira cristã ao cortar definitivamente os laços com o mundo e comprometer-se com a senda da fé e com o povo de Deus.
 Mas um bom começo não é suficiente. Se desejamos manter-nos no caminho da fé, devemos crecer na graça. Como disse o apóstolo Pedro, se os cristãos querem gozar da abundância da graça .
Para o jovem convertido, é uma verdadeira benção começar bem a sua carreira cristã ao cortar definitivamente os laços com o mundo e comprometer-se com a senda da fé e com o povo de Deus.
Mas um bom começo não é suficiente. Se desejamos manter-nos no caminho da fé, devemos crescer na graça. Como disse o apóstolo Pedro, se os cristãos querem desfrutar da abundância da graça , paz e de “todas as coisas que pertencem a  vida e a piedade”, querendo fugir da “corrupção que há no mundo pela concupisciência” só será possível mediante “o conhecimento de Deus e do nosso Senhor Jesus”(@ Pedro 1:2-4). Por isso conclue sua epístola exortando aos crentes a crescer “na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. ( 2 Pedro 3:18)
Os crentes em Corínto, depois de haver começado bem, se mostraram lentos em fazer progressos espirituais.
A mundanidade e a sabedoria deste mundo foram um obstáculo para eles. Os Gálatas também tiveram um bom começo, pois o apóstolo reconhece que corriam bem; mas perguntou-lhes “quem vos fascinou para não obedecerdes a verdade”(Gal. 5:7). Uma vez que cairam debaixo do domínio fe falsos nestres, foram ganhos pelo legalismo. Igualmente hoje, muitos parecem começar bem e prometem vir a ser cristãos consagrados, mas a continuação não parece haver progresso espirituais em suas vidas. Não crescem na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E cedendo as atrações do mundo podem se tornar mundanos, ou caem sob a influência de falsos mestres, se tornando legalistas.

O crescimento da graça

Essa porção da história de Rute nos levará a descobrir o segredo do crescimento da graça. Rute nos é apresentada com insistência como segadora. No versículo 2 ouvimos ela dizer para Noemi : “deixa-me ir ao campo e apanharei espigas ...”, no versículo sete ela pede ao mordomo e aos segadores: “deixa-me colher espigas entre as gavelas...”. No versículo dezessete lemos: “esteve ela apanhando...”, no versículo vinte e três : “...ajuntou-se com as moças de Boaz”.
Assim Rute, nesse capítulo, é vista como segadora. E qual seria o significado espiritual de segar?
Devemos lembrar que o primeiro capítulo termina com essas palavras: “chegaram a Belém no princípio da sega das cevadas”. Noemi e Rute se encontravam em meio a abundância. Mas a colheita, ainda que seja abundante, não pode satisfazer os famintos se não for colhida. Só colher espigas, Rute se apropria das suas provisões que estavam a disposição pelo senhor da colheita, tanto para as suas necessidades quanto para as de Noemi.
Podemos dizer que, no aspecto espiritual, o colher espigas siguinifica o fato do crente se apropriar das bençãos espirituais que Deus concedeu.
Na história de Israel, Deus havia dado a esta nação um direito de propriedade absoluta do país prometido, do qual havia delimitado as fronteiras muito precisamente. Não obstante, Deus havia declarado também: “ Todo lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso” (Deut. 11:24) . Os israelitas deviam tomar posse de seu país. Assim é como o apóstolo Paulo podia afirmar com a plena confiança que os crentes são abençoados “com todas as bençãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”(Ef. 1:3), mas esta certeza não o impedia de orar para que o Espírito Santo faça Seu trabalho no homen interior, afimm de queos cristãos compreendão qual a altura, a largura e a profundidade de todas essas bençãos espirituais.
Na história de nossas vidas, o dia em que o Senhor Jesus nos chamou para Ele, quando soubemos que nossos pecados foram perdoados, quando fomos selados com o Espírito Santo e feito “aptos para participar da herança dos santos na luz”, esse dia será para sempre maravilhoso. Mesmo que não possa haver um crescimento na nossa capacidade de participar da glória, entretanto o apóstolo deseja ver-nos cristãos em crescimento “no conhecimento de Deus “ (Col. 1:12-14, 10). Oh quão fracos segadores fomos!
Quão pouco entramos nas riquezas insondáveis de Cristo!

Condições para crescer

Porque somos segadores tão negligentes! É certo que o segar requer condições que nem sempre estamos dispostos a nos submeter. Isso se torna evidente a medida que notamos as qualidades que fizeram de Rute uma boa segadora.
Em primeiro lugar ela se caracterizava por ter um espírito humilde e submisso. Disse a Noemi: “deixe-me ir ao campo, e apanharei espigas”. Mais tarde também pediu ao mordomo dos segadores de Boaz a mesma coisa. Ela não atuava de maneira idependente frente aos que eram mais velhos e de maior experiência que ela. Não desprezava as direções e os conselhos. Não tinha uma vontade incontrolada, que pudesse levá-la a fazer o que parecia bem aos seus próprios olhos. Pedro disse : “...mancebos, sede sujeitos aos anciões;
Sede todos sujeitos uns aos outros, e vestí-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos , mas dá graça aos humildes”(1 Ped. 5:5).
O espírito Santo associa a submissão e a humildade. O homem orgulhoso não se agrada em submeter-se. Ter uma vontade quebrantada é o maior obstáculo para se crescer na graça.

Em segundo lugar, Rute se caracterizava pela diligência. Como lemos no vesículo sete, “...assim ela veio, e desde pela manhã está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa”. Logo depois no versículo dezessete, “esteve ela apanhando naquele campo até a tarde...”. Não observamos uma grande falta de diligência entre os crentes nas coisas de Deus ? Somos muito zelosos para as coisas deste mundo, mas, desgraçadamente só reservamos o tempo que nos sobra para as coisas do Senhor. Estudamos a Palavra de Deus assiduamente? Somos diligentes nas orações? Podemos alegar que o estress e as dificuldades da vida nos deixam muito pouco tempo, mas a pergunta permanece: como utilizamos esse pouco tempo que nós temos ? Em Hebreus 6:12, o autor nos exorta a solicitude e acrescenta: “Não vos façais negligentes ..”. Se desejamos desfrutar nossa herança, devemos ser zelosos, pois, não é de estranhar que façamos pouco progressos espirituais se encontramoss tempo para ler os jornais e revistas do mundo e não damos tempo para lermos as riquezas da Palavra de Deus.

Em terceiro lugar, Rute era perseverante. Ou seja, ela não era delegente um dia, e preguiçosa no outro, senão que “Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz para colher até que a sega das cevadas acabou, e ficou com sua sogra”( Ver.23).
Dia após dia ela foi segar até quando terminou a sega. Os de Beréia receberam elogios especiais, não somente por examinar as Escrituras, mas por terem feito isso a cada dia.(Atos 17:11). É facil mostrar-se zeloso um dia, para ser zeloso a cada dia requer perseverança. “Cada dia”é uma expressão exigente que nos põe à prova. O Senhor pede a seu discípulo que tome sua cruz a cada dia (Lucas 9:23). Fazer um grande esforço para cumprir um ato de renúncia heróico é relativamente fácil, mas perceverar tranquilamente dia após dia, segundo a Cristo é prova maior que devemos fazer. Não é o atleta que começa bem a corrida que vence, mas sim aquele que persevera.
Finalmente lemos que Rute “debulhou o que apanhou”(Vers.17). Não é suficiente colher a cevada e o trigo, é necessário debulhá-los. As verdades que lemos ou ouvimos do ministerio dos irmãos, devem ser também motivo de meditação e orações para que possam contribuir para nosso crescimento espiritual.
A simples aquisição de uma verdade não fará mais que inchar nossa mente. É necessásrio desfrutar dessa verdade em comunhão com o Senhor para que ela possa levar-nos a um maior conhecimento de Sua pessoa. Assim, para se Ter progresso espiritual, é necessário certa condição de alma, caracterizada pela submissão, diligência, perseverança e meditação.
Ademais, o estado de alma, ainda que importante, não é tudo. A ajuda que recebemos de cristãos contribue também para o nosso progresso espiritual. Isto vemos claramente nos distintos personagens que aparecem nesse capítulo.Noemi, as criadas, os segadores, o mordomo e finalmente Boaz, o homem rico, todos desfilam uns após os outros diante de nossos olhos, e sempre aparecem com relação a Rute. Ajudam de diferentes maneiras a jovem segadora em seu trabalho, mostrando-nos que Cristo utiliza meios distintos para estimular aos seus no crescimento espiritual na graça.

Conselhos e instruções dos mais experientes.

Noemi conhecia a Boaz desde a muito tempo; ela estava em condições de aconselhar e instruir a Rute. Assim também ocorre hoje, existe aqueles que já marcham há muito tempo com Cristo; e mesmo que tenham falhado gravemente como Noemi, a experiência os faz aptos para dar conselhos e instruções aos crentes mais jovens. Seria difícil ver Noemi como uma grande pregadora ou como uma grande professora, mas antes vemos nela a figura daquelas santas mulheres anciãs das quais lemos em Tito 2 :3-5, chamadas a ser exemplos, “mestras do bem”, e capazes de dar com amor conselhos sábios “as moças”. Em tais versículos, Noemi não põe dificuldades e nem coloca obstáculos no caminho de Rute. Antes responde imediatamente: “Vai minha filha”(vers. 2) e incentiva a Rute nesse feliz trabalho, ademais quando Rute volta, reconhece com alegria os progressos realizados, porque lemos:..., e viu sua sogra o que tinha apanhado (vers. 18). Não somente viu seus progressos como se interessou realmente de sua situação pois lemos: “...onde colheste...e onde trabalhaste?” (vers. 19).
Finalmente, declara que era Boaz e a aconselha afetuosamente que continue a segar. Se pelo menos o espírito de Noemi pudesse animar as irmãs de mais idade a conduzir as mais jovens para animá-las, para que façam progressos espiritual, para que se interessem pelo estado espiritual, das mais jovens e para que possam ser instruídas no conhecimento de Cristo e para que possam ser ajudadas com conselhos de experiência às jovens enquanto segam.




Comunhão entre os filhos de Deus.

As criadas também são de ajuda para Rute nesta formosa história. Encontramo-nas no versículo 8,21,22 e 23. Rute sega ao lado delas, são suas companheiras de trabalho. Portanto nos falam, em figura, da feliz comunhão entre os filhos de Deus, que também é importante para o progresso espiritual.
Boaz adverte Rute: “... não vás colher a outro campo, nem tampouco passes daqui”(vers. 8). Existem campos e outras criadas, mas são extrangeiros para Boaz. Sejamos mais velhos ou mais jovens, fazemos bem em prestar atenção a advertência feita por Boaz.
Na verdade, no mundo, existe muitos campos atrativos e que as vezes podem oferecer companias agradáveis, mas a sociedade vil deste mundo não são de Cristo. Em atos 4:23, depois de serem presos os apósto-los a primeira coisa que fizeram foi voltar “para os seus”.
Forçozamente temos que nos relacionar-mos com as pessoas deste mundo em nossa vida profissional ou do dia a dia, mas não podemos desfrutar de uma agradável comunhão nem fazer progressos dentro deste círculo. Somente na comunhão com os cristãos resultava em “em grande poder” e de uma “abundante graça” ( Atos 4:33). Em hebreus ( 10:24-25), somos exortados a considerar-nos uns aos outros para “nos esrimularmos ao amor e boas obras”. A fonte de amor e boas obras não estão nos crentes; mas sem dúvida a compania dos crentes extimua esseamor e essa boas obras.
O dia do juízo deste mundo se acerca, por isso fazemos bem em nos separarmos dele para que possamos encontrar nossa bendita parte entre “as criadas de Boaz”, ou seja entre aqueles  que não são manchados e que tem guardado suas vestiduras brancas ( Apoc. 3:4-5 e 16:15). Quanto mais perto esta o dia, mais devemos de estar juntos uns dos outros.

Os servos do Senhor

Os segadores e os criados também são úteis para Rute. São mencionados nos versículos 4, 5, 7 e 9 de  novo capítulo. Servos de Boaz, oferecem uma imagem real das qualidades requeridas dos servos do Senhor que se dedicam ao ministério para ajudar aos filhos de Deus.
A primeira coisa necessária para todo servo de Deus é a presença do Senhor. Ouvimos a Boaz saudar seus segadores com este desejo: “Jeová seja convosco”( v.4). Encontramos este mesmo espírito na época do evangelho: “E eles, saindo, pregaram o evangelho em todas as partes, ajudando-os o Senhor”( Marcos 16:20).
Em segundo lugar, para cumprir eficazmente o serviço de Boaz, os segadores devem submeter-se a companhia do Senhor, senão também ao contrôle do Espírito Santo, a pessoa divina prefigurada por esse servo anônimo(v.5).
Em terceiro lugar, os segadores precedem a Rute, como ela mesma diz: “deixa-me colher espigas, e ajudar-as entre as gavelas após os segadores”(v.7).
As escrituras reconhecem a existência de pastores ou condutores espirituais entre o povo de Deus que nos expõem Sua Palavra e dos quais devemos imitar a fé. Somos chamados a obedecer e submeter-nos a tais condutores porque velam por nossas almas (Heb.13:7 e 17).
Em quarto lugar, esses jovens, os criados de Boaz, teram água do poço. Se o previlégio de Rute era beber a água, a responsabilidade dos criados era tirar a água do poço. Nem todos são chamados, bem capazes de tirar a água dos poços profundos de Deus, mas todos podem beber a água vertida nas vasilhas adaptadas a capacidade de cada um. Muitos são os que podem alcançar a agua no fundo do poço, mas ela está a disposição de todos nas vasilhas.
Por isso, a ordem para Rute é: “Vai aos vasos,e bebe do que os moços tirarem”(v.9). Timóteo foi exortado a ocupar-se “nessas coisas”, a permanecer nelas. Seguramente isto corresponde a tirar a água; mas o resultado, seu “aproveitamento” devia ser “manifestado a todos”(1º Tim.4:15). Esta é a água nas vasilhas acessível a todos.
Em quinto lugar, para ser aptos para o serviço de Boaz, os segadores recebem deretivas especiais de seu amo. “..., Boaz deu ordem aos seus moços dizendo: até entre as gavelas deixai-a colher, e não a repreendais. E deixai cair alguns punhados e deixai-os ficar para que oscolha, e não a repreendais”(v.15-16). Para responder as necessidades específicas dos indivíduos, é necessário receber direções específicas da parte do Senhor. Quão perto do mestre deve de estar o cervo se deseja seber, durante seu serviço, onde e como deixar cair o punhado de espigas que corresponda a necessidade de específica naquele momento e fazê-lo sem reprovação ou repreenção.
O Senhor como sempre, é o exemplo perfeito para nós. No dia da ressurreição, quando envia uma mensagem a Pedro,dizendo: “...,dizei a seus discípulos e a Pedro,”(Marcos 16:17) não deixa cair algumas “espigas entre as gavelas” para sua pobre ovelha estraviada, sem acrescentar reprovação ou condenação(Marcos 16:7).
Finalmente, o trabalho dos pegadores leva ao fim da sega, porque Boaz ordena a Rute que fique junto a suas criadas “até que acabem toda a sega..”(v.21).
É o mesmo para os servos do Senhor como para os de Boaz, já que o apóstolo Paulo evoca a gloriosa esperança posta diante de nós como um estímulo no serviço. “Portanto, meus amados irmãos,sede firmes e constantes, sempreabundates na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”(1º Cor.15:58).

A ação do Espírito Santo

O criado de Boaz estabelecido sobre os segadores também desempenha seu papel nos progressos  feitos por Ruti quando colhia espigas. Não é dado a conhecer seu nome e raramente aparece na narrativa, mas contudo está por trás de tudo que se passa em nome de Boaz.
Controla a cada segador que trabalha nos campos de seu Senhor. É ele que apresenta Rute a Boaz. Faz um relatório verdadeiro sobre a jovem, sem acrescentar nenhuma palavra depreciativa sobre ela; também antecipa o pensamento de Boaz ao permitir que ela colha espigas em seus campos (v.5 a 7).
Em tudo isso, o criado atua em perfeito acordo com o pensamento de seu amo. Certamente que temos aqui uma figura da gloriosa Pessoa do Espírito Santo, que veio da parte de Cristo glorificado, em nome de Cristo, para representar os interesses de Cristo.
Alguén que não fala de si mesmo,que é invisível aos olhos do mundo mas que dirige os servos do Senhor e que por seu trabalho de graça nas almas, as põe em contato com Cristo. Alguém que veio a terra para ocupar-se dos enteresses de Cristo, que pensa e atua em perfeito acordo com o pensamento e o coração do Pai e do Filho.

Cristo o grande redentor.

Finalmente. Temos a Boaz que representa a Cristo. Primeiro na glória de sua pessoa e de sua obra, depois em sua maneira de atuar, cheia de graça, para conosco individualmente.
Pessoalmente, Boaz é apresentado como um “parente” e um “homem rico”(v.1 e 20). A palavra “parente”,empregada varias vezes no livro de Rute, é usada como “redentor”em outras partes, termo que indica o verdadeiro alcance da obra do parente. O parente tinha tanto o direito como o poder de redimir a seu irmão, ou sua herança, caso um ou outro caísse nas mãos de um extranho (Lev.25:47-49)
Pela queda do homem, ele perdeu todos seus direitos sobre a herança terrena. O mesmo caiu sob o poder do inimigo e, como pecador culpável, se encontra expôsto à morte e ao juíza. Não pode redimir nem a si mesmo nem à terra do poder do pecado da morte e de Satanás. Necessita um Redentor, alguém que tenha o direito como o poder de cumprir a redenção. Cristo é o grande Redentor, aquele do qual Boaz é uma figura, redimindo aos seus de maneira dupla por um ato de redenção e poder. O preço da redenção (ou resgate) que Ele pagou foi Sua própria vida dada a nós. Fomos resgatados “não com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, senão com o sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem contaminação” (1Pe.1:18-19).  E mais, nos redimir por um ato de poder, porque não só Seu sangue foi vertido, mas que também pela ressureição anulou o poder da morte. Havendo sido já redimidos por  Seu sangue, agora esperamos a redenção em poder, ou seja, o momento em que levará nossos corpos de todo traço de mortalidade tranformando “nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu eficaz poder de sujeitar também a Si todas as coisas” (Fil. 3:21).
Finalmente, obteremos nossa herança uma rica possessão que Ele adquiriu resgatando do poder do pecado, e da morte e de Satanás, a qual gozaremos juntos com Ele para Seu louvor e glória (Ef. 1:14).

Os caminhos de graça e verdade

Em Boaz vemos não somente a imagem das glórias do nosso grande redentor, senão também uma esposição magnífica de Seus caminhos de graça até cada um de nós. É nosso privilégio que, além de aprender a conhecer a verdade concernente a Sua pessoa e obra, que também tenhamos a experiência de Seus cuidados cheio de graça, que nos fazem aprofundar-nos esse conhecimento.
Oxalá que todos os crentes desejem levar uma vida mais utêntica, mais determinada com Cristo no secreto de sua alma, vida conhecida somente por Cristo e por eles mesmos, na qual ninguém poderia intervir.
Desta relação entre Cristo e a alma nos fala da atitude benevolente de Boaz , o homem rico, para com Rute a estrangeira . O que caracteriza sua atitude é a graça e a verdade, evocando para nós aquele que veio “cheio de graça e verdade”( Jo. 1:14-17). Em nossa debilidade, sucessede que manifestamos graça em prejuízo da verdade, ou o contrário. Em Cristo, a expressão infinita da graça vem acompanhada do perfeito mantimento da verdade.
Com uma comovedora graça Boaz põe todas as suas riquezas a disposição da estrangeira vinda de Moabe, que segundo a Lei, não estava autorizada a entrar na congregação de Deus, nem até a décima geração ( Deut. 23:3). Seus campos, suas criadas, seus criados, suas vasilhas, seus grãos, tudo é posto a disposição de Rute. Ela deve ficar em seus campos; estar junto de suas criadas, colher as espigas atrás dos segadores e beber de seu poço. Boaz não faza nenhuma alusão a sua origem, ou a sua condição de extrangeira e muito menos a sua pobreza! De sua boca não saiu nenhuma reprovação quanto a seu passado nem ameaças com relação ao futuro nem exigências reclamando algo por sua generosidade, tudo é dado por uma graça soberana e ilimitada. Cristo atua da mesma maneira para com os pecadores que somos todos nós. A graça dá os dons, os mais excelentes, a disposição de uma pecadora em um poço de Sicar (Jo.4:1-42), a graça dá ordem aos peixes do mar para um homem pecador como Pedro( Mat. 17:24-27), e a graça abre o paraíso de Deus a um malfeitor moribundo (Lucas 23:39-43). Da mesma maneira, a graça nos abençoa com todas as riquezas insondáveis de Cristo, “sem dinheiro e sem preço”( Isa. 55:1).
Entretanto, as riquezas da graça não encobrem o resplendor da verdade ao contrário, é justamente a graça que faz ressaltar a verdade. Boaz não necessita lembrar a extrangeira de sua origem humilde, ela mesma confessa. Mas, é a Sua graça que a incita a fazer tal confissão. Ela abaixa seu rosto e se inclina a terra diante de Boaz, colocando-se de lado com a consciência da grandeza da pessoa diante de quem está e a que deve todas as bençãos. Com a pergunta que Rute faz: “Porque achei graça em teus olhos para que faça caso de mim, sendo eu uma estrangera?”(v.10). Ela reconhece que nada em si mesma merecia tal graça, reconhece igualmente que, por natureza não podia pretender nada de Boaz, pois confessava ser estrangeira. Somente na presença da graça de Boaz ela lhe dá o lugar que corresponde a ele e ela permanece no seu.
Isto nos traz a memória outros exemplos formosos dos caminhos de graça e verdade manifestados por nosso Senhor quando estava aqui na terra.
Se a graça propõe a uma pobre pecadora o dom gratuito da água viva, que salta para a vida eterna, também vai manifestar a verdade referente a ela.
A simples frase de Jesus: “vai e chama teu mando” é a verdade que descobre seus atos, e o convite que se segue: “e vem cá”(joão 4:16) é a graça que abre o acesso a todo o amor do coração de Deus. A verdade revela a maldade de nossos corações, mas a graça revela um coração que, sem ignorar nada dos atos cometidos durante nossa vida, pode amarmos e convidar-nos “vem cá”.
Em outra ocasião, com outra mulher extrangeira como Rute, uma cananéia, vemos o mesmo desfeixo da graça e da verdade. Os discípulos defendiam a verdade em detrimento da graça: “Despede-a”,diziam. O Senhor não age assim, mas também a graça não menos preza a verdade. Por isso, atua com esta cananéia de maneira tal que a verdade saia de seus próprios lábios levando-a a confessar: “Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus senhores. E plenamente de acordo com seu interlocutor, discirne também n`Ele a graça que não sabia recusar uma migalha dada a um cachorro.
A graça do Senhor a conduz a reconhecer a verdade quando a sí mesma. Então recebe a recompensa da fé, porque o Senhor responde com gozo aos chamamentos fectos a Sua graça. Pois disse: “Ó mulher, grande é a sua fé: seja-te jeito como tu desejas”(Mat.15:21-28).
Que momento bendito durante o curso de nossas vidas, quando sozinhos com o Senhor, somos levados a romar consciência da maldade de nossos corações na presença da graça que enche tudo. Que bendição aprender em tais instantes que, por mais vil que possamos ser, a graça em Seu coração satisfaz tudo.
Boaz, pois consola o coração de Rute. Ela reconhece a verdade dizendo: “sendo estrangeira”, Boaz com sua resposta parece dize-la que tudoo que ela poderia contar-lhe de si mesma, ele já sabia: “Bem sei”(Vers. 11). E a frente nenhum temor pode persistir em seu ser interior que possa ser descoberto um dia e que leve Boaz a retirar seus dons de graça. Já liberta podia dizer: “..., pois me consolaste, e pois falaste ao coração da tua serva...” (vers.13). Nada toca, e consola tanto o coração como a certeza adquirida na presença do Senhor sabendo que Ele sabe de tudo e que nos ama apesar de tudo.


A presença do Senhor.

Entretanto, a história de Rute não termina aqui. Boaz deu prova da graça, Rute confessou a verdade, disto resultou a paz na consciência e o gozo no coração. Mas isso não é tudo. Boaz não se contenta em trazer consolo a Rute e deixá-la com o coração cheio de gratidão. Ainda que essa mulher poderia considerar-se amparada, o coração de Boaz não estava satisfeito. Mesmo Rute não esperando mais bençãos, Boaz tem mais para oferecer. Não se considerava satisfeito sem a compania daquela a quem havia falado ao coração. Por isoo acrescenta: “Vem aqui”(vers.14). De uma maneira mais profunda ainda, não é assim que o Senhor atua conosco?
Ele apazígua nossos temores, fala a nossos corações e ganha nossos afetos, tudo para poder gozar de nossa compania. O amor não esta satisfeito sem a presença da pessoa amada. Por isoo foi que Ele morreu para que “quer vigiemos, quer durmamos vivamos juntamente com Ele”. (1 Tess. 5:10)
Somos bem aventurados se prestarmos atenção e respondermos ao convite cheio de graça que nos faz dizendo: “Vem aqui”.
Assim Rute se encontrou sentada no meio de um povo que até então não conhecia. Sim ela se “assentou junto aos segadores”, e  em compania de Boaz porque vemos : “e ele lhe deu do trigo tostado”. Felizes seremos se, conscientes da presença do Senhor, tomarmos lugar entre os  Seus. Seremos nutridos com “grão tostado”. Como Rute, seremos saciados e deixaremos sobras ( vers. 14).
Em Sua presença , nossas almas serão alimentadas e nossos corações satisfeitos; e o coração estando satisfeito, em plenitude, terá o que dar aos demais.
Em segundo lugar, Noemi disse a Rute oque Boaz estava fazendo: “eis que esta noite padejará a cevada na eira “ (vers.2). Do mesmo modo, nosso divino parente, nosso Boaz, passa toda longa e sombria noite da época atual, se podemos chamar assim, separando sua cevada.
Hoje o Senhor Jesus não se ocupa do pagamento. Isso fará no juízo no dia futuro, agora se ocupa dos seus, “separando, batendo a cevada”. Ou seja, dizendo de outro modo, santifica a sua igreja, afim de apresentá-la a sí mesma sem mancha nem ruga nem coisa semelhante ( Ef. 5:26-27). Nos céus, o Senhor se ocupa dos seus com esperança no dia vindouro.
Depois de recordar a Rute seus direitos sobre Boaz, Noemi segue com sua instrução mostrando-lhe em que estado ela deveria estar na presença de Boaz.  Se dissermos que somos “parentes” de Cristo, que pertencemos a ele e ele a nós, certamente desejaremos sua compania. Mas estar conscientes de sua presença requer um estado de alma apropriado, manifestado em figura mediante as instruções dads a Ruti: “Lava-te pois,”(v.3) nos leva a pensar no lavar de pés de João 13 devia, primeiro ter os pés lavados antes de poder “reclinar” no Senhor(v.23)
É necessário que o lavamento dos pés preceda o descanço do coração. O Senhor teve que dizer a Pedro: “Se eu te não lavar; não tens parte comigo”(v.8).Sua Obra nos assegurou uma parte nele, mas para Ter uma parte com Ele para gosar de sua  comunhão com Ele, no lugar onde está, devemos Ter os pés lavados; lamentavelmente somos descuidados nisso. Permitimos que coisas nefastas nos contaminem e que influências desse mundo se infiltren furtivamente em nós e dirijam nossos afetos.
Quando se descuida da lavagem dos pés, as manchas se acumulam até entorpecer nosso espírito e privar nossos afetos de tal modo que nossa comunhão com Cristo se torna uma coisa rara e até desconhecida. Estejamos, pois, atentos a advertencia do Senhor: “Se sabeis estas coisas, bem aventurados sois se a fizerdes”( Jo. 13:17). Não era suficiente que Rute aceita-se a instrução de lavar-se; ela teria que fazer. Assim também, o bem que podemos achar em João 13 não reside no conhecimento da verdade apresentada nesse capítulo mas sim por em prática tal verdade. Mas necessitamos ainda mais; depois de lavar-se Rute deve também ungir-se. Não basta purificar a mente de influências que contaminam, mas necessitamos também lembrar a exortação do apóstolo Paulo: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fil. 4:8). O lavar-se é um ato negativo, no sentido de que algo é tirado, a unção, ao contrário é um ato positivo, que deixa um perfume que exala um aroma agradável. Não só precisamos purificar nossas mentes e afetos de más influências que nos contaminam, como também é mister manter ocupados com tudo o que é de Cristo, para que derramemos ao nosso redor o aroma de Cristo, que convém à Sua presença.
Depois da menção do ungir-se, Noemi acrescenta: “E veste os teus vestidos”. Isso nos fala do linho fino, que simboliza “...as justiças dos santos”( Apoc. 19:8). Filipenses 4:8 nos fala da unção, no versículo nove nos dá a resposta quanto as ações justas: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei”(Fil 4:9). A palavra chave do versículo oito é “pensai”; a palavra chave do versículo nove é “fazei”. Se tivessemos uma percepção mais profunda da formosura de Cristo, desejaríamos com mais ardor sua compania e gozo consciente em Sua presença. Tais desejos exercitam ainda mais nossos corações para guardar nossos pensamentos, afetos, palavras e nossos caminhos purificados de toda mancha, e estaríamos ocupados com o que diz respeito a Cristo.
Uma vez que Rute está preparada para estar na presença de Boaz, sua linha de conduta é clara: deve de se colocar aos pés de Boaz e ouvir suas palavras porque como disse Noemi, “E ele te farás saber o que deves de fazer”( Rute 3:4). Isso leva nossos pensamentos até aquela feliz sena em Betânia, descrita em Lucas 10:39, na qual vemos Maria acentada aos pés de Jesus, ouvindo Sua palavra. É justamente do que temos falta hoje.
No meio desta vida agitada e estressante, se torna muito difícil achar um tempo para estar a sós com o Senhor e ouvir o que Ele quer nos dizer. Entretanto Ele nos diz: “Só uma coisa é necessária”( Lucas 10:42). Que possamos ouvir a Sua voz através de Noemi e responder como Rute: “Tudo quanto disseres farei”( Rute 3:5). Assim, lavados, ungidos e vertidos, poderemos sentar-nos em Sua presença e escutar a Sua Palavra.

 Aos pés do divino Boaz

Uma vez que Ruti está aos pés de Boaz, o relato se encontra naturalmente no que ele fa. Boaz vai satisfazer os desejos que seu amor e sua graça despertaram, mas também vai satisfazer ao seu próprio coração. Tudo isso evoca o mistério mais profundo de Cristo e seus desejos para com a Igreja. Nada  poderá satisfazer seu coração exceto o fato de Ter os seus com Ele e semelhantes a Ele. Seu amor deve gozar da compania de seus amados.
Vamos ao céu porque o amor nos deseja ali.
Para o pai não foi suficiente suprir todas as necessidades do filho pródigo; ele o queria em sua compania, digno de sua presença, vestido com o melhor vestido, seus pés calçados e um anel na mão (Lucas 15:22). Igualmente, o coração de Cristo não estaria satisfeito em libertar-nos do juízo e nos purificar dos pecados, queria Ter-nos com Ele e semelhantes a Ele.
Com essa finalidade reunia as almas ao seu redor enquanto atravessava esse mundo. Com efeito, quando chamou aos doze, era para que em primeiro lugar estivessem com Ele (Marcos 3:14).
Esse foi o motivo de sua oração em João 17 “Pai aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo..."” vers. 24).
Por isso morreu, “O qual morreu por nós, para que, quer vivemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele”(1Tess. 5:10).
Com esse propósito serve igualmente aos seus hoje, lavando-lhes os pés para que tenhamos parte com Ele ( João 13:8).
Também Ele tem isto em mente, quando recolhe a um de seus redimidos: “de ser desatado, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”(Fil. 1:23) .
Finalmente, quando o Senhor vir nas nuvens para nos buscar para Ele, “Depois nós os que ficamos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar com o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”(1º Tess. 4:17).
Assim é a verdade que aprendemos aos seus pés. Não somente desejamos a Ele, como Ele também nos deseja. Se é um pouco estranho que o anelemos, seu anelo para conosco será motivo para maravilhar-nos eternamente. Maria aprendeu aos pés do Senhor que Ele pode prescindir de todo nosso serviço, mas não de nós mesmos. “Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição”(Cant. 7:10), é a verdade, tão grande e gloriosa, que aprendemos aos seus pés. Desta mesmaq verdade nos fala Rute, porque aos pés de Boaz a jovem aprendeu que não somente ela o anciava, mas que também ele a desejava. Maravilhada por esta descoberta ,Rute pode, desde então ,esperar e deixar-lo concluir esse assunto ( Rute 3:18).

Cristo assegura o repouso

O modo com que Boaz obrou para assegurar o repouso de Rute, é muito significativo. Primeiramente o que faz com Rute e o que faz para Rute. No capítulo 2 ele ganha o seu amor e no capítulo 3 ele dá a coragem de buscar satisfazer esse amor que ele despertou.
Depois de desistir de seguir a outro que não seja Boaz, ela recebe primeiramente a certeza da benção : “Bendita sejas tu do Senhor “ (vers.10) .
Em segundo lugar, Boaz terá de seu coração todo  vestígio de temor, dizendo: “não temas”( vers.11).
Assegurando que todos os obstáculos, para que seu propósito seja cumpridop se não superados ( vers.12 e 13).
Entretanto, prove ricamente as suas necessidades e lhe dá seis medidas de cevada. Quando Rute havia buscado sua própria benção havia obtido uma medida de cevada (Rute 2:17); mas quando buscou a própria pessoa de Boaz, ela obtém seis medidas. Mas note que foram seis e não sete, o número perfeito. A cevada qualquer que fosse a quantidade não poderia dar a satisfação completa.
Hoje , o Senhor atua da mesma forma para com os seus. Há bençãos especiais reservadas para aqueles que aprenderam o grande segredo, a saber, que o Senhor nos quer para si mesmo.
Nem todo o temor nos tira do coração essa certeza. Pelo contrário nos dá uma ousadia tendo a certeza de que nenhum obstáculo poderá impedir o cumprimento de seu propósito para conosco. Enquanto o esperamos, ele supre nossas necessidades e nos faz capaz de permanecer tranquilos, com a firme convicção de que não descansará até Ter terminado o que começou, “..., que aquele que em vós começou a boa obra, a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo”(Fil.1:6)


A poderosa obra do Redentor .


No último capítulo, vemos como Boaz obra em favor de Rute. Neste trabalho, Rute não tem nenhuma participação. Boaz está só quando sobe “...à porta “ (Rute 4:1). A porta de uma cidade era o lugar onde se exercia o juízo. Na realidade, a justiça deve ser satisfeita antes que Rute possa ser abençoada ou que o propósito de Boaz seja levado a cabo. Na porta Boaz responde a tudo e soluciona qualquer coisa que pudesse se tornar um obstáculo. Dez testemunhas são convocadas.Pedem que se assentem, pois não têm outra coisa a fazer senão verificar a incapacidade do parente mais próximo( Rute 3:12 e 4:2-4), e ainda para tomar nota de que seus direitos são plenamente reconhecidos e satisfeitos. Vemos nisto uma figura da obra poderosa de nosso grande redentor, Ele que subiu sozinho “à porta”, o lugar de juízo.
Alí, sobre a cruz, resolveu todo o problema entre o crente e Deus. Ali também demonstrou plenamente a incapacidade da lei para resolver nossa situação, mas sem deixar de reconhecer e satisfazer suas justas exigências.
Assim, uma vez removido todo obstáculo, chega finalmente o dia das bodas na qual “Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher”( Rute 4:13).
“E todo o povo que estava na porta e os anciões disseram : somos testemunhas “.
São testemunhas da benção de Rute, mas atribuem o poder e a glória a Boaz: “ Fasze-te já valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém”( vers.11) .
Este final feliz da história de Rute constitue uma formosa figura desse grande dia no qual a igreja será a espôsa de Cristo ( 2 Cor. 11:2), e o qual ainda aguardamos; dia esse que lemos : “...; porque vindas são as bodas do Cordeiro e sua espôsa se ataviou”( Apoc. 19:7).
Contemplando essa visão, o profeta João ouve outra vez, por assim dizer, a voz de todos do povo que estavam à porta com os anciões elevar-se em louvortes, mesmo que agora se tenham amplificado em um hino de poder infinito, como um estrondo de muitas águas, e como a voz de grandes tronos, que desciam: Aleluia, porque o Senhor nosso Deus todo poderoso reina ! Regozigemo-nos e alegremo-nos dando-lhe glória (Apoc. 19:6-7).
O dia das bodas do Cordeiro será a grande resposta a obra de redenção. A glória responde a cruz.
Esse dia, a esposa será infinitamente bendita, mas o poder e o louvor serão para o Cordeiro.
Toda a glória será para Ele; mas ainda, o Senhor Jesus virá nesse dia “o fruto da aflição de sua alma, e ficará satisfeito”( Isaías 53: 11). Nós também veremos seu rosto em justiça, e estaremos satisfeito quando nos achamos a sua semelhança ( Sal. 17:15).

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